Futuro imperfeito
Corri até Charlotte Chandelle achando que a bunita tinha morrido de susto quando me viu. Xente, será que meu sangue no vestido tá tão feio assim? Que uó! Poucas pessoas passavam no momento pelo cruzamento da Augusta com a Paulista e elas desviavam do corpo no chão como se fosse bosta de cachorro. Levantei a cabeça de Charlotte Chandelle e dei tapinhas no rosto. Xente, a bichinha já era feia montada.... desmontada, então... nem por Diana Ross!
_ Acorda, vinhado! Acorda!
_ Ai... continua batenu. Bate que eu gamo!
_ Sai pra lá, travesti!
_ Eu morri?
_ Pelo visto não.
_ Mas eu tô tivenu. Só pode ser o céu! Maddyrain veio me receber em pessoa! Ou melhor, em espírito! Sou o viado mais feliz do mundo!
_ Xente... se eu contar pra alguém, ninguém acredita! Gata, levanta. Você não morreu. Eu não sou Diana Ross. (Ainda bem... aquele cabelão todo deve dar um trabalho terrível pra lavar). Me conta, onde é que caralho eu tô, meu amô? Isso aqui é a terra? Meu cavalo tá fazendo mais uma trama no inferno ou é o purgatório agora?
_ Você renasceu das cinzas?! É a fênix!
_ Isso, gata! Sou a Jean Grey depois das drogas, séquiso e house music.
_ Eu sabia que você estava voltanu! Eu sabia! Todos me recriminavam por eu sair do submundo e vir pras ruas pregar, mas eu sabia que você ainda voltaria!
_ Gata, parece que eu acordei agora de uma mega noite de drogas e prostituição e não sei onde eu tô, pra quem dei e pra QUANTOS dei.
_ Tudo pela salvadora da nação gay! Tudo! Você está em São Paulo.
_ Tzá, isso eu percebi. Mas o que aconteceu? Eu passei aqui outro dia e tava tudo normal!
Parei pra prestar atenção na Avenida Paulista pela primeira vez desde que socorri Charlotte Chandelle no chão. Em relação ao que eu havia visto na Rua Agusta, a Paulista até que tava conservada, mas mesmo assim, decadente. O Conjunto Nacional, bem à minha frente, se destacava dos demais pelas paredes limpas e vidros brilhantes nas janelas. A parte debaixo estava cercada por policiais e as bandeiras imponentes sugeriam que ali deixou de ser ponto de encontro de casais guêis e cedeu a algum prédio do governo há muito tempo!
Poucas pessoas andavam pela rua e todas pareciam ter saído de um livro de História dos anos 50. Roupas antigas, pompa aristocrática deslocada no tempo e pele suja de fuligem. O trânsito caótico e "carismático" da Avenida Paulista havia desaparecido e pouquíssimos carros passavam, mas nenhum parecia muito diferente dos modelos acabados dos anos 80. O mesmo acontecia com os ônibus; todos antigos, sujos e enferrujados.
_ Você tem aparecido ultimamente?! Por que nunca me procurou! Sou sua maior pastora! Prego seus milagres desde tempos antigos!
_ Isso eu sei, gata. Em que ano eu tô? Isso aqui não pode ser 2011!
_ 2011, Maddyrain? Esse foi o ano em que você morreu! Estamos em 2049! - fiquei Bélgica.
_ Xente... já passou tudo isso!? Quantos anos mesmo? Sou péssima em Matemática!
_ 38 anos de destruição da sociedade. 38 anos em que é completamente proibida qualquer forma de expressão homossexual...
_ Calma, calma! Muita informação ao mesmo tempo!
_ Depois que você morreu... peraí. A gente não pode falar assim aqui! Vamos para um lugar mais reservado. Não podemos voltar pro submundo agora e ainda tá longe do último trem passar. Vamos esperar dar o tempo na estação.
_ Xente... esse padê que eu devo ter tomado é MUITO bom!
_ Você não vai poder chegar na Paulista vestida assim, Maddyrain. Vão reconhecer seu rosto... Você tá usanu peruca?
_ Craro, meu amô. Com fios de cavalo alado.
_ Vamos cortar e fazer um coque. - tirou da mochila uma navalha enferrujada e cerrou meus fios postiços. Pensei em chorar que nem a Carolina Dieckmann só pra fazer cena, mas não pensei em nada mais trágico que meu destino. Nem assim eu não me emocionei - E esse vestido todo ensanguentad0? E você vem me dizer que não tá morta!? Tá toda empapada em sangue bem onde levou o tiro! Se eu te der uma muda de roupa, você estaria trocanu isso comigo? Eu vou guardar como relíquia religiosa! - e tirou da mochila um par de jeans sujo, com furos enormes de traças, e uma camiseta que devia ter sido branca em seus sonhos mais selvagens. Fez cabaninha e eu me troquei porcamente.
