O trem da meia-noite

Meu edy piscou e senti aquela vontade de cagar loka que toda passiva sente quando as coisas pioram na vida. O pior de tudo não era a vontade de me cagar toda... O pior é que o bophy NÃO valia a pena!

_ O que a xente faz, garai?
_ Faz o que ele tá mandanu! Tenho documentos comigo na mochila. Você se chama Catherine Millet.
_ Documentos.
_ Só um minuto, seu guarda. Eu vô tá peganu aqui na minha mochila.
_ O que você faz andando com esse preto feio, gracinha? - o guarda passou os dedos sujos no meu rosto. Jesuis, dava pra ver a crosta de gordura nas unhas dele.
_ Ele é o meu... marido!
_ Mas ele é preto!
_ O amor não tem cor, seu guarda. Além disso, ele tem um cacetão...
_ Aqui estão, oficial.
_ Hm. Jackson de Oliveira e Catêrine Milê? Moradores da baixa Augusta. O que vocês estão fazendo aqui na Paulista?
_ Estamos voltando pra casa, seu guarda. Vamos pegar o próximo trem pro Centro.
_ Então vão andando logo. Sem sujar nada. E você, gracinha, quando largar esse preto fedido, eu te dou um belo banho pra tirar toda sua sujeira. Leitinho é o que não me falta.
_ Não duvido... - como vinhado é tudo igual, foi só o guarda falar as palavrinhas mágicas e eu já senti a nequinha ficando dura.
_ Vamos, Catherine! Não podemos perder o trem.

Corremos pelas escadas até a estação Consolação. As paredes de azulejo estavam todas sujas de poeira acumulada há anos sem limpeza e cartazes. Charlotte Chandelle tirou dois bilhetes da mochila e passamos pela catraca. A movimentação no subterrâneo da Paulista era maior do que na parte de cima. A plataforma era uma profusão de camelôs vendendo de tudo. Me senti na saudosa 25 de Março. Sentamos num banco na parte mais afastada da plataforma.

_ Xente, mas por que você deixou aquele guarda falar assim com você, Charlotte?!
_ As coisas são assim agora, Maddyrain. Qualquer pessoa que faça parte das "minorias sociais" é humilhada. Os negros só podem estar vivenu na região ao redor da Paulista e o gays são proibidos pela lei. Qualquer demonstração pública de bichice acaba resutanu na prisão da bilu e sabe-se lá o que eles fazem com quem vai preso...
_ Xente! Mas como é que as coisas ficaram assim!?
_ Shhh... a gente não pode ficar falanu essas coisas, assim, no meio do povo. É proibidio e pode acabar com nosso disfarce. Quando a gente chegar no submundo nosso líder irá te explicar tudo.
_ Você tem outro líder além de mim!? Gomoasí!?
_ Você é minha líder espiritual, Maddyrain. Nosso líder revolucionário é outra pessoa que você conhecerá em breve. Ou melhor, reencontrará em breve.
_ Aim, que mistério. Eu vou gostar dele? Eu já transei com ele? Bom... provavelmente sim. A neca é boa? O gozo é farto?
_ E eu lá sei disso!? Deixa eu ver que horas são... Hm, ainda temos algumas horas até a meia-noite.

Enquanto as horas não passavam, Charlotte me explicou que o submundo era o único lugar em que os gays podiam viver livremente. Tínhamos que esperar o último trem passar para podermos entrar nos túneis de manutenção do metrô. Fiquei Bélgica. Charlotte ainda me contou que, vira e mexe, a polícia invadia o submundo, só pra colocar pressão.

_ Ou seja, eles sabem que as bilus vivem debaixo do metrô, mas não fazem nada?
_ Mais ou menos. Eles não podem estar fazenu nada enquanto moramos no submundo porque estamos em número maior e o espaço é nosso. Mas se somos descobertos na superfície, eles saem batanu e prendenu a gente. Não é fácil. A porta pro submundo só abre junto com o primeiro trem e com o último, então, quem sai, fica fora o dia inteiro.
_ Xente... é uma prisão!
_ É a nossa casa hoje em dia, Maddyrain. Ou vivemos ali ou teríamos que viver na região abaixo da Paulista. E a vida lá é bem pior... Temos tudo que precisamos no submundo, você vai ver. É muito gostoso. Um pouco abafado e sem luz solar, mas gostoso. Pelo menos, quando chove, não entra água lá!

As horas se arrastavam. Charlotte Chandelle não parecia muito preocupada em ser descoberta; até cochilou. Eu fiquei de olhos bem abertos vendo a movimentação. Os trens eram todos antigos e sujos de poluição. Fiquei pensando como tudo era sujo e descuidado no futuro e pra onde ia aquele povo todo. Não era nenhuma estação Sé às seis da tarde, mas, mesmo assim, era mais xente do que eu tinha visto andando pela Paulista. Xente, eram tantas perguntas. Tanta coisa esquisita. Me senti num jogo de video game pós-apocalíptico.
Charlotte despertou faltando cinco minutos pra meia-noite e me cutucou. Agora quem cochilava era eu. A plataforma já tava mais vazia; os camelôs tinham ido embora e uma ou outra pessoa suspeita esperava pelo último trem.

