Lar doce lar

A estação Anhangabaú conseguia reunir tudo que havia de mais bonito no mundo. Localizada praticamente numa ilha rodeada de mijo e merda, a estação era povoada por mendigos deformados e xente diferenciada estranha e com cara de perigón. Ainda usando minha farda emprestada pelo defunto (e assassino) Fabinho das Bananas, o povo se afastava de mim com certo receio e raiva nos olhos. Nunca me senti tão poderosa. Só faltava um cetro pra eu me tornar a Rainha do Anhangabaú!
A plataforma de espera da estação era um grande abrigo fedido e sem qualquer fiscalização pelos guardas. Uma verdadeira terra de ninguém. O vagão chegou e entrei sozinha nele. Ninguém desembarcou e o medo e apreensão das pessoas dentro do metrô de que houvesse uma infestação de pobreza era tão grande que elas ficavam amontoadas tentando se proteger do perigo de fora. Quando me viram, ficaram ligeiramente mais confortáveis. Meus amores, eu sou mais perigosa que todos aqui reunidos!

Olhei o esquema com todas as estações que ainda restavam em São Paulo e vi que seria uma viagem longa até a Praça da Árvore. Fechei os olhos, cansada, e sonhei com a casa dos meus avós paternos. Passei pouco tempo da minha infância lá, mas aquele sobrado na Praça da Árvore me marcou muito. Sempre sonho que estou voltando para lá e lembro perfeitamente dos cômodos, dos detalhes da mobília... de como tudo era. A dika da Roxxana Veludo só podia se referir àquela casa.
Sonhei com a rua como ela costumava ser. Os sabradinhos germinados idênticos um ao lado do outro. A escadinha na entrada. A sala de estar com a tapeçaria de leões. A despensa debaixo da escada com os potes de arroz e feijão. A máquina de costura num dos cantos da sala de jantar. A cozinha com azulejos azul claro. O banheiro externo minúsculo com a cordinha para dar descarga. Os quartos no andar de cima. O guarda-roupas com cheiro de naftalina. Tudo ainda fresco na minha memória.

Acordei com alguém me cutucando. Era o motorista do metrô dizendo que havíamos chegado na estação final. Olhei a placa e vi que era a Praça da Árvore. O que aconteceu com o resto das estações? Não dá pra ir lá. Tá tudo dominado pela vegetação. Fiquei assustada, mas entendi o recado quando sai da estação. Um cheiro forte de grama acompanhava uma paisagem verde e até bonita. Árvores enormes haviam brotado do concreto e destruído os prédios e casas da região. O povo vivia que nem macaco, pulando entre os galhos. No solo, uma grama verde escura com manchas pretas. Tudo tóxico, óbvio!
Segui até a rua em que morei. Como o mato crescia numa velocidade absurda, as pessoas haviam deixado as casas pra trás, que haviam sido completamente devoradas pelo matagal. Aim, só falta a casa dos meus avós estar nessa condição! Como é que eu vou entrar no meio desse mato todo!?

O sobradinho ainda tava lá, resistindo bravamente às forças de uma natureza desregulada, mas o segundo andar havia sido destruído pelos anos. Os outros sobrados haviam sido apagados pela vegetação. Forcei o portão de ferro enferrujado e entrei na casa. Lá dentro estava escuro. As janelas haviam sido bloqueadas pelo mato. A única iluminação entrava pelo teto aberto.
Quando meus avós morreram, a casa foi vendida e virou um ponto comercial. Não havia, obviamente, mais nenhum resquício do passado lá, apenas as paredes. A despensa debaixo da escada agora abrigava um esqueleto perdido. Inhaím, tá boa? Quem será você? Você vem sempre aqui? Acho que sim, néam? A cozinha ainda tinha alguns poucos azulejos grudados na parede. Até agora, nada do meu caixão! Aliás, acho que nunca ouvi falar de alguém procurando o próprio caixão depois de morta! Sou pioneira em tanta coisa!

