Abraços unidos

Chega uma hora na balada que as pernas vão ficando cansadas, só toca música chata, as amiguêis estão todas se pegando e a gente começa a revirar a buatchi em busca de um lugar pra sentar ou uma parede desocupada pra encostar. Pode bem ser a idade, mas essa chega pra todos. Eu prefiro achar que foi um dia mal planejado. Sim, porque se eu não tirar meu sono da beleza, a noite super acaba mais cedo. No final das contas, é a idade mesmo.

Outra noite, a gente tava encostada na parede fazendo aquele carão terrível e insuportável que só as laranjas mais azedas do caixote conseguem fazer. O povo olha de longe e, perante tal carranca, precisa ser muito corajoso pra se aproximar. Nesses momentos em que vodka tá explodindo na cabeça e misturando-se com o mau humor, a gente gosta de analisar o ambiente. E sempre encontramos coisas que renderiam verdadeiros tratados da Psicologia.
Começamos a observar os casais espalhados pela região do bar e ficamos pensando quais realmente eram casais e quais eram apenas pegações da noite. Difícil discernir. No escuro, todo gato é pardo. Primeiro ficamos prestando atenção num casal de bophys carecas de corpos interessantes e rostos vagamente atraentes. Esses deviam ser casais de alguns outros finais de semana. Não se desgrudavam, mas sem beijos exagerados. Apenas se abraçavam e compartilhavam o olhar. Um buscava a atenção do outro.

Do nosso lado, um casal recém-formado se amassava e trocava aquela conversa infinitamente chata de ficadas. Trocavam elogios e um buscava no outro uma resposta positiva. Nesse momento, todo mundo é perfeito, sem afetações ou manias intragáveis. No desespero para agradar, todo mundo aprende a atuar, cantar e dançar. Um poço de talentos. 
A gente ficou pensando se algum dos dois estava realmente acreditando naquele papo de aranha. Será algum ligaria pro outro no dia seguinte. E o nome? Será que trocaram número de celular e nome certos? Ou foi tudo uma grande perda de tempo?

Às vezes, pra preservar o que mais estimamos, acabamos fazendo acordos que, vez ou outra, nos arrependemos. Sendo assim, combinamos que, para evitar possíveis dores de cabeça, nós sairíamos pra balada sozinhos. Mas, naquele momento, enquanto olhávamos pra todos aqueles casais amando-se de verdade ou ensaiando e fingindo o sentimento, nossa vontade era voar pro braço de quem amamos, cavar um lugarzinho na sua cama e ficarmos aninhados até a eternidade.

O que é que buscamos nos outros quando estamos disponíveis no mercado? Alguém que nos entenda... quando nem mesmo nós nos entendemos por completo? Que nos aceite como somos, com toda aquela bagagem de defeitos e manias, quando somos incapazes de aceitar os outros? Buscamos alguém que viva uma utopia com a gente? Para passearmos juntos pelo bosque, de mãos dadas, conversando sobre filosofia e literatura?
Buscamos tantas coisas... Uns buscam um corpo perfeito, com pau duro e gostoso e espaço vago onde deveria ficar o cérebro. Outros buscam um pupilo; uma tabula rasa para receber suas influências e pontos de vista.

E então, enquanto a vodka evaporava no ar e a lágrima secava, entendemos o que sempre procuramos: alguém que nos receba de braços aberto, mesmo durante o pior porre. Que acredite em nosso poder de perdoar e mudar... enfim, de adaptar-se. Alguém que nos abrace com força e carinho enquanto o mundo lá fora desmorona.

Alguém como você.

Um beijo.
Nosso.

Rock Me Gently

Single Mix
Extended
Demo
Union Street Acoustic Version
Live in Nashville
Phil Kelsey Mix
A Combination of Special Events
Bamboo
Out of the Moon


Meu edy é frágil. Chupe com cuidado:
Aim, acho que pouca xente conhece "Rock Me Gently" aqui, mas gosto muito dessa música. Acho tão dramática! Tão bonita! Se joguem no Single Mix pra curtirem também, mas adianto que o que me faz molhar toda a calcinha e o sutiã é a versão Extended. Dez minutos de puro drama com uns vocais lokos que parecem um sei lá o que... seria uma baleia?! Antes de irmos pros remixes, acho válido citar a versão acústica do álbum Union Street. Muito linda também!

Bom, os remixes de "Rock Me Gently" deixam bastante a desejar. O único verdadeiramente digno de nota é o Phil Kelsey Mix, que é uma versão dance que desmonta a original por inteiro. Na verdade, não tem quase nada da original, só alguns pouquíssimos vocais.
O restante dos remixes é muito esquisito! Esse A Combination of Special Events foi feito com a versão demo de "Rock Me Gently" e é o mais tragável, mas não deixa de ser estranho. Como eu sei que grande maioria dos meus leitores é freak, aposto que tem quem vai gostar!

1 Bilus felizes:

Maryna Lira disse...

Maddy, esse post foi realmente perfeito. Adoro suas postagens. A do perfume me esclareceu muito, kkkk. Em relação ao que você disse eu concordo bastante. No fundo o que queremos é simplesmente alguém que nos aceite com nossos erros, acertos e dúvidas. Alguém que não queira partir no dia seguinte. Enquanto isso a gente vai engolindo essas lágrimas. Tenho um blog onde escrevo sobre minhas particularidades, te convido a dar uma olhada :) Beijos! http://www.historiasalergicas.blogspot.com.br/

Alô?! Maddyrain chamando!

Você acaba de adentrar as entranhas do mundo de Maddyrain, uma profissional da "náiti guêi" de São Paulo que ama house music e decidiu fazer a boazinha e compartilhar parte de seu acervo musical.

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