Vamos à buatchi?

[modo "Confissões de Absorvente" on:]

Quando eu era menina virgem e pura lá em Barbacena, e nunca tinha colocado meus santos pézinhos numa buatchi guêi, eu achava que quando eu fosse à buatchi pela primeira vez eu seria devorada viva e beijaria um pouco cada um. Mas só me faltavam duas coisas pra eu estampar meu rostinho bunitu na náitji guêi de São Paulo: aprender a dançar e a coragem pra encarar um mundo completamente novo.
Pra dançar, eu tomei aulas particulares com um jogo do PlayStation chamado "Bust a Moove". Foi como aprender a dirigir; você aprende um monte de técnicas e coreografias, mas na vida real... meu amô... ah, na vida real não é bem assim naum! Você tem (ou melhor, tinha) que ficar desviando das bilus fumantes, tomar cuidado pra não selar o pé de alguém e fugir das aberrações que só a buatchi traz. Com o tempo, aprendi que só sei dançar se tô bêbada. E montada.

Só me faltava a coragem agora. Confesso que não sou a biluzinha mais corajosa do recinto. Já contei que MORRO de medo de lagartixa? Bom, por aí você vê meu grau de coragem, néam? Na época, eu ainda tava no colegial (antigo Ensino Médio, biluzinha moderna!). Minhas aspirações pra ser a bicha popular da escola eram mínimas e eu preferia viver no low profile completo e absoluto. Era um esforço diário pra não chamar a atenção desnecessária, mas era aceita e querida pelos colegas da sala. No meu caminho pra ser a bilu mais velha (e conceitual) do colégio estava Sidineia Rocha, a bilu de olhos claros e rosto angelical do terceiro ano.
Eu sempre fui uma bilu muito esquiva e pouco sorridente quando não bêbada, então achava Sidineia de uma antipatia incomparável mesmo sem conhecê-la. Eu sabia que ela era bilu (bom... era difícil não perceber) e ela sabia de mim. Isso bastava pra delimitar nossos territórios na escola. Ela não se aproximava dos bophys do segundo ano e eu não me aproximava dos do terceiro. Simples assim.

Sidineia, não sei como, ficou amiga da minha então-best friend Ruth/Raquel. A história de Ruth/Raquel merece um post qualquer dia aqui no blog... Mas enfim, Sidineia e Ruth/Raquel viraram amigas do dia pra noite e acabei me enturmando com ela também. Não dá pra ser uma teen antipática 24 horas por dia!
A bilu gostava de viver numa bolha cultural que havia criado pra si e se achava muito inteligente pra reles população abaixo. Sonhava em fazer Letras na USP (acabou conseguindo, mas nunca se formou pelo que eu sei), só usava roupa de marca (quando não era forçada a andar com o uniforme da escola) e seus olhos azuis reluziam pelos corredores do colégio. Não vou fazer a maldita e dizer que Sidineia era feia, porque não era. Era muito bonita, mas também, uma phêmea aprisionada no corpo de uma mulher. Ou seja, anos-luz do meu tipo de homem. Não tinha nem 18 anos (nem eu tinha) e já saía sexta, sábado e domingo pra buatchi. Tinha a ficha corrida mais longa que eu já tinha visto (até então). Não demorou muito pra começar a me moldar à sua imagem e semelhança.

_ Você é virgem?
_ Claro!
_ Nunca deu? Nunca comeu? Nunca chupou?
_ Naum. Naum. Naum.
_ Mas acha que vai querer fazer o que?
_ Dar, é claro!
_ Já beijou outro cara?
_ Err... ainda naum.
_ Gente, é virgem de tudo então! Gosta da Madonna, pelo menos?
_ ADORO!
_ Bom, já é meio caminho andado... Já foi pra buatchi guêi?
_ Não! Me leva com você?
_ Quantos anos você tem?
_ Acabei de fazer 17.
_ No próximo sábado, você terá 19.

Tudo que eu precisei pra virar maior de idade foi um xerox do meu RG e esperar até o próximo sábado. Abri meu guarda-roupas e fiquei olhando pros meus modelitos e pensando o que tinha cara de "buatchi"... Nada. Xente, eu não tinha absolutamente nenhuma roupa pra sair pra dançar. Era vítima dos delírios de consumo de minha mãe e nunca havia parado pra pensar no que eu usava. O jeito foi pegar algo que combinasse e rezar pra que todos os guêis também fossem vítimas do estilo de suas mães. Aim... eu era TÃO ingênua!
Cheguei na casa de Sidineia usando uma combinação uó de calça de MOLETOM MARROM e uma camiseta branca com círculos de linha marrom e laranja. Tudo muito combinandinho, mas de péssimo mal gosto. Sidineia abriu a porta de casa e me mediu de cima pra baixo. Eu fiz o mesmo. Sidineia havia sido substituída por uma garçonete dos anos 50! Fico pensando como ela se veste hoje em dia...

