Fugitiva

O elevador parou enquanto eu descia pro térreo completamente molhadinha de sangue e restinho de xente. Aim, que saco. Só falta ser a polícia! Uma madame carregando um micro mini poodle no colo havia chamado o elevador e me encarava totalmente passada. Abri o maior sorriso Colgate que eu podia criar no momento.

_ Inhaím?!
_ VIRGEM MARIA!
_ Volta aqui! Não adianta fugir, agora a senhora vai descer comigo até o térreo, meu amô.
_ Por favor, não me machuque! Não machuque a Filó.
_ Gata, eu sou inofensiva. - e sorri novamente, com o sangue escorrendo pelo rosto.

Quando chegamos no térreo, joguei a mulher pra minha frente e segurei ela com força contra meu corpo pra usá-la como escudo humano. Meus amores, são anos e mais anos de video game e Cidade Alerta na veia pra saber como ser uma criminosa de primeira. Os guardas que ficavam no térreo olharam com espanto.

_ É o seguinte, dois pontos e travessão, ninguém sem aproxima de mim, senão eu mato essa bunita aqui. Tão me entendendo? Eu sou travesti e sou perigosa! - mentira! Só podia matar a madame entuchando o edy dela de frutas! Os guardas sacaram as armas e miravam em nós três (contando a cachorra também). Uma voz no alto-falante disparou.
_ Atenção todas as unidades do Conjunto Nacional. Localizamos o paradeiro da criminosa Maddyrain. Ela se encontra no prédio e pode estar a caminho da saída principal. Sua última localização foi na cobertura do Ministro da Segurança Pública e há chances de ela ter cometido assassinato.
_ Amore, você tá mega desatualizado. Eu já tô na saída e, sim, eu cometi um assassinato.

Fui andando ainda com o escudo humano até a saída. Os guardas abriam caminho para eu passar. A madame chorava sem parar. Pensei nos calmantes da Litta Walitta. Eu tava tão alterada que um remédinho agora não ia mal.

_ Meu amô, não precisa borrar toda a maquiagem em cima de mim. Eu vou te soltar assim que passarmos pela porta.
_ Não me mata, pela Virgem Maria Santíssima!
_ Gata, eu não vou te matar... pela Diana Ross!

Assim que cruzamos a entrada, larguei a mulher pro lado e corri pela Avenida Paulista à noite. A rua já tava mais vazia e em pouco segundos os guardas do Conjunto Nacional sairam atrás de mim. Parada, Maddyrain, ou iremos atirar. Atirem no meu edy se puderem! Corri como uma condenada até a estação de metrô. Minha única esperança era fugir para o submundo. Atravessei a avenida sem me preocupar com os poucos carros velhos passando, mas como edy na mão de tanto medo de ser alvejada. Os disparos passavam raspando e estouravam no vidro da entrada da estação.

As poucas pessoas que ainda passavam pela rua ou andavam na estação se jogavam no chão com medo. Sai da frente, porrah! Não tá vendo que eu tô sendo perseguida! Pulei a catraca como uma marginal da Praça da Sé. Um vigia do metrô mandou eu parar e voltar. Se eu tivesse mais tempo juro que parava e abaixava a calça pra ele.
Os camelôs da plataforma ouviram os tiros descendo as escadas da estação e se escondiam entre as pilastras. Os tiros passavam zunindo e acertavam as paredes e barracas. Olhei pro relógio central. Aim, garai! Ainda não tá na hora do último trem! E agora, minha Diana Ross!? Virei pra trás e vi os guardas avançando na minha direção. Como viram que eu não tinha muito pra onde ir, pararam de atirar. Xente, eu devo ser muito importante mesmo. O final da plataforma tava chegando e a porta pro submundo tava ali, estática, sem esboçar a menor reação. Uma luz vinha do túnel. Era o próximo trem.

_ Maddyrain, parada em nome da lei! Você está presa por uma série de crimes contra a humanidade heterossexual.
_ Ah, meu kool pra vocês! Com fritas!

