Sobre portos e retalhos

Sabem, na minha inocência pós-adolescente eu queria viver de escrever livros. E, por favor, queria fama no pacote, tá? Porque só "escrever livros" é fácil, o duro é ganhar dinheiro com isso. Mas, enfim... nessa época, conheci um escritor de relativo sucesso (mas do qual eu nunca havia ouvido falar) e saímos algumas vezes. Como ele estava bem além da faixa etária que me interessa, mantive nossa relação apenas na amizade, embora ele não aceitasse isso muito bem. Talvez ele se levasse a sério demais e tinha o hábito chato de não parar de falar, mas ele elogiava os meus textos e isso que me importava então.
Certa vez, em tom de crítica, ele disse que eu era como uma cidade portuária. Olha, já me chamaram de muitas coisas, mas de "cidade portuária" nunca! Pedi explicações porque você não chama alguém de "cidade portuária" e sai como se nada fosse! Segundo ele, as pessoas chegavam em minha vida, me ensinavam algo ou simplesmente deixavam a sua marca e partiam em seguida. Embora a metáfora tenha lá sua beleza, eu não gostei do título e passei muito tempo achando que eu era mais uma biluzinha fútil e sem personalidade na paróquia.

Com o tempo, percebi que a comparação feita pelo escritor vinha toda carregada da mágoa por eu não ter permitido acesso aos meus encantos carnais para ele. No entanto, desenvolvi a metáfora dele numa imagem talvez já utilizada por outras pessoas. Sim, de fato somos todos "cidades portuárias", pois não há como evitar que os outros nos marquem ou ensinem algo que pode ou não durar. Teríamos que ser muito impassíveis para nunca recebermos e aceitarmos contribuições intelectuais ou criativas de quem passa por nossa vida. Ou então, simplesmente não estamos rodeados por pessoas que tenham algo de interessante a nos acrescentar.

Carregamos uma colcha de retalhos em que cada experiência amorosa, profissional, social, intelectual... é um pedaço que bordamos dia após dia. Piegas, eu sei, mas não é verdade? Quantos não são os amigos que nos marcaram com suas ideias, opiniões e gostos e que, com o tempo, foram ficando para trás? Como se num passe de mágica fossem tragados pelo andar da carruagem. E isso não é algo ruim, não! Não quer dizer que a amizade não foi verdadeira; ela apenas não sobreviveu.
E o que dizer daqueles com quem trabalhamos e criamos um laço afetivo? Como nenhum emprego é para sempre, quando saímos deixamos para trás corações partidos e fofocas inacabadas, não é? Aí conseguimos outro trabalho, conhecemos novas pessoas e os amigos do antigo emprego paracem tão distantes. 
Sempre fico com um aperto no coração quando relembro tanta gente legal com quem tive o prazer de trabalhar e que (in)felizmente foram substituídas por outras pessoas tão legais quanto e que eventualmente serão substituídas por outras pessoas também legais... Enfim, é um ciclo natural em que, é claro, conseguimos salvar aqueles que realmente nos marcaram e formaram mais um quadrado em nossa colcha de retalhos.

Como é gostoso sentar-se e pegar minha colcha, colocá-la no colo e revisitar cada um dos quadrados que a compõe. Tantas lembranças boas e ruins... tantas pessoas que por aqui passaram... saudade daqueles com que eu poderia retomar o contato com uma simples ligação e mais ainda daqueles que se foram para sempre.
No final das contas, sou mesmo uma "cidade portuária" em construção há 32 anos. Muitos navios aqui já desembarcaram. Alguns me enriqueceram, enquanto que outros apenas saquearam minha cidade. Cada praça, rua e avenida leva o nome de pessoas importantes que conheci e também, porque não, de algumas nada memoráveis com que tive o desprazer de conviver. Levei anos para assumir responsabilidade por esta cidade. Para chamá-la de minha... Afinal, cabe apenas a mim decidir qual quadrado ficará na minha colcha de retalhos... qual memória ilustrará uma ladeira de minha cidade.

Um beijo,
Maddyrain

Arms Around the World

Radio Mix
Fire Island Vocal Mix
Roach Motel Dub
T-empo Club Mix
T-empo Dub Mix
Rated PG Club Mix
Rated PG Dub Mix


Uma neca all around the passiva:
Xente, olha, nem sei como que fui descobrir essa moça chamada Louise! Tudo que sei dela é que é inglesa e que obteve relativo sucesso no Reino Unido na década de 90. Será que suas músicas chegaram até aqui? Aí já não sei... Enfim, acho que descobri "Arms Around the World" fuçando no YouTube. Gostei do Radio Mix e fui atrás dos outros remixes (que não foram fáceis de encontrar, by the way). "Arms Around the World" é uma baladinha pop bem bonitinha e gostosinha. Sabe aquele tipo de música que não machuca? Que já vem toda besuntada no KY? Entonces.... é ela!
Sempre que tem remix do Fire Island eu sei que vou gostar. O Fire Island Vocal Mix tem a sonoridade bem diferente dos outros trabalhos da dupla que eu conheço. Uma coisa meio... garage? Será que tô inventando termo aqui? Pode ser... e se for... meu kool!
O T-empo Club Mix é mais acelerado e jogativo e dá pra ouvir enquanto você corre na esteira. Fika a dika. Ainda mantendo o clima academia, o Rated PG Club Mix é ainda mais acelerado (mais do que eu gosto) e mega recomendo pras bichas que fazem jump. A loka! Vão pular feito condenadas!

1 Bilus felizes:

Jiló disse...

Maddyrain, cadê a Mariah?

Alô?! Maddyrain chamando!

Você acaba de adentrar as entranhas do mundo de Maddyrain, uma profissional da "náiti guêi" de São Paulo que ama house music e decidiu fazer a boazinha e compartilhar parte de seu acervo musical.

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