O fim do mundo

Sempre achei, desde pequena... acreditem, que este mundo em que vivemos deve ser apenas um numa esteira de outros mundos e realidades feitas com escolhas diferentes que tomamos em algum momento de nossa vida. Por exemplo, se você marca um encontro com um bophy da Internet, mas decide não ir na última hora, sua vida continua como se nada fosse, mas em outra realidade... em outro mundo... você foi ao encontro e conheceu o grande amor de sua vida, vivem felizes e constituíram família. Ou então, nesse mesmo encontro, você teve a pior foda ever e voltou pra casa desacreditado do mundo das passivas e decidiu virar ativo. Enfim... tudo pode acontecer de acordo com as escolhas que tomamos diariamente, mas, na verdade, a xente nunca vai saber o que aconteceria se...

Eu passei a pensar nisso e criar hipóteses quando comecei a desenvolver um verdadeiro talento para déjà vus. Sabem aquela sensação de já estive aqui, isso já aconteceu, já conheço essa pessoa (mas não sei de onde)? Então... Tentei criar uma técnica macabra e oculta de distanciamento da minha realidade e tentar, assim, controlar o déjà vu. Vivenciá-lo sabendo já de antemão o que aconteceria. Uma loucura sem fim e, acreditem, isso tudo foi bem antes dos narcóticos proibidos por leis brasileiras entrarem na minha vida. Hoje em dia, depois de velha, são poucos os déjá vus. Ou minha vida se tornou MEGA previsível ou o padê realmente afeta o cérebro do ser humano.

Quando voltei ao presente e pude destruir a linha temporal... ou a realidade... criada com minha morte, me senti uma divindade soberana e absoluta. Um mundo tava completamente nas minhas mãos. E vejam só que engraçado... o grande agente catalisador disso tudo era justamente alguém criada numa realidade também alternativa... Roxxana Veludo.
Meu amô, o meu blog é uma mega novela global com dois anos de idade. Já vivi tanta coisa! Já fui pro passado, pro futuro, pro inferno e pro céu. Qualquer dia, quando você não tiver absolutamente nada de mais importante pra fazer, revira o meu baú. Tem muita bobagem, eu sei, mas, modéstia à parte, tem muita coisa também, tzá?! Pra entender tudo isso, não bastaria um resumão by Maddyrain...

Quando os olhos de Roxxana Veludo se perderam na eternidade desconhecida, não pude deixar de pensar no que aconteceria com o futuro em que eu havia passeado. Será que ele simplesmente deixaria de existir? E todas as pessoas que lá viviam? Não tive tempo pra voltar ao submundo nos túneis de metrô, então não sei como se desenrolou a guerra entre a polícia e a bicharada. Será que alguém sobreviveu? Será que a população guêi tava ainda menor? O que será que aconteceu com aquele futuro depois que eu decidi sobreviver?

...

Roxxana Veludo encarava os tijolos de cimento escuros de sua cela perdida em pensamentos. Sua chance de ser morta e, assim, aliviada de tanta dor e humilhação havia escapado junto com Maddyrain. Parte de sua consciência dizia que ela voltaria na calada da noite para matá-la. Outra parte insistia para que ela continuasse cavando o chão de concreto da cela. Se ela continuasse não comendo a ração diária, conseguiria escapar pelo túnel estreito que a levaria de volta para a civilização.
Ouviu um barulho distante. Algo como uma explosão. Uma explosão imersa no silêncio. Levantou-se do chão molhado e encardido e foi até as barras da cela tentar enxergar o que acontecia lá fora. Não ouvia gritos ou vozes. Sentiu um vento forte vindo do corredor, como se houvessem aberto uma clareira no Teatro Municipal. Espantada, olhou as paredes da sua cela desaparecendo aos poucos. Tijolo por tijolo se desfazendo no ar, dando espaço à paisagem do lado de fora. Via o Viaduto do Chá com toda sua decadência e começou a chorar. Nem lembrava mais como era o lado de fora do Teatro.

Percebeu, então, o que havia acontecido. Ela com certeza havia morrido em algum lugar do passado. Olhou pro pés e viu que eles também iam desaparecendo. Uma onda de calafrio subiu pelo seu corpo acompanhada pelo vazio de se perder no vácuo. Olhou para as mãos e viu cada dedo seu virar ar. Olhou o infinito e pensou:

_ Eu tenho toda uma vida para viver...

E deixou de existir.

Naquele mesmo exato instante, nas ruínas do que havia sido a Tunnel, dois fantasmas travestis dançavam nos escombros. Litta Walitta e Kilo Minhoca viam o mundo se desfazendo e riam. Se abraçavam em nome dos velhos tempos e ouviam músicas já esquecidas, pois as boas memórias não podem ser silenciadas.

_ Ela conseguiu!
_ E você tinha dúvidas, Kilo? Maddyrain é uma bicha arretada!
_ Bom... só de lembrar no meu rostinho com nariz... tomara que ela me dê alguns toques fortes de amiga no passado... quem sabe eu largo essa vida de drogas, sexo e pop music?
_ Gata, ela é arretada, não milagreira. Acho que logo mais nós também iremos virar pó.
_ Ai, que horror. Eu quero virar purpurina. Quero vagar pelo universo e colar no corpo suado de algum bophy sarado.
_ Eu até choraria agora, antes de deixar de existir completamente, sabe? Mas fantasmas não choram....

Happy Ending

The LA Edit
Quentin Harris Remix
Quentin Harris Instrumental
Kleerup Remix
Trail Mix
This Time of Night Remix

This is the way that we love, like it's forever...

Chupa meu edy sorridente:
O retorno do Mika ao meu blog hoje vem com uma música MEGA triste! Xente, se você tá saindo de algum relacionamento conturbado e pensa em se matar, NÃO ouça "Happy Ending"! Muito triste! Craro que se você não fala inglês, então meu kool, já que a música não fará o menor sentido mesmo. Depois entra no CNA e tira seu diploma, tzá?
"Happy Ending" foi o single final do álbum de estreia do Mika e, como já falei, é uma baladjénha mela cueca super triste e digna. Se jogue no The LA Edit e mantenha as gillettes escondidas. Os (poucos) remixes não válidos da atenção geral da nação. O Quentin Harris Remix é o mais interessante, mas confesso que tenho problemas pra aceitar remixes com o tempo do vocal diminuído. Então, meu amô, pegue o Quentin Harris Instrumental e deixe tocando enquanto você limpa a casa. O resto tá aí pras mais completistas do recinto.

0 Bilus felizes:

Alô?! Maddyrain chamando!

Você acaba de adentrar as entranhas do mundo de Maddyrain, uma profissional da "náiti guêi" de São Paulo que ama house music e decidiu fazer a boazinha e compartilhar parte de seu acervo musical.

Filhos da Maddyrain

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