Violência

Encontrei Fabinho das Bananas no mesmo lugar em que Charlotte Chandelle havia me encontrado semanas atrás, na esquina da Paulista com a Augusta. Ainda fantasiado de mendigo, ele fez sinal para que eu fosse até os escombros de um prédio e me estendeu um manto com capuz completamente sujo e fedido.

_ Gato, eu não vou usar isso, néam? Tá bom que não tomo banho já faz tempo, mas não vamos piorar a situação!
_ Você não quer ser reconhecida, quer? Acabou de sair do Conjunto Nacional e anda com um mendigo na rua? Seria muito suspeito. Veste logo e vamos pedir umas esmolas na Paulista. - olhei pra ele com os olhos esbugalhados. Já fiz muita coisa nesta vida: roubei, passei a gilete em que merecia e transei com irmãs travestis, mas pedir esmolas?!
_ Cumé?
_ Precisamos de dinheiro pra sobreviver, Maddyrain. Não somos que trabalham disfarçados aqui em cima. Revezamos os dias de mendigagem. Vai logo! - incrédula, vesti aquela capa e senti as garras pegajosas do fedor grudando em mim. Por Diana Ross, eu encontraria um balde com água no subterrâneo nem que fosse a última coisa que eu fizesse hoje! Devidamente vestida de mendiga, subimos até a Paulista pra pedir esmolas.
_ Como é que faz?
_ Vai me dizer que você NUNCA pediu esmola!
_ Nunca! Bom... não que eu me lembro... sabe... eu já andei muito drogada nesta vida... posso ter pedido, mas não lembro!
_ É só se aproximar, estender a mão e pedir dinheiro. Não tem mistério. - virei prum casal que vinha na minha direção. Me olharam com nojo e se afastaram mais pra esquerda. Fui atrás, com a mão estendida, parecendo um zumbi.
_ Uma esmola, pelo amor de Deus! Uma esmola, meu, por caridade!
_ Socorro, querido! Ele está vindo me tocar com a mão imunda!
_ Não tá imunda, naum! Não lavo desde ontem, é verdade, mas não tá mais suja que a sua!
_ E ele sabe falar! Sabe articular as ideias! Que curioso! Qual é o seu nome, filho?
_ Ale-ale-Alejandro.
_ Nome espanhol?
_ Sou gringo. Vim pra essa terra de ninguém sei lá eu como. E a esmola? Vai rolar? Só converso se me derem dinheiro.
_ Querido, vamos embora, por favor? Ele fede!
_ Não sou eu, naum! É a minha capa! Eu, felizmente, não sofro de maus odores. Confesso que a cueca fica um pouco suada, é verdade, mas nada que exale futum.
_ Curiosíssimo! Não sabia que os moradores da baixa Augusta soubessem se expressar tão bem! Aqui, tome esse dinheiro e compre alguma coisa de serventia pra você.
_ Ele vai gastar tudo com drogas! Eu tenho certeza!
_ Olha, eu bem que podia, mas da onde eu vim, tem bastante pó. Não tô precisando. Obrigadjénho, amore. - me aproximei de Fabinho das Bananas, que tava do outro lado da rua.
_ Conseguiu alguma coisa?
_ Isso aqui, mas não sei qual é o valor.
_ Nossa! É bastante! Sempre soube que você tinha um dom especial pra extorquir os outros.
_ Chupar não é meu único talento.

Voltei pro meu posto e continuei pedindo esmola. Quando cansava de ser simpática e diplomática, partia pra ignorância e ameaçava com uma faquinha imaginária que tava guardada debaixo do manto. Alguns cediam à pressão de meu fedor, outros corriam pra polícia. Eu fugia em direção à Augusta e voltava depois. No final, acabei me divertindo bastante. Entreguei todo o dinheiro ganho com o suor do meu talento nato pro Fabinho das Bananas. Ele ficou contente e disse que eu era um mendigo muito convincente.
Era noite e pedi pra passearmos um pouco pela rua juntos. O céu à noite era amarelado com longas faixas de holofotes que rondavam o céu e as ruas. Era a única iluminação, já que os postes eram meramente decorativos. A frequência na rua tinha diminuído bastante e outros tipos estranhos como nós se juntavam aqui e ali nas esquinas .