Charlotte havia me orientado a não olhar para cima e não chamar a atenção. Assim, não pareceria que eu era uma trava. Em poucos metros da entrada pro metrô Consolação, cruzamos com duas patrulhas de policiais. Olhando para o chão, só vi o passo marcado das botinas. Um dos policiais deve ter olhado pra trás e assobiou quando passou por mim. É duro ser gostosa. Virei a cabeça pra ver se valia a pena o bophy.
_ Hey, vocês dois. Parem para ser revistados!
_ Ai, Maddyrain! Mesmo na sua forma espiritual você só faz cagada!
Freedom
Original Edit
Radio Edit
Robert Miles Club Mix
Frankie Knuckles Classic Club Mix
Frankie Knuckles Classic Radio Mix
Frankie Knuckles "The Shit" Mix
Frankie Knuckles Director's Cut Dub
R.I.P.'s Original Flava Dub
Love is the only way home...
Você tem total liberdade pra chupar meu edy:
Hoje é dia de duas estreias aqui no blog! Primeiro, o Robert Miles que ficou famoso apenas com aquela música que tocou tanto que encheu o saco de todo mundo, "Children" (que NÃO vai aparecer por aqui). Em segundo lugar, a diva disco Kathy Sledge, daquela banda babadu da era disco, Sisters Sledge. A bunita seguiu carreira solo e lançou coisas bem legais que em breve aparecerão por aqui!
A versão Original Edit de "Freedom" é aquele trance mega ultrapassado com pianinho sintético e tudo. Um instrumental bonito. A versão Radio Edit incorpora os vocais da Kathy e é mais interessante.
Hoje a xente vai fingir que só tem Frankie Knuckles nos remixes de "Freedom", porque os remixes dele são os melhores (novidade). Podem se jogar no Frankie Knuckles Classic Club Mix. Super gostoso e válido. Uma lição de como tornar uma faixa trance em algo mais digestível. O Frankie Knuckles "The Shit" Mix é basicamente uma versão instrumental bem legal, sem fugir muito do Club Mix, enquanto que o Frankie Knuckles Director's Cut Dub é um dub bem diferente, com mais batidas tribais e todo aquele clima Def Mix.
_ Acorda, vinhado! Acorda!
_ Ai... continua batenu. Bate que eu gamo!
_ Sai pra lá, travesti!
_ Eu morri?
_ Pelo visto não.
_ Mas eu tô tivenu. Só pode ser o céu! Maddyrain veio me receber em pessoa! Ou melhor, em espírito! Sou o viado mais feliz do mundo!
_ Xente... se eu contar pra alguém, ninguém acredita! Gata, levanta. Você não morreu. Eu não sou Diana Ross. (Ainda bem... aquele cabelão todo deve dar um trabalho terrível pra lavar). Me conta, onde é que caralho eu tô, meu amô? Isso aqui é a terra? Meu cavalo tá fazendo mais uma trama no inferno ou é o purgatório agora?
_ Você renasceu das cinzas?! É a fênix!
_ Isso, gata! Sou a Jean Grey depois das drogas, séquiso e house music.
_ Eu sabia que você estava voltanu! Eu sabia! Todos me recriminavam por eu sair do submundo e vir pras ruas pregar, mas eu sabia que você ainda voltaria!
_ Gata, parece que eu acordei agora de uma mega noite de drogas e prostituição e não sei onde eu tô, pra quem dei e pra QUANTOS dei.
_ Tudo pela salvadora da nação gay! Tudo! Você está em São Paulo.
_ Tzá, isso eu percebi. Mas o que aconteceu? Eu passei aqui outro dia e tava tudo normal!
Parei pra prestar atenção na Avenida Paulista pela primeira vez desde que socorri Charlotte Chandelle no chão. Em relação ao que eu havia visto na Rua Agusta, a Paulista até que tava conservada, mas mesmo assim, decadente. O Conjunto Nacional, bem à minha frente, se destacava dos demais pelas paredes limpas e vidros brilhantes nas janelas. A parte debaixo estava cercada por policiais e as bandeiras imponentes sugeriam que ali deixou de ser ponto de encontro de casais guêis e cedeu a algum prédio do governo há muito tempo!
