O teste da farinha

Esperando na fila pra sair da toca em que eu morava agora, o suor escorria pelo meu rosto. Fabinho das Bananas, escondido num manto de flanela e fazendo o estilo mendigo sem causa, apertou minha mão e sussurrou no escuro Tudo vai dar certo. A biluzada na fila nem imaginava quem éramos ou simplesmente não ligavam; só queriam sair daquele calor abafado e escuro. Do lado de fora vinha o barulho alto do vagão passando pelos trilhos velhos e enferrujados. Uma luz vermelha em cima da porta de saída acendeu e ela foi aberta. Num movimento rápido e brusco, a biluzada começou a pular pra fora, de maneira organizada e sincronizada. Antes de pularmos, Joanete Filha do Jack olhou pra trás e falou Aprende direitinho, gata. Não há margens pra erros!

_ Enquanto vocês vão até o Ministério de Segurança Pública, eu vou ficar nas ruas, pedindo esmolas.
_ Aim, de mentirinha, néam?
_ Não, de verdade! Precisamos de dinheiro pra viver! Já faz tanto tempo que eu deixei de militar que eles não viram os anos passar no meu rosto.

Eu e Joanete deixamos Fabinho pra trás e seguimos até o Ministério no Conjunto Nacional. A visão geral da superfície não tinha mudado muito desde a minha chegada. Tudo continuava com o mesmo aspecto destruído e sujo. As calçadas ainda eram habitadas por figuras deslocadas no tempo. Antes de entrarmos no prédio, Joanete me puxou pro lado e deu as dicas.

_ Maddie, é MUITO importante que você se comporte e assuma a masculinidade que abandonou no colegial. Não dê pinta aqui dentro! Será o seu e o meu fim! Lembre-se, eu estou te indicando pro cargo, então sou responsável por você. Qualquer coisa errada, as duas estaremos fodidas e mal pagas.
_ Aim, você fala como se eu fosse a bichinha ploc ploc mais purpurinada da Tunnel!
_ E não é?! - Joanete se apoiou no fato de ser mulher pra falar isso e não levar um tapa.

O Conjunto Nacional havia sido completamente remodelado por dentro e a única coisa que ainda lembrava os tempos áureos era a rampa em espiral. Esperamos pelo elevador ao lado dos trabalhadores do futuro, todos com ares preocupados e caras nervosas. Uma nuvem espessa de fumaça de cigarro flutuava sob a cabeça de todos.
Descemos no andar em que Joanete trabalhava e caminhamos até o gabinete do ministro de segurança pública. Joanete usava o seu melhor terninho corporativo e andava com elegância e firmeza. Havia deixado o jeitinho amigável literalmente no bueiro em que morávamos. As pessoas passavam por ela e cumprimentavam com certo receio. Chegou na porta do ministro, bateu duas vezes e entrou.

_ Bom dia, ministro. Com licença. Trouxe meu primo que comentei com o senhor para o cargo de assessor.
_ Bom dia, srta. Jackson. Estou lembrado do rapaz. Como vai, meu bom rapaz? - estendeu a mão para me cumprimentar. Incorporei o bophy que havia escondido dentro de mim.
_ Bom dia, senhor ministro. É uma honra conhecer o homem responsável pela nossa segurança.
_ Srta. Jackson, já gostei dele. Pelo aperto de mãos! Sou um homem bem rápido e direto, meu bom rapaz. Se o aperto de mão é firme como deve ser o aperto de um homem, estou satisfeito. Qual é o seu nome?
_ Alejandro GiGiocondo.
_ Nome interessante. Srta. Jackson, pode sair. Farei a entrevista a sós com este bom rapaz.
_ Com licença, ministro. Se precisar, estarei em minha mesa.

Joanete saiu e fechou a porta. Uma gota de suor começou a escorrer pelo rosto. Eu tava nervosa, garai! Entrevistas de emprego NUNCA foram meu forte. O ministro caminhou até um móvel e pegou uma bandeja de prata e colocou em cima da mesa.

_ Sente-se, meu bom rapaz. Você deve saber que não é fácil manter a cidade organizada nos tempos de hoje. A sociedade está repleta de pervertidos disfarçados. Você acha que eu não sei que muitos depravados se escondem aqui dentro do Conjunto Nacional, debaixo do meu nariz? Você acha?! - elevou o tom de voz. Senti medo.
_ Tenho certeza que tem muita bicha escondida por aqui, senhor.
_ Mas é difícil monitorar todos esses pederastas pedófilos! Eles são como praga! Quando você acha que matou a maioria, descobre que há mais uma cacetada morando nas redondezas. Quanto à bicharada da baixa Augusta, eu nem me preocupo. Estes estão destinados a morrer com os efeitos do clima e da localização em que se encontram. Mas me preocupam os que andam por aqui, na Paulista. A Avenida Paulista não é lugar de viado!
_ Não poderia concordar mais, senhor.
_ E você já ouviu os rumores de quem voltou do mundo dos mortos? Aquela travesti que os depravados pegaram para mártir, Maddyrain! Veja só se pode! Então, meu bom rapaz, o principal objetivo nosso será extirpar essa onda de boatos sobre o renascimento de Maddyrain promovendo uma verdadeira caça às bruxas. Tenho planos de mandar arrombarem aquele esconderijo dos pervertidos nos subterrâneos do metrô. Mas antes de discutir esses assuntos com você, tenho um teste de aprovação para todos meus novos funcionários. - abriu uma gaveta de sua mesa e tirou um saco branco - Sabe o que tem aqui dentro?
_ Cocaína?
_ Não, meu bom rapaz! É farinha. - despejou um bocado de farinha na bandeja de prata em cima da mesa e alisou com um pente fino, criando uma fina camada de farinha - Você já deve imaginar o que eu vou pedir para você, não é meu bom rapaz?
_ Que eu cheire farinha de trigo?!
_ Claro que não, meu bom rapaz! Esse é o famoso teste da farinha. Levante-se, por favor. Agora abaixe as calças, inclusive a cueca.

