Tiro ao alvo - Parte 2

Levantei e fui atrás do Fabinho das Bananas. Ele andava sério e apressado. Assassino! Assassino de travestis!

_ Fabinho! Vem cá! Vem cá!
_ Maddyrain! Que bom que você veio. Quero te pedir uma coisa...
_ Eu também! Por favor, não cometa nenhuma burrice! Não faça nada que você vá se arrepender no futuro.
_ Futuro? O que sabe você sobre o futuro.
_ Mais do que você imagina, gato!
_ Maddyrain, não suba no palco por nada nesta vida. Eu sei que você gosta de um holofote, mas fique escondida na plateia e me promete que pensará em mim sempre com carinho, não importa o que aconteça. Você promete?
_ Fabinho, você tá me assustando! Eu não quero que você mate ninguém!
_ O que você tá falando? Veio drogada? - puxei aquele bophy mais gostoso impossível pra perto de mim, peguei na neca dele (só pra não perder o costume) e sussurrei em seu ouvido.
_ Não mate Roxxana Veludo. Por favor.

Me afastei e voltei pro meu lugar ao lado de Litta Walitta e Kilo Minhoca sem prometer meu carinho eterno pro Fabinho. As duas falavam algo sobre a decoração do lugar, mas meus pensamentos estavam em outro lugar. Da onde será que ele vai atirar? Será que vão descobrir que ele é o assassino? A equipe de divulgação da nova Ilha do Sexo passou entregando um folder contando sobre a reforma da ilha e os principais atrativos do local e eu voltei à realidade. Quando finalmente encontrei meus óculos na minha bolsinha Kinder Ovo, repleta de surpresa, as luzes foram apagadas e meu coração acelerou.

Um show de luzes começou a percorrer o palco armado. Um DJ qualquer tirado de uma buatchi do Centrão saiu do meio duma nuvem de gelo seco e começou a tocar os principais drag hits do momento. Senti falta do bom house nosso de todo dia. Uns gogo boys gostosos e com enchimento na cueca começaram a dançar e sensualizar. Pra agradar as poucas rachinhas no local e chocar a maioria, gogo girls com pinta de periguétji também pularam no palco e balançavam os têtês pra lá e pra cá. Kilo Minhoca já tava de pé batendo o cabelo e arriscando a dublagem. Litta Walitta foi mais pra perto do palco pra observar a carne exposta. Tentei gritar pra ela não subir no palco, mas ela não escutou. Uma voz no alto-falante anunciou a chegada de Roxxana Veludo.

_ E agora, o momento mais importante da noite. Ela, a maior celebridade gay da cidade de São Paulo, a primeira travesti a ficar famosa e rica no Brasil! Roxxana Veludo! - o públicou vibrou. Kilo Minhoca pulou da cadeira e começou a bater palmas. Olhou pro lado e dei de ombros. Continuou batendo palmas como se Roxxana Veludo realmente fosse alguém legal. Fiquei com ciúmes e acabaria com a raça de Kilo ali, naquela hora, se eu estivesse animada. Roxxana Veludou subiu ao palco carregada por alguns gogo boys vestida de Cleópatra.
_ Inhaim, meus amores! Tão vendo o meu modelito desta noite? Eu COMPREI após a morte de Liz Taylor, meus amores! Imaginem quanto custou! Mas não foi tanto quanto eu gastei pra reconstruir essa ilha de ninguém até então conhecida como Ilha do Bororé! Eu vou colocar a Ilha do Bororé nos anais de todo mundo! E todo mundo vai botar nos anais na minha Ilha do Sexo!
PALMAS.
_ Obrigada! Obrigada! Meu sonho em criar um local destinado ao culto ao sexo não é de hoje. Vocês podem dizer "Ah... ela podia abrir um puteiro de looshu no Centro de São Paulo". Mas um puteiro é muito pouco pra putaria que eu quero na minha Ilha do Sexo! Eu quero séquiso 24 horas por dia, 7 dias por semana!
MAIS PALMAS
_ E minha Ilha do Sexo será uma pequena ilha-nação sexual livre de tabus e preconceitos! Todos serão bem aceitos aqui, sem sofrer qualquer tipo de humilhação! Teremos áreas para gays, lésbicas, simpatizantes, heteros, curiosos, travestis... enfim... todos os tipos sexuais! Só não admitirei pedofilia e zoofilia por aqui, mas de resto, meus amores... vocês que cuidem de vossos respectivos kools!
PALMAS E ROXXANA VELUDO É OVACIONADA
_ Antes de iniciarmos um passeio pela ilha, vou me abrir pra imprensa! Podem devorar meu corpo, seus safadinhos! - a bunita abriu o vestido e ficou pelada na frente de todo mundo. Fiquei Bélgica. Eu tinha esquecido desse detalhe! E lá estavam nós duas, passando o frio da Ilha do Bororé! Vários jornalistas levantaram a mão pra fazer perguntas - Vou começar pelos mais gostosos! Você! Pode perguntar, meu amô.
_ Roxxana Veludo, sou da revista G Magazine! Você voltará à sua vida sexual na Ilha do Sexo? Voltará a fazer programa?
_ Meu amô, você acha mesmo que eu não vou querer aquendar umas necas gostosas aqui na minha ilha? Tá boa!
_ Roxxana, sou da revista Veja o meu Kool. Você pretende punir de que forma o preconceito em sua ilha?
_ Gata, a xente tá numa ilha. Vou colocar neguinho pra nadar se rolar preconceito. Minha ilha conta com os melhores seguranças de São Paulo. Nada de gorila em terno da Dorinho's, não! Aqui só tem segurança com Armani!
_ Mme. Veludo, meu nome é Arnaldo Jaboticaba da revista Kools. Como você encara o retorno de sua grande rival na noite de São Paulo, Maddyrain?
_ E ela voltou, meu amô? Quem é que te contou isso?
_ Ela foi vista na fila para a balsa.
_ Você deve estar equivocado, meu kérido. Mas eu desafio então essa tal de Maddyrain a vir aqui em cima! - fiquei encolhida na minha cadeira. O povo revirava a cabeça tentando encontrar a tal Maddyrain.
_ Maddie, não liga pra ela. Deixa ela falar. Ela tem inveja de você.
_ Gata, eu não levanto daqui nem se o Brad Pitt mais moço estivesse lá em cima me chamando pra eu chupar a neca dele!
_ E então? Cadê a Maddyrain? Maddyrain... uhuuuu. Cadê você? Eu não te falei, meu amô. Maddyrain não existe mais. Próxima pergunta, por favor.

