Lembranças da Parada

Assim como a lua, todo mundo é cheio de fases. Eu sempre achei que as bilus geminianas são as mais lunáticas do pedaço e eu, como fiel representante da classe nascida sob o signo de Saga, nunca sei se acordarei diva ou mocreia (geralmente é mocreia, mas abaphe the case). Uma das minhas fases que passou faz tempo foi a fase de querer ferver e passar o rodo durante a Parada do Orgulho Gay de São Paulo. A fase passou, mas deixou boas (e más) lembranças.

Nem lembro quando foi minha primeira Parada Gay, mas fui fantasiada de Minnie Mouse, cheia de boás pra esconder minha identidade secreta atrás das orelhinhas da Disney. Eu, Litta Walitta e Alvina Petrolínea (já velhas guerreiras de Parada) subimos até a Paulista pra ver a banda passar, tocando coisas de amor e liberação sexual. Nunca fui uma bilu de levantar a bandeira da nação gay, então não fui como militante na Parada. Sempre como pegadora. Periguetona mesmo. Era tão divertido andar com o povo, dançar com desconhecidos, mexer com quem assistia, beber vinho e vodka de péssima qualidade e beijar sem compromisso. Achei tudo uma loucura. Me acabei de dançar e de andar.

Podre de cansaço, no dia seguinte, ouvia a população pelas ruas reclamando daquele "monte de bichas" que fecharam a Paulista pelo Domingo inteiro. Fiquei constrangida.

Na segunda Parada em que fui, eu e Litta começamos a angariar mais seguidores pras nossas peripécias, como Cindi Loka (praticamente uma criança na época) e um monte de amigas rachinhas. Dessa vez, meu modelito era uma tentativa (fracassada) de parecer a Feiticeira Escarlate. Houve boatos de que eu parecia a Bruxa do 71. Dei de ombros. Me diverti mais que o ano anterior. Bebi mais. Beijei mais e me cansei mais.

Podre de cansaço, no dia seguinte, ouvia a população pelas ruas reclamando daquele "monte de bichas" que fecharam a Paulista pelo Domingo inteiro. Achei um uó e tentei lembrar dos dois cariocas sarados que tentaram me comer no final do evento.

No ano seguinte, decidi fazer algo de diferente: fui fantasiada de mim mesma. Coloquei uma boina de guerrilheira portuguesa (cortesia de Alvina Petrolínea) e mandava beijos pra quem assistia a Parada da calçada. Chegando na Praça da República, eu nem sabia em que planeta estava. Minha boca tava até dormente de tanto beijar um namoradinho que arrumei enquanto descia a Consolação. A Parada já tava virando muvucona. Era difícil acompanhar um carro legal e se você se perdesse de seus amigos, senta e chora, meu amô.

Podre de cansaço, no dia seguinte, ouvia a população pelas ruas reclamando daquele "monte de bichas" que fecharam a Paulista pelo Domingo inteiro. O sangue ferveu. Será que todo ano seria a mesma hipocrisia? De que adianta um dia para milhões de pessoas lotarem aquela bosta de Avenida Paulista se, no dia seguinte, o assunto era como as bichas atrapalhavam os não-simpatizantes?

No último ano em que fui à Parada Gay, decidi ir de Mestre da Picadura. Houve VÁRIOS boatos de que eu parecia o Willy Wonka. Litta Walitta deixou de lado os modelitos reveladores e foi de Cher, com um lindo vestido de paetê e piruka rosa choque. Fizemos um sucesso tremendo. Todo mundo queria tirar foto com a gente. Ofuscadas pelos flashes, Kilo Minhoca foi assaltada. Levaram o celular da bunita. A muvuca estava generalizada. Não dava mais pra dançar ou acompanhar um carro legal. A música era sempre a mesma e só tocava o lixo básico das buatchis fuleiras. Chegando na Praça da República, vi uma menina sendo praticamente espancada por dois trombadas tentado roubar o celular dela.