Olhei pra cima na escada principal da casa e vi que ainda restava o quarto dos meus avós, mas com a porta trancada. Subi pisando em degraus podres que se quebravam e abriam buracos que levavam a lugar nenhum. Girei a maçaneta. A porta tava trancada. Havia uma pichação nela.

You abandoned me. Love don't live here anymore.

Aim, Madonna! Chutei a porta com força que se quebrou em lascas grandes de madeira velha. O quarto tava intacto por dentro. O teto ainda estava miraculosamente conservado. Fui até a janela e deixei o sol e cheiro de mato entrarem. No meio do quarto, um caixão coberto por uma bandeira do arco-íris. Pensei em todas as bilus que haviam morrido por causa daquela bandeira. Olhei pro lado e vi um armário grande de madeira. Lá dentro encontrei tudo que talvez me resuma. Alguns dos meus frascos de perfume, pilhas de gibis... até a carcaça de um video game. Toquei tudo e senti a nostalgia no ar. Aim, que vontade de jogar um team deathmatch! Peguei um dos frascos de perfume e borrifei no pescoço. A fragrância já havia apodrecido há anos, mas não importava. Peguei um dos gibis, sentei no chão e virei as páginas como se nunca havia visto um gibi na vida.

Levantei-me e fui até o caixão. Joguei a bandeira no chão sem dó. O problema das pessoas é que elas carregam bandeiras de mais. Tudo precisa ser rotulado. Forcei a tampa do caixão e, sem grandes surpresas, não encontrei nada dentro, apenas uma caixinha preta com detalhes orientais. Te encontrei, sua danada!
Segurei ela na mão e lembrei dos abraços e risadas com minhas amigas Kilo Minhoca e Litta Walitta. Nunca quis tanto estar com quem eu gosto. Fechei os olhos e abri a caixinha. Um beijo pro futuro! Eu quero voltar ao meu presente!

Come on Home

Single Version
Extended Club Mix
Junior's Sound Factory Mix
Junior's Sound Factory Single Version
Instrumental (thanx to Cindi Loka!)

Factory Dub (thanx to Cindi Loka!)

Factory Dub - Short Version
Ruff Factory Dub
Dream Dub Beats
Techno Vox
Techno Vox Single Version
Techno Dub
Jungle Vox
Jungle Dub
Jungle Ragga Beats (thanx to Cindi Loka!)

Instrumental (thanx to Cindi Loka!)


Remember who you are...

Vem chupar meu edy aqui em casa:
Amores, é triste admitir, mas a carreira musical da Cyndi Lauper é uma das mais irregulares que eu já vi! No meio de singles ótimos, tem muita tranqueira. Isso sem comentar os álbuns da bunita, néam? Mas enfim... "Come on Home" é uma das inéditas da coletânia "Twelve Deadly Cyns". Peguem a Single Version pra conhecer.

A música não fez um sucesso absurdo em lugar nenhum do mundo, mas os remixes do Junior Vasquez MEGA arrombam edys despreparados! A bunita regravou os vocais tanto pro Extended Club Mix quanto pro Junior's Sound Factory Mix. O primeiro é uma versão club básica com a cara dos remixes do Vasquez nos anos 90. Já o Sound Factory Mix, meu amô... se prepare! O instrumental é praticamente o mesmo, mas os vocais são mais sussurrados e as batidas mais pesadas. Isso sem contar na lendária frase "Dream drums... Cyndi Lauper"... Maravilhoso!
Os PÉSSIMOS remixes techno e jungle também são do Junior Vasquez, mas aposto que ele tava completamente dopado quando os fez. Ignorem.

1 Bilus felizes:

Unknown disse...

Como não amar?
Obrigado por repostar tudo, querida!

Alô?! Maddyrain chamando!

Você acaba de adentrar as entranhas do mundo de Maddyrain, uma profissional da "náiti guêi" de São Paulo que ama house music e decidiu fazer a boazinha e compartilhar parte de seu acervo musical.

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