Meu coração parecia que ia pular pra fora do meu ser escultural. Olhei ao redor tentando achar o Fabinho, mas a luz refletida do palco não ajudava em nada. Pensei em levantar, chamar a atenção da Roxxana Veludo e tirá-la lá de cima, mas preferi ficar na minha. Lembrei do submundo gay nos túneis do metrô e da vida precária lá embaixo. Lembrei das mortes violentas de Litta Walitta, Kilo Minhoca e Fabinho das Bananas. Pensei no que a Roxxana Veludo do futuro estaria fazendo naquele exato momento. Percebi uma luz fina e vermelha brilhando na direção de Roxxana. Senti um alívio no peito e fechei os olhos enquanto uma comoção geral tomava conta do lugar. Pronto... está feito!

Trick Me

Club Mix
Radio Mix
Instrumental
Acapella
Mac & Toolz Extended Remix
Mac & Toolz Extended Dub
Mac & Toolz Radio Edit
Mac & Toolz Radio Dub
E-Smoove House Trick
E-Smoove House Trick Mix Show Edit
E-Smoove House Trick Edit
Artificial Intelligence Remix
Artificial Intelligence Dub
Tiefschwarz Special Trick Remix
Adam Freeland Remix
Jaxxbackclash Rerub
Knee Deep Remix
Tommie Sunshine Remix

Freedom to u has always been whoever landed on your dick...

É difícil, mas vem chupar meu edy:
Estreia tardia, eu sei, da Kelis aqui no blog. Na verdade, o post de hoje é basicamente pra compartilhar apenas UM remix. A loka. É que eu gosto tanto dele que acho válido meus leitores conhecerem também! "Trick Me" é aquele r'n'b básico que não faz a cabeça de toda bilu. Tem que ter um certo gueto feelings na veia.
Se jogue no Club Mix, que é a versão dirty da música. Enfim, não é nada que você já não tenha ouvido antes por aí. As mais ligadas do recinto pegarão a referência a "West End Girls" dos Pet Shop Boys. Fika a dika.

O melhor remix de hoje é, sem dúvidas, o E-Smoove House Trick! Um dance SUPER gostoso e babadeiro. O E-Smoove conseguiu recriar a música e deixá-la melhor que a original! Uma ahazzo!
Já o restante, meu amô... ah, o restante... Bom, vamos ver o que dá pra salvar da fogueira. Tem de tudo no resto, até drum'n'bass! Como não é minha praia, BUEIRO! O electro do Tiefschwarz nunca fez minha cabeça, então BUEIRO também. O Adam Freeland Remix tem uma pegada dance da selva que poderá agradar alguns. O Jaxxbackclash Rerub do Basement Jaxx é parecido com o remix do E-Smoove. Na verdade, desconfio que ele seja piratão. Aim, amores, essas são as indicações de hoje! Fiquem com o E-Smoove House Trick e sejam felizes!

1 Bilus felizes:

Blah blah blah disse...

Ótimo! Querida vc teria os remixes de Milkshake? Please! =)

Alô?! Maddyrain chamando!

Você acaba de adentrar as entranhas do mundo de Maddyrain, uma profissional da "náiti guêi" de São Paulo que ama house music e decidiu fazer a boazinha e compartilhar parte de seu acervo musical.

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