Pulei na frente do trem a tempo de me jogar contra a parede do túnel. Encostei na porta do submundo e esmurrei. Socorro! Tem alguém aí! Abra a porta pra mim! É a Maddyrain! Ninguém. Nada. Jesuis, depois que esse trem partir, não terei pra onde ir! Até nervosa eu faço rimas! Os guardas se alinharam na plataforma e começaram a disparar na minha direção. O povo começou a gritar e entrar e pânico enquanto os tiros rasgavam as paredes de metal do vagão. Me joguei no chão e continuei batendo na porta. Socorro, garai! O trem já tava pra partir e decidi me levantar. Se é pra morrer, morrerei com dignidade que sempre me foi negada!
De repente, não mais que de repente, enquanto o trem parado começava a se movimentar e a luz da plataforma iluminava novamente o túnel, a porta do submundo foi aberta e uma mão me puxou pra dentro. No escuro do túnel, eu podia ouvir os tiros tentando penetrar no metal reforçado da porta fechada atrás de mim. Diana Ross existe! Eu tô salva, meu amô!

Catch the Light

Vission & Lorimer Klub
Vission & Lorimer Underground Goodie
Urban Groove Mix
Todd Terry's "M&T" Radio Mix
Tee's Freeze Mix
Tee's Radio
Tee's Acapella (low quality...)
Sound Factory Club Mix
Sound Factory Radio Mix
Brian Bristol Eclipse Mix
Jason's Full Monty Club Mix

Bad Boy Bill Vocal Mix
Sharp "Master Blaster" Mix
Oracles Vocal Mix


Shining in the ecstasy...

Chupa meu edy que brilha:
Aim, como eu gosto dessa mulher! Jesuis! Quando eu renascer, quero vir como a Martha Wash, só que mais magra e mais bonita. Mas com essa voz, posso? Quero abrir a boca Royal e, além de pagar um kétji perfeito, cantar como a Martha Wash! E como gosto de "Catch the Light"! É uma graça, meus amores!
 
Vamos começar a jogação nos remixes com o Tee's Freeze Mix, que não têm nada de muito diferente de tudo que o Todd Terry fez antes. Se você pegar as batidas dele, dá pra colocar em um monte de outros remixes feitos por ele. Uma loucura de criatividade!
Não tenho a menor ideia de quem fez o Urban Groove Mix, mas ele é uma graça! O comecinho basicamente acapella é maravilhoso e, felizmente, não é aquele r'n'b sem inspiração que o nome sugere. Muito pelo contrário! Um house super bonitinho! 

O melhor remix de hoje é, sem dúvidas, o Sound Factory Club Mix (que não é do Junior Vasquez, apesar do nome)! Simplesmente maravilhoso e pura bateção de cabelón na buatchi! Um dance super gostoso e mega club diva! Aqueles gritinhos "Gotta feel alright!" ad infinitum me deixam loka do meu respectivo kool!
O remix do Brian Bristol tentou pegar um monte de coisa e engolir tudo ao mesmo tempo. Resultado: ficou uma merdinha. O Jason's Full Monty Club Mix, do Jason Nevins no comecinho da carreira, é bem diferente do estilo que ele viria a fazer anos depois. É um dance gostoso e animado. Recomendado! Os outros remixes não são bons e nem merecem nota, principalmente aquela merda drum'n'bass (ou algo do tipo) do Oracles. Jesuis, Martha Wash merecia mais do que isso!

Maddyrain não tem, Maddyrain quer:
Aim, xente, já rodei mundos e fundos atrás destes remixes, mas nunca encontrei nenhum! Será que alguma alma caridosa e colecionadora de LPs promocionais pode me ajudar? Um beijo.

tee's inhouse mix 6:14

jason nevins mix
bad boy bill instrumental 6:09
sharp "master blaster" instrumental
oracles dub

0 Bilus felizes:

Alô?! Maddyrain chamando!

Você acaba de adentrar as entranhas do mundo de Maddyrain, uma profissional da "náiti guêi" de São Paulo que ama house music e decidiu fazer a boazinha e compartilhar parte de seu acervo musical.

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