Poucas pessoas andavam pela rua e todas pareciam ter saído de um livro de História dos anos 50. Roupas antigas, pompa aristocrática deslocada no tempo e pele suja de fuligem. O trânsito caótico e "carismático" da Avenida Paulista havia desaparecido e pouquíssimos carros passavam, mas nenhum parecia muito diferente dos modelos acabados dos anos 80. O mesmo acontecia com os ônibus; todos antigos, sujos e enferrujados.
_ Você tem aparecido ultimamente?! Por que nunca me procurou! Sou sua maior pastora! Prego seus milagres desde tempos antigos!
_ Isso eu sei, gata. Em que ano eu tô? Isso aqui não pode ser 2011!
_ 2011, Maddyrain? Esse foi o ano em que você morreu! Estamos em 2049! - fiquei Bélgica.
_ Xente... já passou tudo isso!? Quantos anos mesmo? Sou péssima em Matemática!
_ 38 anos de destruição da sociedade. 38 anos em que é completamente proibida qualquer forma de expressão homossexual...
_ Calma, calma! Muita informação ao mesmo tempo!
_ Depois que você morreu... peraí. A gente não pode falar assim aqui! Vamos para um lugar mais reservado. Não podemos voltar pro submundo agora e ainda tá longe do último trem passar. Vamos esperar dar o tempo na estação.
_ Xente... esse padê que eu devo ter tomado é MUITO bom!
_ Você não vai poder chegar na Paulista vestida assim, Maddyrain. Vão reconhecer seu rosto... Você tá usanu peruca?
_ Craro, meu amô. Com fios de cavalo alado.
_ Vamos cortar e fazer um coque. - tirou da mochila uma navalha enferrujada e cerrou meus fios postiços. Pensei em chorar que nem a Carolina Dieckmann só pra fazer cena, mas não pensei em nada mais trágico que meu destino. Nem assim eu não me emocionei - E esse vestido todo ensanguentad0? E você vem me dizer que não tá morta!? Tá toda empapada em sangue bem onde levou o tiro! Se eu te der uma muda de roupa, você estaria trocanu isso comigo? Eu vou guardar como relíquia religiosa! - e tirou da mochila um par de jeans sujo, com furos enormes de traças, e uma camiseta que devia ter sido branca em seus sonhos mais selvagens. Fez cabaninha e eu me troquei porcamente.
Charlotte havia me orientado a não olhar para cima e não chamar a atenção. Assim, não pareceria que eu era uma trava. Em poucos metros da entrada pro metrô Consolação, cruzamos com duas patrulhas de policiais. Olhando para o chão, só vi o passo marcado das botinas. Um dos policiais deve ter olhado pra trás e assobiou quando passou por mim. É duro ser gostosa. Virei a cabeça pra ver se valia a pena o bophy.
_ Hey, vocês dois. Parem para ser revistados!
_ Ai, Maddyrain! Mesmo na sua forma espiritual você só faz cagada!
FreedomOriginal Edit
Radio Edit
Robert Miles Club Mix
Frankie Knuckles Classic Club Mix
Frankie Knuckles Classic Radio Mix
Frankie Knuckles "The Shit" Mix
Frankie Knuckles Director's Cut Dub
R.I.P.'s Original Flava Dub
Love is the only way home...
Você tem total liberdade pra chupar meu edy:
Hoje é dia de duas estreias aqui no blog! Primeiro, o Robert Miles que ficou famoso apenas com aquela música que tocou tanto que encheu o saco de todo mundo, "Children" (que NÃO vai aparecer por aqui). Em segundo lugar, a diva disco Kathy Sledge, daquela banda babadu da era disco, Sisters Sledge. A bunita seguiu carreira solo e lançou coisas bem legais que em breve aparecerão por aqui!
A versão Original Edit de "Freedom" é aquele trance mega ultrapassado com pianinho sintético e tudo. Um instrumental bonito. A versão Radio Edit incorpora os vocais da Kathy e é mais interessante.
Hoje a xente vai fingir que só tem Frankie Knuckles nos remixes de "Freedom", porque os remixes dele são os melhores (novidade). Podem se jogar no Frankie Knuckles Classic Club Mix. Super gostoso e válido. Uma lição de como tornar uma faixa trance em algo mais digestível. O Frankie Knuckles "The Shit" Mix é basicamente uma versão instrumental bem legal, sem fugir muito do Club Mix, enquanto que o Frankie Knuckles Director's Cut Dub é um dub bem diferente, com mais batidas tribais e todo aquele clima Def Mix.
Quarta-feira, Junho 01, 2011
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Kathy Sledge,
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