_ Maddyrain, quando eu falar "Pula!", você pula pros trilhos e corre praquela porta, entendeu?

As poucas pessoas na plataforma foram chegando perto da xente. Meu edy piscou de novo e o gogozito escondido, reapareceu. Charlotte fez um aceno com a cabeça pra elas e senti no ar a bichice contida o dia inteiro querendo aflorar. Era tão forte a vontade de se soltar... de desmunhecar... que a estação ficou até mais limpa e colorida.
As luzes do último trem foram chegando e iluminaram os trilhos. Charlotte gritou Pula! e pulamos juntas entre os trilhos. As outras bilus fizeram o mesmo. Uma portinha simples de metal foi aberta e entramos correndo enquanto o trem passava do lado de fora, deixando um rastro barulhento ensurdecedor.

Eu estava no submundo gay de São Paulo!

Hideaway

Radio Edit
Klub Head's Hideout
Klub Head's Dub-a-Way
Klubhouse
Klub Dub It
Acapella
Deep Dish Remix
Deep Dish Radio Edit
Dubfire Needs to Score
Sharam's Journey to Mars
K Klass Klub Mix
K Klass Radio Mix
Classic Paradise Mix (low quality...)
Hani's Analogue Samba Mix (low quality...)
Nu-Birth's Full Vocal Mix
Nu-Birth's Full Vocal Edit
Nu-Birth's Push Deepa Dub
187 Lockdown's Hidden Vocal Dub
Robbie Rivera's Vocal Mix
Robbie Rivera's Rockin' Dub
That Kid Chris Unreleased Mix
Pete Gooding Mix
Rhythm Code & Chris Lake Remix
Nickelle & Nessim Remix
We Deliver Vocal Mix
De'Lacy vs. The Young Punx Long Version
De'Lacy vs. The Young Punx Radio Edit
Soundclash Remix
Cedric Gervais Vocal Remix
Tom's Dark & Lovely Edit
Link
I don't need no man to take care of me...

Chupa meu edy logo:
Hoje é dia de crássico da buatchi! Dia de olhar pro passado e pensar "Jesuis, porque as músicas de hoje são todas iguais e chatas?!" "Hideaway" é uma delícia! Confesso que não conheço outras coisas do De'Lacy, mas adógo "Hideaway". Um club hit super gostoso e que merece ser conhecida! A produção original é do Blaze e a linha classic house bem gostosa. Podem pegar o Klub Head's Hideout, mas já aviso que o remix que tocava na buatchi e tornou "Hideaway" famosa é do Deep Dish. Aliás, que remix maravilhoso! São quase 12 minutos de puro glamour e looshu! Se joguem com toda fé no MARAVILHOSO Deep Dish Remix! É o melhor remix de hoje. Os outros remixes do Deep Dish seguem todos a mesma linha do remix principal, sem mudar muita coisa, mas acho válido indicar o Sharam's Journey to Mars. Um dub super lokinho do meu kool! Adógo!

Os outros remixes da época de lançamento são do K Klass, que mega sumiu do mapa. O K Klass Klub Mix é a cara dos anos 90. Um house super gostosinho com aquele pianinho que me deixa toda húmida nas partes íntimas. Uma delícia! Os remixes do Hani e do Love to Infinity são promocionais e a qualidade tá MEGA cagada.

Como todo hit da buatchi, "Hideaway" foi relançada ad infinitum. Dessa onda de remixes mais novos, pouca coisa se salva. O Robbie Rivera's Vocal Mix é interessante e válido. O That Kid Chris Unreleased Mix segue uma linha dark tribal super séquisi. Me lembra música de dark room. A loka! Num clima revival da dance floor, temos o ÓTEMO We Deliver Vocal Mix. Uma delicinha e ahazza no house moderno. Adorei! O resto, meu amô, tá aí pras mais completistas do recinto.

Maddyrain não tem, Maddyrain quer:
Xente, vocês sentiram o drama de 30 remixes, néam? Muitos são mega raros, mas ficaram faltando os remixes abaixo. Faça a linha caridosa e me envie, meu amô!

subway anthem mix 7:50
that kid chris mixshow edit 6:01
187 lockdown's hidden instrumental
dancing djs remix 6:00
de'lacy vs. the young punx mix 5:47

0 Bilus felizes:

Alô?! Maddyrain chamando!

Você acaba de adentrar as entranhas do mundo de Maddyrain, uma profissional da "náiti guêi" de São Paulo que ama house music e decidiu fazer a boazinha e compartilhar parte de seu acervo musical.

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