Fiquei pensando... será que a Parada Gay tem algum significado maior além da pegação generalizada que ocorre na Praça da República e durante o desfile? Além do monte de assalto que ocorre durante o evento? Além da cambada de trombadas que se infiltram entre as pessoas dispostas a se divertir?
O mais frustrante é que o palco da Parada Gay é exatamente o mesmo lugar onde ocorrem diversas agressões a gays e simpatizantes ao longo do ano. Será que os gays só possuem um único dia para sair do bueiro em que se escondem e mostrar as caras (ou máscaras)?
Não duvido que a Parada Gay deve ter lá o seu valor... nem que seja meramente financeiro e que ajude o setor hoteleiro de São Paulo. No entanto, para mim, a Parada Gay deixou de ter qualquer tipo de valor ou relevância quando vi arrastões durante a caminhada. A ficha de que a Parada tinha virado algum tipo de monstro incontrolável e a cada ano ficava pior caiu quando vi o trombada mordendo a mão da menina pra roubar o celular.

Mais uma Parada do Orgulho Gay de São Paulo chegou e eu ainda não me decidi se irei ou não. Gosto de pensar que mais da metade do público da Parada Gay é de fato gay. Gosto de pensar que a Parada Gay tem mais público que a Marcha para Jesus. Gosto de pensar que, num futuro próximo (e diferente do futuro que narro aqui no meu blog), não serão mais necessários carros alegóricos, gogo boys descartáveis e batidões na avenida para despertar a população de que a "minoria" é maior do que parece e merece respeito e direitos iguais. Enquanto isso, vou acompanhando as novidades pela Litta Walitta (que a cada ano me diz que a Parada está pior e mais cheia). A propósito, os trombadas NÃO levaram o celular da menina. Alvina Petrolínea pulou em cima deles. Uma bilu defendendo uma simpatizante sendo atacada por heteros covardes. Uma mão lava a outra.

Um beijo,
Maddyrain

House Music

Radio Edit
Message Mix
Message Edit
Beats 4 Dayz
Deep Dish Body & Soul Mix
Deep Dish Body & Soul Dub
Mysterious People Remix
Marques' Does Yo Mama Know Revival Mix
K.O.T. Remix
Full Intention Remix
Full Intention Radio Edit
Ian Pooley's Free Spirit Mix
"Whatever Dude" Mix
"Whatever Dude" Dub
Big Daddy Bump Mix
Bumpy Lump Dub
House-Apella
Filterheadz Remix

Not everyone understands house music...

Chupa meu edy house:
Hoje é dia de house music... em todos os sentidos! Eddie Amador não é um dos meus DJs favoritos, mas fez muita coisa boa (como os remixes pra "Give it 2 Me", da Madonna). "House Music" já é bem antiguinha e conheci jogando GTA (a loka nerd)! Se joguem no Message Mix. Uma delícia e super dançante! Os poucos vocais casam perfeitamente com as batidas. Os remixes pra "House Music" são bem interessantes e válidos.

O remix do Deep Dish, como sempre, ahazza com seus 11 minutos de pura despirocagem! Peguem o Deep Dish Body & Soul Mix pra dançar bastante! O Mysterious People Remix não muda muito a estrutura da versão original, mas é super dubístico. O Marques' Does Yo Mama Know Revival Mix tem toda uma pegada soulful house que podia ter sido mais trabalhada. Bem gostosinho! O K.O.T. Remix é mais club e diferente.

O Full Intention Remix também segue a linha da versão original, mas adicionou aquelas batidas dance bem típicas dos remixes do Full Intention e um vocal a mais gostoso. Sem entrar muito em detalhes, os remixes do DJ Sneak também são interessantes e as bilus mais completistas vão gostar. Por fim, o remix mais atual é o Filterheadz Remix, que deixou a música mais batidão e club diva. Super recomendado!

Maddyrain não tem, Maddyrain quer:
Aim... assim... eu sou pedinte mesmo. Podia estar roubando e me prostituindo, coisas que já fiz... é verdade, mas tô aqui pedindo!

original 'blunt' edit 3:49
beats 4 dayz radio edit 3:35
full intention vocal dub
ian pooley's free spirit mix 10:47
nail stock cube mix

1 Bilus felizes:

Cindi Loka disse...

Eu não poderia deixar de comentar que li e me emocionei. Um beijo, Maddy. Saudades.

Alô?! Maddyrain chamando!

Você acaba de adentrar as entranhas do mundo de Maddyrain, uma profissional da "náiti guêi" de São Paulo que ama house music e decidiu fazer a boazinha e compartilhar parte de seu acervo musical.

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