Destino insólito

Estávamos sentadas numa estação de trem qualquer de um lugar na periferia de São Paulo que eu nem imaginava ter recebido transporte público (que dirá saneamento básico)! Kilo Minhoca lambia os dedos da mão pra tirar o restinho do salgadinho Elma Chips. O cheiro de queijo podre industrializado se alastrava pela estação e todo mundo passava olhando pra xente com cara feia e com fome. Kilo abriu a bolsa e pegou uma das garrafas de Coca Zero e bebeu do gargalo, misturando tudo dentro da garrafa.

_ Quer um gole?
_ Naum. Tô de boa. Na verdade, tô de bode, gata. Que porra de lugar é esse?! Essa mãe de santo não tinha um lugar mais civilizado pra morar?
_ Mas ela é das boas, Maddie. Pode acreditar.
_ Gata, ela não mora, ela tá refugiada aqui. Tá fugindo da polícia, só pode ser.
_ Ai, vamos fazer algo pra passar o tempo. Você tá ficanu muito chata. Já sei! Eu te dou dez Reais se você colocar a bunda pra fora e mostrar pro povo do próximo trem!
_ Aim, meu amô, já ganhei bem menos pra mostrar mais do que isso!

Esperamos um trem lotar com sardinhas vestidas de ser humano. O sinal tocou e as portas fecharam, esmagando uma sardinha contra a outra. Separa os dez contos aí. Andei até a passarela, sensualizei um pouco, virei de costas e abaixei as calças junto com a cueca. Vi a cara de nojo, tesão e escândalo do povo de cima pra baixo. O autofalante berrou:

_ Atenção: não segure as portas do vagão. Isso atrasa a viagem de todos.

Meu kool fechou e tenho certeza de que todo mundo percebeu. As portas do trem abriram. Aim, que loucura! Pulei pra posição normal e levantei as calças em questão de segundos. O povo veio correndo atrás de mim.

_ Pega o viado! Pega o viado!
_ Vai mostrar o cú pra sua mãe, viado do caralho!
_ Kilo, corre! - corremos escada acima e chegamos no saguão principal da estação. Me joguei nos braços do segurança da estação, implorando asilo sexual - Socorro, seu guarda! Tão querendo me pegar!
_ Quem?
_ O povo do trem! Querem me esfolar vivo!
_ Ó lá o viado! Solta ele, guarda! A gente vai esfolar esse viado vivo!
_ O que ele fez?
_ Ele mostrou o rabo pra gente de fora do vagão!
_ É mentira! Sou debiloide! Não sei o que faço! Não me controlo! Pergunta pra ele! Ele é o meu responsável! - apontei desesperadamente pra Kilo Minhoca, que me encarava assustada.
_ Ai, que horror! É verdade! É retardado de tudo! Não pode ficar feliz e se caga todo. Fui comprar um cigarro e ele fez isso aí. Vocês me desculpem, tá? Eu usava coleira, mas o governo proibiu. Agora é assim. Não posso piscar e ele foge!

Viado nasceu pra ganhar Oscar. A turba voltou pro trem e nós duas fomos colocadas pra fora da estação. Só faltou chutarem nossas bundas durinhas e siliconadas. Perguntamos prum vendedor de bilhetes como íamos chegar até São Miguel Paulista e ele falou que passava uma lotação ali daqui uma hora. Xente, mais uma hora aqui, neste fim de mundo, sem fazer nada?! E não venha querer me oferecer mais dez Reais pra mostrar o kool, porque agora só mostro por mais! Tá pensando o que?
Sentamos num banco da praça e ficamos observando o movimento daquela mini cidade do interior misturada com favela e com uma pitada de quinto mundo. Uma coisa... assim.. meio Índia. Senti saudades dos meus tempos de avenida na Itália e fiquei jogando conversa fora com Kilo Minhoca, outra conhecedora dos prazeres italianos. A lotação finalmente chegou e viramos sardinhas travestis dentro daquele carro minúsculo e fedido. E o homem não parava de colocar mais xente pra dentro.