_ Você se lembra da primeira vez que me viu?
_ Claro! Foi na Ilha do Bororé... você roubou meu coração naquele momento... no meio daquelas bananas... Nossa, quanto tempo que não vejo e como uma banana!
_ Ué, compra na feira, gato!
_ Que feira, Maddyrain!? Isso é coisa do passado. Não existem mais frutas como antes. Só os mais ricos têm acesso às frutas.
_ Ai, que triste. Ainda bem que eu tenho a sua banana pra me divertir, néam? E você se lembra da última vez que me viu?
_ Foi no mesmo lugar. Depois que você levou aquele tiro, parte de mim morreu para sempre naquele dia junto com você.
_ O que aconteceu com meu corpo?
_ Desapareceu. Fizemos um enterro simbólico, mas nunca encontraram o cadáver de Maddyrain.
_ Eu sou um cadáver ambulante! Que horror! Ai que frio! Me abrace, Fabinho das Bananas. Me abrace como se não houvesse amanhã! - Fabinho me pegou em seus braços velhos e ainda fortes e me colocou dentro do seu manto. Nosso futum se misturando. Meu mau hálito misturando-se com o dele. Um horror.
_ É melhor não darmos mais pinta aqui em cima. Vamos voltar pra estação.
_ Ih! Olha só se não são dois mendigos viados? - olhei pra trás. Um grupo de cinco moleques andava atrás da xente. Vi que carregavam bastões e pedaços de madeira nas mãos. Meu edy fechou.
_ Vamos correr pra estação, Fabinho!
_ Não vão correr pra lugar nenhum, viadinho! - fomos cercados pelos cinco.
_ Por favor, deixem-nos passar. Ele é meu filho. Só me abraçou porque conseguimos bastante dinheiro hoje pedindo esmola. Por favor, não nos confundam com viados.
_ Conseguiram dinheiro, é? Então passa pra cá, velhote!
_ Tudo não, por favor. Precisamos comprar comida.
_ Passa tudo, velho surdo! - e deu uma cutucada forte com o bastão na barriga do Fabinho.
_ Fabinho!!
_ Ih, velhote! O seu filho é na verdade uma filhinha! - um dos moloques que tava atrás de nós me acertou um murro atrás da orelha. Fiquei zonza e cai no chão. O mundo girava. Outro veio e me chutou a barriga. Olhei pra cima, os olhos lacrimejando e gritei.
_ Por favor, na cara não! Na cara não! Na cara não!

O líder da gangue veio até mim e chutou minha boca e esmurrou meu nariz. Tudo ficou vermelho. Senti o sangue saindo pela boca. Olhei pro lado e vi Fabinho caindo no chão e tentando se defender enquanto o resto da gangue chutava ele em todos os cantos. Ele é só um velhinho agora! Não vai aguentar tanta gente em cima dele! Gritei o nome dele e pedi socorro pra qualquer um que estivesse passando na rua naquele momento, mas alguém sentou em cima de mim, pegou meu cabelo e meteu outro murro na minha cara. E mais outro. Fechei os olhos e senti outro murro. Não aguentei e desmaiei.

Love Sensation

A Tom Moulton Mix
A Tom Moulton 7" Mix (thanx to Jean Michel Devotion!)
Vocal Version
Rough Mix (thanx to DJ VYL!)
Acappella (thanx to DJ VYL!)
Unreleased Version
Special Dutch House Mix
The Ultimate Rave
Club Mix (thanx, honey!)
Radio Edit (thanx, honey!)
After Hours Mix (low quality...)
Special Todd Terry Extended 12" Remix
Special Todd Terry - Kenny Dope Extended 12" Dub Remix
Classic Ko-Mix (low quality...)
Oxford Boys Mix
(low quality...)
Freemasons Club Mix
Freemasons Radio Mix
Hi_Tack Burnin' Up Club Mix
Hi_Tack Burnin' Up Club Radio Edit
7th Heaven's Back to 45 Mix
7th Heaven's Back to 45 Radio Mix
Dead Stereo Remix
Dead Stereo Radio Remix
Doc Phatt Remix
Felix Baumgartner Remix


Sinta essa sensação de chupar meu edy:
Aim, cá estou pagando meu tributo à diva Loleatta Holloway que morreu algum tempo atrás. Uma verdadeira diva com essa voz potente dela, néam? Uma loucura! Eu acho que toda bilu da dancefloor tem que se jogar ao som de "Love Sensation", já que ela foi sampleada em milhares de outras músicas! 
Se joga no A Tom Moulton Mix que é a versão original! Uma coisa disco mega digna! O Vocal Version do arroz de festa Shep Pettibone não é mega diferente da versão original, mas é bem legal. Também não é algo voltado ao flash house básico dele (ufa!).
"Love Sensation" foi relançada algumas vezes ao longo dos anos, craro. Acho válido recomendar o Club Mix do Freddy Bastone. Um housezinho bem gostosinho e raro pragrai! Os remixes do Todd Terry são, provavelmente piratas, porque a qualidade é bem cagadinha.

Pra finalizar, a música foi relançada mais recentemente, em 2006, e ganhou remixes dos Freemasons, que remixaram até meus peidos perdidos na buatchi. O mais irritante é que o Freemasons Club Mix é legal e válido! Merece uma bateção de cabelón na buatchi! Aliás, praticamente todos esses remixes mais novos da música são bons. 
O 7th Heaven's Back to 45 Mix é uma gracinha e tem bastante elementos da versão original, mas atualizados. O Hi_Tack Burnin' Up Club Mix também é super dançante. Uma loucura! O Dead Stereo Remix segue a mesma linha electro house.

1 Bilus felizes:

Anônimo disse...

Não tenho o Bastone Club, mas tenho estes 2 aqui:
www8.zippyshare.com/v/46218824/file.html

Alô?! Maddyrain chamando!

Você acaba de adentrar as entranhas do mundo de Maddyrain, uma profissional da "náiti guêi" de São Paulo que ama house music e decidiu fazer a boazinha e compartilhar parte de seu acervo musical.

Filhos da Maddyrain

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