Xente, que vergonha! Minha mão até tremia. Deixei a calça social preta suja e velha cair no chão junto com a cueca de origem duvidosa que Fabinho das Bananas tinha me dado. O ministro colocou a bandeja no chão e mandou eu ficar de cócoras em cima dela e encostar o rabo na farinha. A maior humilhação EVER da minha vida! Segurei todas minhas pregas imaginárias com força. Ainda bem que eu tava de costas pra ele, assim ele não conseguia ver minha cara de esforço titânico. Senti o pó encostando na portinha da felicidade e tentei não respirar pelo edy.

_ Posso levantar, senhor?
_ Sim, já é o suficiente. Recomponha-se.

Enquanto subia as calças, ainda de costas para o ministro, ele veio até mim e retirou a bandeja do chão. Nem consegui ver o que ele fez com ela; quando me virei e sentei novamente na cadeira, ele tinha desaparecido com todo o aparato de teste.

_ E então? Fui aprovado?
_ Mas é claro, meu bom rapaz. Você começa amanhã. Pode sair e pegar toda a papelada necessária com a srta. Jackson. Ela te mostrará onde você sentará também.

Estendi a mão para cumprimentá-lo, mas ele ignorou completamente e acendeu um cigarro enquanto eu saia mega constrangida da sala. Joanete me esperava de pé na mesa dela e fomos até uma sala minúscula onde eu ficaria. Fechou a porta e me abraçou para dar os parabéns. Não contei nada sobre a humilhação que eu tinha passado pra ela. Tomei o elevador e fui até o ponto de encontro com Fabinho das Bananas. Enquanto andava, comecei a chorar. Nunca me senti tão humilhada na minha vida. Revirei a minha amiga Gina Gillette dentro da boca e senti o gosto metálico do sangue descendo garganta abaixo. Recomponha-se...

The Time is Now

Edit
Album Edit
Live at Brixton Academy
DJ Plankton Mix
Can 7 Soulfood Extended Mix
Can 7 Soulfood Radio Mix
Can 7 Jungle Boogie
François K Main Vocal
Bambino Casino Mix
Matt Darey Vocal
Matt Darey Vocal Edit
Matt Darey Vocoder Dub
Mattapella
Superfix Backyard Mix

Time takes too much time...

Essa é a hora de chupar meu edy:
Aim, xente! Hoje é dia do Moloko aqui no blog, com a maravilhosa Róisín Murphy nos vocais! Adógo! Me apaixonei por "The Time is Now" desde a primeira em que a ouvi, muitos e muitos anos atrás. Se apaixone você também por essa delicinha de baladjénha moderna e underground se jogando no Album Edit. Linda! Linda! E os remixes também são ótemos!
Antes de cair no soulful house, vamos bater MUITO o cabelón com o DJ Plankton Mix. São 11 minutos de pura viadagem. Mega recomendado! Os remixes do Matt Darey também são super buatchi fervida, mas seguem a linha trance que já ficou fora de moda há milênios, então meu kool. O Bambino Casino Mix tem uma pegada... sei lá como descrevê-la. É estranho, mas bonito ao mesmo tempo, mas não fará ninguém sair dançando pela cidade.

Os outros remixes são, como já falei (bicha lesada), super gostosinhos e ahazzam no souful house! Se joguem no François K Main Vocal, do lendário François Kervokian. Uma graça! O mesmo vale pro Can 7 Soulfood Extended Mix. Uma delicinha e super lounge chic. Deixe tocando na sua festinha enquanto você recepciona seus convidados, meu amô. Vai fazer sucesso! O Can 7 Jungle Boogie tem alguns elementos do remix soulful, mas é mais dançante. Ahazzem!

Maddyrain não tem, Maddyrain quer:
Amores, eu sei que o dub do François K é mega fácil de ser encontrado naquele CD "Back to Mine", mas aquela versão NÃO tá completa, senão eu tinha postado aqui, néam? Um beijo.

fk's blissed out dub 10:27
donnie 1 legs 2 step dub 5:11

2 Bilus felizes:

Jean Michel Devotion disse...

4U...thanks for your super files

Moloko Sing it back (Feeluv' Edit)
http://www.mediafire.com/?ddf18wc13ouo1kh

Moloko The time (FK Dub) almost better than the vocal
http://www.mediafire.com/?6zmq06qxj92zeog

Maddyrain disse...

Thank you honey, but I'm looking for the full length version of this dub. The one you sent can be found at "Back to Mine", which I have, but it's mixed with Day for Night... :(

Kisses from Maddyrain

Alô?! Maddyrain chamando!

Você acaba de adentrar as entranhas do mundo de Maddyrain, uma profissional da "náiti guêi" de São Paulo que ama house music e decidiu fazer a boazinha e compartilhar parte de seu acervo musical.

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