Ruth ou Raquel?

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Meus amores, se a vida da biluzinha não é fácil hoje em dia, imaginem como era anos atrás. Mais precisamente uns quinze anos atrás. Como era antes disso eu juro que não quero saber porque tenho medo, viu? Não posso negar que várias coisas eram mais fáceis, mas o resto...
Quando chegava o momento de desaflorar, a quem a biluzinha recorria? Não existia internet como pensamos nela atualmente. Não tinha YouTube pra ela postar um vídeo toda phemynyna e irritada com quem lhe fez bullying na escola. Enfim, a biluzinha caía do galho e tinha que aprender a voar antes de chegar no chão.

Quando chegou a hora desta biluzinha que vos escrever sair do casulo e aceitar o fato de que era gay, só havia uma pessoa no mundo em quem eu confiava de corpo e alma. No entanto, mal sabia eu que esta pessoa era, na verdade, apaixonada por mim e tava disposta a tudo pra virar a mais desagradável das amigas.

RUTH OU RAQUEL?
EIS A QUESTÃO

Conheci Raquel quando ainda nem sonhava com sexualidade. Estudávamos juntos e morávamos perto, então rapidamente Raquel se tornou o arquétipo da melhor amiga. Brincávamos e colecionávamos tudo juntos. Assistíamos aos mesmos filmes e passávamos os finais de semana um na casa do outro jogando video game. Curiosamente, não tivemos nossa primeira experiência sexual juntos... ainda bem!
Enfim, os anos foram passando e Raquel se tornou cada vez mais a pessoa mais importante na minha vida e eu na vida dela. Mas, para mim, Raquel era e sempre seria apenas minha melhor amiga e confidente. Meu pai constumava brincar dizendo que nós iríamos acabar namorando e casando. Eu achava aquilo de uma petulância sem fim! Mesmo porque eu nem a achava bonita, pra começo de conversa! E, depois, lá no fundinho, eu já sabia que gostava de meninos, então... sorry, daddy. Não foi dessa vez!

Passamos praticamente toda a infância estudando juntos e até mudamos para a mesma escola. No ginásio, fazíamos os trabalhos juntos e estudávamos pras provas juntos. Nenhum de nós se destacava muito no quesito "inteligência escolar", mas enfim. No colegial... atual, o que? Ensino Médio? Meu kool, na minha época era colegial! No colegial, meus hormônios já estavam à flor da pele. Minha sexualidade lutava diariamente pra exalar de mim. Era a hora de sair do armário... nem que fosse para apenas uma pessoa e, obviamente, essa pessoa seria a Raquel.

Quando a convidei para passear no parque comigo e, assim, eu poder lhe contar sobre mim, eu já tinha começado a conhecer caras da internet, mas nada muito sério havia acontecido. Na verdade, Raquel havia sido a responsável por me apresentar à internet e suas possibilidades. Como eu não tinha um computador decente na época (e ainda não o tenho, mas abaphe the case), eu ia para sua casa desbravar a internet, pegar letras de músicas e bater papo nos chats do UOL.
Não sei como, mas eu sempre conseguia entrar num chat e achar alguém sem ela perceber. Ou ela percebia mas fazia a Kátia Cega. Chegou a um ponto em que eu PRECISAVA de um computador com internet em casa! Era algo imperativo! Já tava cansado de passar todas as tardes na casa da Raquel e torcer pra ela não perceber que entrávamos em chats gays.

Era uma tarde gostosa aquela em que passeamos pelo parque e eu procurava forças desesperadamente para contar à Raquel que eu, na verdade, era gay. Sentamos num banco, deitei a cabeça em seu colo e, chorando, disse-lhe a verdade. Nem sabia direito que reação esperar dela, mas ela foi, aparentemente, compreensiva. Disse que já imaginava algo assim (ah, vá!) e aproveitou para sair do armário também ao contar que sentia atração por meninas. Confesso que não esperava por aquela!
Maddyrain deu os primeiros passos em sua casa. Passávamos a tarde inteira trancados em seu quarto ouvindo Madonna e eu dublando para ela. Era minha fã número um! O próximo passo foi começarmos a ir pra balada juntos. Ficamos sabendo de uma buatchi de lésbicas na região de Pinheiros, a finada Ipsis Club. Nossa diversão eram as matinês aos domingos e dar o perdido no pai dela.

Aliás, os pais da Raquel merecem menção honrosa aqui. A mãe, a quem eu sempre gostei muito e a achava super divertida, acabou se tornando uma mocreia sem igual. A graça para ela era falar mal de mim pelas minhas costas. Que eu andava rebolando. Que eu era assim e assado. Quando soube de tudo pela própria Raquel, que me contou com certo tom de triunfo, fiquei muito chateado. 
O pai, que por sinal levava toda a caravana de crianças pra escola, era um imbecil. Se achava a última Coca Cola gelada do deserto e a pessoa mais inteligente da face da Terra. Eu o achava uma das pessoas mais chatas que já tive o desprazer de conhecer.