_ Amore, não cabe mais ninguém aqui! Eu tô com as mãos nas partes íntimas de sei lá eu quem!
_ É a minha bunda.
_ Jesuis, eu tô com a mão na bunda de uma mulher! Ô seu moço, fazofavô de ir? Eu tenho uma consulta espiritual marcada pra hoje ainda!

Seguimos aos solavancos pela estrada esburacada. A cada buraco, minha mão enterrava mais na bunda da mulher, que gemia de prazer. Fechei os olhos e comecei a chorar. Tentei olhar pra fora, mas não conseguia nem mexer meu pescoço. Perguntei pra Kilo Minhoca se ela tava perto de alguma janela pra me passar a nossa localização e a voz dela veio algum recanto obscuro daquela lotação. Olha, eu juro que não me lembro, mas eu devo ter jogado uma pedra enormemente enorme bem na neca do Jesuis na cruz!
De repente, não mais que de repente, a lotação parou e as pessoas começaram a sair umas de cima das outras. A mulher cuja bunda tava atolada na minha mão desengatou e largou um papelzinho em meus dedos sujos e podres. Era o telefone da bunita. Corri pra Kilo Minhoca.

_ Você tem álcool em gel, pelo amor de Diana Ross!?
_ Eu não. Pra que você quer álcool em gel agora?
_ Nem queira saber! - olhei ao redor e encontrei um butequinho - Pera aí que já volto! - entrei no buteco e me debrucei no balcão - Pelo amor de tudo que há de mais sagrado nesta vida! Não sei se ainda tô em São Paulo ou se cheguei no fim do mundo, mas me vê uma dose caprichada da pinga mais sem vergonha que você tiver!
_ Eita, nóis! Esse aí desceu da lotação e já quer afogar as mágoas! - e me entregou o copinho americano cheio até a boca.
_ Não é nada disso, meu senhor! - virei a pinga na mão e esfreguei o álcool entre os dedos - Bom, deve dar pro gasto. É melhor do que nada. - voltei pra pracinha e Kilo Minhoca conversava com um cafuçu fedendo a roça numa charrete levando um monte de galinhas.
_ Vamos logo, Maddie. Arranjei nossa condução até o terreiro da Mãe Lenita.
_ A xente vai na carroça desse moço? Nessa coisa super Fuga das Galinhas?
_ É o único jeito, gata.

Pa-Pum! Se olhar matasse, Kilo Minhoca estaria enterrada ali mesmo, no meio daquele nada. Era bom essa Mãe Lenita ser a melhor mãe de santo do mundo! EVER!

Don't Be Stupid (You Know I Love You)

Pop Remix
Dance Mix - Single
Dance Mix - Full Length
Dance Mix - Full Length Instrumental

You even get suspicious when I paint my nails...

Não seja bobo e chupa meu edy:
Aim, às vezes eu acho que vivo numa bolha completamente sozinha e infeliz sendo fã da Shania Twain. Todo mundo acha a bunita brega, cafona e fora de moda. Eu sempre gostei de passear pelo gueto e pelo estábulo, além da dancefloor. Confesso! "Don't Be Stupid (You Know I Love You)" me faz lembrar de meus tempos de menininha. Gosto muito do Pop Remix e super me frustrava não saber dançar country music quando era modinha. O Dance Mix - Single mantém os violinos da versão original, mas é super aceleradinho. Um dance MEGA ultrapassado, mas bonitinho. Não dói nada baixar.

0 Bilus felizes:

Alô?! Maddyrain chamando!

Você acaba de adentrar as entranhas do mundo de Maddyrain, uma profissional da "náiti guêi" de São Paulo que ama house music e decidiu fazer a boazinha e compartilhar parte de seu acervo musical.

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