Ao vento...

Abri minha mala de viagem velha e surrada e o guarda-roupa. Comecei a tirar as roupas das gavetas e dos cabides e fui jogando tudo dentro da mala. Camisetas já desbotadas e com furinhos aqui e ali. Vestidos de qualidade duvidosa. Jeans que já couberam no passado e agora jaziam dentro do armário como meta a ser alcançada. Até as poucas coisas que Litta, Kilo e eu demos a elza na casa da falecida Roxxana Veludo foram pra dentro da mala.
Carreguei a mala pesada até a sala. Litta Walitta, sentada no sofá fazendo palavras cruzadas, só me olhava com o rabo do olho. Abri a janela e notei Litta prestes a levantar do sofá a qualquer movimento brusco meu. Calma amore, não vou me matar. Não agora que sou ryka! Peguei as roupas da mala e comecei a jogá-las pela janela. Voem, passarinhos! Eu não preciso mais de vocês! Sou ryka novamente! Jamais entrarei numa Marisa ou C&A de novo! Agora é só Calvin Klein pra cima! As roupas iam voando pelos ares do centro de São Paulo como pipas. As pessoas olhavam pra cima assustadas e ansiosas pra recolherem minhas sobras. Litta Walitta levantou-se do sofá e veio até a janela.

_ Você não pegou nada meu, né?
_ Naum. São só coisas minhas, mas pode ficar sossegada que a xente vai se jogar no JK Iguatemi e comprar um armário completamente novo pra senhora também.
_ Hmmm... bom, só depois que comprarmos tudo isso que você tá falando eu vou jogar minhas coisas fora. E enquanto esse dia não chega a senhora vai usar o que? Um saco de batatas enrolado no corpo?
_ Gata, eu não tenho problema em ficar nua... nem a senhora tem, por sinal... Amanhã mesmo vou comprar tudo novo.
_ Mal virou milionária de novo e já vai entrar em dívida no cartão? Típico...

Voltei ao quarto. Peguei um saco de lixo preto e joguei todos meus sapatos lá dentro. Aim, que vergonha dessas coisas, Donna Summer! Como pude deixar de usar Prada e Jimmy Choo!? Os sapatos e botas caiam na rua como bombas. O povo ia desviando dos saltos com medo e logo se jogavam ao chão para recolher o que era meu.
Fui até minha penteadeira e joguei meus vidros de perfume numa bacia e fui até a privada. O Boticário e Avon!? Nunca mais! Agora é só Chanel... Dior... Cartier! Litta apareceu na porta. 

_ Não joga tudo, viado! Guarda um pouco atrás do vaso pra espirrar quando alguém cagar no mundo! - alguém tocou a campainha - Vou atender. Guarda esse Floratta in Blue! Rita Linda! Que surpresa... agradável!
_ Vocês não vão adivinhar o que tava acontecendo lá fora! Eu tava voltando do culto, andando de boa na rua assim... pé após pé... quando de repente não me começou a chover roupa do céu!? Peguei umas camisetinhas lindas! Até calcinha e cueca tavam jogando! Tudo freado, é verdade, mas nada que uma boa cândida não resolva!
_ Ah! Adivinha quem tava jogando...
_ Ninguém tava jogando, Litta Walitta... Isso é coisa de Donna Summer, Rita! Que maravilha! Se eu soubesse também tinha ido lá embaixo pegar algumas coisas. - e lancei meu olhar mais mortífero para Litta Walitta - Mas que história é essa de culto, Rita Linda? Não vai me dizer que a senhora é uma vinhada evangélica!
_ Queridinha, tenho muitos defeitos, mas não pensar não é um deles! Onde já se viu... eu evangélica! Vou na igreja de uma travesti super espiritualizada chamada Charlotte Chandelle.
_ Charlotte Chandelle!? Xente, essa vinhada ainda tá viva?! Faz milênios que não ouço falar dela!
_ Então qualquer dia você vai comigo no culto! Sábado à noite tem show de sexo ao vivo! - e foi embora levando algumas das minhas coisas sem saber.
_ Posso saber o que a senhora tá tramando? Por que não contou pra ela que as coisas eram suas?
_ Porque você nunca sabe o dia de amanhã. Se tudo der errado eu sei que pelo menos posso pegar algumas camisetas de volto no andar de cima.

Fui pro quarto e me deitei na cama. Meu quarto nunca pareceu tão vazio sem minhas coisinhas espalhadas por ele. Mas amanhã mesmo tudo será diferente. Voltarei a usar roupas phynas, caras e chics. Quero me jogar na futilidade consumista com todo meu glamour! 
Olhei pra janela aberta e vi algo voando em minha direção. Era uma camiseta minha! Passou pela janela e deitou-se ao meu lado na cama como um presságio do que eu estaria por enfrentar. Aim, garai... Acho que eu devia ter guardado pelo menos algumas roupas no armário...

Um beijo,
Maddyrain

Can't Take that Away (Mariah's Theme)

Radio Edit
Morales Club Mix
Morales Club Mix Edit
Morales Revival Triumphant Mix
Morales Instrumental


Não tire essa rola de mim (Tema da Maddyrain):
Olha, eu sei que tenho lá o meu lado lamb e que adógo a Mariah Carey até certa altura do campeonato, mas quando é pra chamar a bunita de brega e cafona, eu sou uma das primeiras a se juntar ao coro, viu!? Embora eu goste de "Can't Take that Away", não posso negar que a música é de uma breguice danada! É só ouvir o Radio Edit pra sentir o dramalhão e escândalo bem característicos das baladjénhas da Mariah. Na época, eu até chorava com essa música! Abaphe the case geral!! Hoje em dia, quando vejo o clip, me mijo completamente de tanto rir!
A música original pode não ser lá aquelas coisas, mas os remixes do David Morales são dubalacubacu! O Morales Club Mix, que tocava horrores na época, é um dance club bem gostosinho, mas sem se jogar muito no classic house que a xente tanto gosta. Eu gosto mesmo do Morales Revival Triumphant Mix, que tem até vocais totalmente regravados! Não é mais dançante que o Club Mix, mas tem uma pegada doida com uma... o que... gaita?!... que me agrada muito mais! Recomendo! Se gostar, se jogue também o Morales Instrumental, que tá mais pra um dub com foco na parte dançante do Revival Triumphant. Um looshu!

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Alô?! Maddyrain chamando!

Você acaba de adentrar as entranhas do mundo de Maddyrain, uma profissional da "náiti guêi" de São Paulo que ama house music e decidiu fazer a boazinha e compartilhar parte de seu acervo musical.

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