De festas

Eu conheço uma mulher-bicha que é a definição do termo "party animal". Aliás, tem uma fotinha dela no Aurélio ilustrado.

party animal
[pári énimou] adj 1 Pessoa que não sai de festas de segunda a domingo, sai de uma já com convite pra próxima, geralmente drogada ou bêbada. Não recusa nenhum tipo de comemoração, de batizados, passando por velórios e confraternização de ex-alunos. 2 Amiga (que não será mencionada) da Maddyrain.

Numa época em que eu andava de pá virada pro mundinho de balada, achava essa mulher-bicha a pessoa mais fútil da face da Terra. Como é que pode achar que a vida é festa todo dia?! Na verdade, meus amores, eu admito: era pura inveja minha. Quisera eu pular de festa em festa que nem pulo de cama em cama.
Quando comecei minha trajetória em rumo ao estrelato na vida noturna guêi de São Paulo, costumava sair às sextas e no domingo. Detalhe: ia pra mesma buatchi nos dois dias. O resultado veio rápido: eu não aguentava mais encontrar as mesmas pessoas. Não dava mais pra passar números de telefone errados. Esbarrava em ex-ficantes. Enfim, aquela coisa chata. O pior de tudo era me controlar pra não cometer qualquer bafão e virar carta marcada entre os seguranças e a tiazinha da limpeza. Felizmente, quando fui descoberta no banheiro pagando um kétji, eu já tinha saído dessa vida e atuava no low profile.

Comecei a me dedicar, então, aos sábados. Nunca fui de sair pra mostrar os têtês nas buatchis durante a semana. Fico toda arrepiada só de pensar no povo batendo o cabelón em plena terça-feira. Esse povo não trabalha!? Não acorda cedo!? Não tem religião!? Já emendei muita balada com trabalho só na base do energético e outros narcóticos vendidos em qualquer farmácia, mas não tenho mais idade pra isso, meus amores! Pra ser bem franca, se não passo a tarde dormindo, eu realmente não garanto minha presença na dancefloor à noite...
Acho que meu ápice como party animal foi na época em que eu, Litta Walitta e Kilo Minhoca andávamos em bando com outra caralhada de vinhados e mulheres-bichas. Todo mundo combinava de se encontrar nas catracas do metrô Consolação e descia espalhando purpurina até qualquer bar nas redondezas da balada pra calibrar os motores com muita vodka e Coca. Nessa mesma época, minha falecida amiga Shitnew Houston sempre arranjava alguma festinha mais intimista ou reuniãozinha pra durante a semana. Eu saia da faculdade e encontrava a bunita na Paulista, sem destino fixo. Só sabia que tocaria Madonna ou Kylie Minogue no carro e o baseado estaria liberado.

Chegava em casa pra lá de Bagdá, deitava na cama, via o mundo girar e rezava pra pegar no sono antes de morrer afogada no meu próprio vômito. Acordava horas depois com o maior porre do mundo, andava pelas ruas achando que eu havia sido abduzida durante a noite e transformada num mutante dos X-Men. Eu jurava que podia ler mentes... Acho que vivi meus causos mais lokos do meu respectivo edy nessa época. Olho pra trás e sinto muita falta, mas fico tão feliz por ter vivido tudo isso. Penso em quem viu o tempo passar e não tem absolutamente nenhuma história engraçada ou interessante pra contar. Acho tão triste! Deprimente.

Hoje em dia, há momentos em que eu queria reviver meus dias de glória como party animal; me jogar na buatchi sexta, dormir o sábado inteiro e sair pra próxima balada horas depois. Voltar só no domingo, completamente bêbada e dormir abrançando a privada. Mas, sei lá... vou parecer a tiazinha mais velha, careta e quadrada do recinto... mas eu realmente já vivi tudo isso e agora tenho outras questões com que me ocupar. Tem dias em que a minha cama tá tão gostosa e aconchegante. Isso sem contar os dias em que a compania em casa é mil vezes melhor do que todas as pessoas da balada juntas.

E só agora que consigo olhar pra trás e reencontrar a figura da minha amiga party animal e entendê-la perfeitamente. É na festa que a gente espera encontrar a fuga de tudo aquilo que nos chateia durante o dia. Algumas pessoas precisam de festas ou baladas todos os dias pra encontrar o equilíbrio da vida. Outras precisam dormir horas antes de sair pra casa das amigas, beber e conversar sem parar, ver a hora passar, dar risada e perguntar Como é que o tempo passou tão rápido!?, continuar bebendo e dizer Na próxima vez, a xente bebe só um pouquinho e sai lúcida mesmo! Felizmente, há sempre uma próxima vez...

Um beijo,
Maddyrain
Queer

Radio Edit
Rabbit in the Moon Hefty Mix
Rabbit in the Moon Mix
F.T.F.O.I. Mix
Danny Saber Mix
The Most Beautiful Woman in Town Mix
The Very Queer Dub-Bin Version

You can touch me if you want...

Vinhado chupando edy de vinhado:
Atendendo a pedidos... bom, na verdade, apenas um pedido... eis que uma de minhas bandas favoritas de meus tempos perdidos, o Garbage, ressurge aqui no blog! "Queer" foi single do primeiro álbum da banda e tem toda a pegada rock que prevalece no disco inteiro. Se joguem no Radio Edit pra liberar a diva rock que há em você!
Como era de se esperar pros singles desse primeiro momento do Garbage, os remixes são poucos e bem ruins. A grande maioria segue a linha rock da versão original, mas se jogando em caminhos mais alternativos que SUPER não fazem a minha cabeça. Estão aí pras completistas de plantão. O único remix que a xente vai salvar da fogueira é o Rabbit in the Moon Hefty Mix, que é uma versão dançante bem gostosa e jogativa com ares de dub, do jeitinho que eu gosto. Super recomendado!

0 Bilus felizes:

Alô?! Maddyrain chamando!

Você acaba de adentrar as entranhas do mundo de Maddyrain, uma profissional da "náiti guêi" de São Paulo que ama house music e decidiu fazer a boazinha e compartilhar parte de seu acervo musical.

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