Raquel sempre me pareceu uma menina à beira da depressão. Não era sorridente e não via a graça da vida. Quando íamos à buatchi juntos, pouco dançava e nunca arranjava alguém. Quando eu me atracava com alguém, olhava com desdém e vinha com uma crítica negativa na ponta da língua. Eu acabei por me acostumar com seu jeito desanimado e não ligava muito.
Pouco tempo depois, arranjei meu primeiro namorado e eu ouvia todo tipo de comentário maldoso vindo dela. Que ele era velho. Que estava apenas se aproveitando de mim. Onde já se viu? Eu era a realização de um fetiche. Minha paciência estava se esgotando e comecei a me importar com seu jeito de ser. Como eu já tinha outras amigas que sabiam de minha vida dúbia, eu não precisava conviver com a cara feia dela e isso se tornou mais evidente quando o colegial terminou e fomos pra faculdade. O destino fez com que estudássemos o primeiro ano na mesma faculdade, mas em cursos diferentes. Nossa amizade já não era mais a mesma e eu passei a contar cada vez menos da minha vida para ela.
Como ainda morávamos perto, quando eu não conseguia evitá-la no caminho até o ponto de ônibus, acabávamos voltando junto e eis que uma vez surgiu a seguinte conversa:

_ Bom, você sabe como você vai morrer, né?
_ Como assim?
_ Você vai acabar morrendo de AIDS um dia. Porque é assim que todos os gays morrem. - fiquei sem palavras. 
_ Raquel, eu espero que um dia você consiga refletir sobre toda essa merda que falou.

E foi a última vez que conversamos. Não lembro agora se ela sabia nessa época que meu pai era HIV positivo, mas minha decepção com ela era gigantesca. Certa vez, muitos anos atrás, nos esbarramos na rua. Ela com sua típica atitude blasé, como se houvesse me visto no dia anterior, perguntou como eu estava e nosso encontro se resumiu a isso.
Depois, nunca mais a vi. Tudo que sei dela é que acabou casando com um feirante (justo ela!) e teve um filho. Uma amiga nossa em comum da época da escola (e que também havia sido apaixonada por mim) me contou que Raquel sempre nutriu uma paixão muito grande por mim e que ficou muito abalada quando soube de mim. Abalada psicologicamente, né? Meu kool.

Hoje em dia, não posso dizer que sinto sua falta ou que tenho qualquer vontade de reatar algum contato com ela. Meu amô, eu precisaria de anos e mais anos de conversa para colocar em dia tudo que vivi desde então e eu me recuso a isso. Raquel foi muito importante numa época em que eu não tinha ninguém para poder me expressar como eu realmente era. Na verdade, o que mais lhe desejo é que ela tenha alguma vez refletido sobre seus preconceitos e tenha se tornado uma pessoa melhor.

Eu sei que eu me tornei.

[modo "Confissões de Absorvente" off.]

Little Bird

Album Edit
Single Mix
House of Gypsies Mix
House of Gypsies Radio Mix
House of Gypsies Vocal Mix
House of Gypsies Vocal Mix Edit
House of Gypsies Dub
House of Gypsies Bonus Beats
House of Todd Mix
House of Annie
Annie's Acapella
Tee's Freeze Mix
N'Joi Remix
Utah Saints Version


Little neca Maddyrain não gosta:
Pra mim é sempre uma delícia quando a Annie Lennox aparece aqui no meu blog, mas desta vez não vou ficar tecendo elogios ao seu visual e sua voz porque vocês já estão carecas de saber que eu a amo. Então vamos falar logo de "Little Bird"! A Album Edit é um pop adulto bem legal e básico. Embora o Single Mix não seja mega diferente, ele acrescenta coisas bem legais.
Não foi muita gente que colocou as mãozinhas em "Little Bird". Os principais remixes de hoje são do Todd Terry. O House of Gypsies Mix é um house bem comum e a batida cansa um pouco depois de certo tempo. O House of Gypsies Vocal Mix viu a luz do dia mais recentemente, já que era exclusivo dum promo raro. Ele é mais dançante e interessante. Devia ter sido a versão lançada no single! Os outros remixes do N'Joi e Utah Saints são COMPLETAMENTE dispensáveis.

8 Bilus felizes:

Anônimo disse...

Aim, adorei o bafão todo.
Nem preciso falar a quantidade de Raqueis desse mundo, e como a minha foi decisiva na minha descoberta e aceitação, mesmo que de uma forma ruim

Um beijo, querida.

Anônimo disse...

Oi Maddyrain,vc poderia postar Beyoncé.

Maddyrain disse...

Aim, fiquei curiosa pra saber qual foi a Raquel da sua vida, amore. Conta mais!

Anônimo, até vai rolar Beyoncé, mas nem é uma música tão conhecida assim... Mas teremos uma das Destiny's Child babadeira, serve?

Um beijo,
Maddyrain

Anônimo disse...

Maddie, querida, a senhora nunca deu devida atenção à diva luxo guéi do ghetto, Fergie.
Nunca se interessou por nada dela, ou os remixes vieram do bueiro mesmo?

Um beijo.

Washington Batista disse...

Oi Maddyrain!! Volte a falar de perfumes!! Eu comecei a colecionar e adoraria saber quais sao seus atuais preferidos!!
Bjs Bjs Bjs!!

Maddyrain disse...

Gato, a Fergie nunca apareceu... e nem irá aparecer... simplesmente pq eu a detesto. Fácil e simples assim!

Washington, já faz tempo que venho pensando em mais um post de perfumes. Preciso só achar um tópico interessante...

Beijos,
Maddyrain

Anônimo disse...

Olá!
Maddyrain, você lembra que há algum tempo contou sobre o início de sua coleção de cds?
Poderia pensar em outros posts do tipo, de artistas específicos. Obrigado.

Maddyrain disse...

Hmmm... obrigadjénha pela sugestão, amore. Eu acho que já devo ter feito parecido sobre a Madonna, que é quem eu tenho mais álbuns, mas não tenho certeza, viu...

Um beijo,
Maddyrain

Alô?! Maddyrain chamando!

Você acaba de adentrar as entranhas do mundo de Maddyrain, uma profissional da "náiti guêi" de São Paulo que ama house music e decidiu fazer a boazinha e compartilhar parte de seu acervo musical.

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