Sem ter muito o que fazer, já que nenhuma das fantasias de Sidineia me serviam, ela me entregou meu passaporte pra alegria e fomos pra buatchi completamente sóbrias. Não lembro a última vez que fui pra buatchi sóbria... mas só sei que eu não sabia muito bem o que fazer quando chegamos na porta da finada Base. Logo na fila, comecei a trocar olhares com um cara charmoso que eu jurava que tava me olhando. No final da noite, ele tava olhando pra Sidineia, ficaram, namoraram e foram casados por anos. Pelo menos eu dei sorte pro casal, néam? Já pra mim mesma... bom... dancei bastante Britney Spears (no começo da carreira) e Cher. Era a época de ouro dos remixes do Thunderpuss, então aprendi a bater o cabelo. Olhei o figurino do lugar e queria jogar a calça de moletom marrom no lixo. Não beijei ninguém, mas voltei pra casa como se não fosse mais virgem. Livre, leve e solta. Achei a coisa mais linda ver tantos homens juntos e se beijando. Pura liberação sexual!

No dia seguinte, Domingo, decidi ir na matinê da Tunnel. Sozinha. Ou melhor, marquei logo um encontro da Internet na porta da buatchi. Quando entrei na Tunnel, já corri pro bar. Me vê um energético? Nunca tinha bebido energético na vida, mas vi que fazia sucesso na Base. Achei a bebida horrível. Um guaraná piorado. Olhei pro lado e dei de cara com Sidineia e seu novo namoradinho. Aquele que eu achava que tava me paquerando na fila.

_ Maddyrain!!? Mas... gente... eu te tirei do armário ontem!
_ Pois é! E já não preciso mais de você.
_ A criatura sempre sai pior que o criador.

Fato! Ainda mantive contato com Sidineia por um curto período. Alguns meses depois, eu também comecei a namorar e chegamos a viajar em casal pra praia, mas depois disso, nunca mais... Sabe aquele tipo de amiguêi que começa a namorar e some do mapa? Entaum, Sidineia é assim. Quando o casamento acabou, ela voltou a me procurar. Eu tava namorando, mas mesmo assim dei uma ajuda pra amiga solteira. Depois ela sumiu do mapa de novo. Deve ter arranjado outro namorado... ou então realmente não sabe como manter as amizades.

Acho tão engraçado como a vida vai mudando a xente e quando olhamos pro começo, bem pro começo, algumas coisas parecem ridículas ou que não foram aproveitadas ao máximo. Não posso deixar de pensar como teria sido minha saída do armário sem Sidineia. Será que eu teria demorado muito pra ir à buatchi guêi? Será que teria ido sozinha? Será que seria a diva que sou hoje em dia? Na verdade, Sidineia só dei o peteleco inicial. O resto foi tudo por minha conta e risco! I'm a self-made bitch, honey!

Um beijo,
Maddyrain

[modo "Confissões de Absorvente" off.]

Discothèque

Radio Edit
New Mix
12" Version
DM Deep Club Mix
DM Deep Extended Club Mix
DM Deep Intrumental Mix
DM Deep Beats Mix
DM TEC Club Mix
DM TEC Radio Mix
Hexidecimal Mix
Hexidecimal Mix Edit
Howie B, Hairy B Mix
David Holmes Mix

You know you're chewing bubblegum...

Chupa meu edy na buatchi:
Amô, olha bem pra capa do single de Discothèque e seja franco comigo: não dá pra dar uma chupada em todo mundo do U2 nessa época? Craro que a xente desconsidera a tia véia, néam? Mas sempre tem uma que faz a linha geriátrica no recinto... então sirva-se à vontade! Discothèque é da época em que o U2 decidiu que ia tentar a vida sendo uma banda de pop music e se deu mal. Eu até gosto da versão original, então se joguem no Radio Edit. U2 tá longe de ser minha banda favorita... bem longe, por sinal... mas tem coisas boas!

Os melhores remixes de hoje são os do David Morales. Novidade! Curiosamente, ele não ahazzou na house music como sempre e foi por um caminho mais club e moderninho. Mas tudo com aquele glamour house que só ele tem. O DM Deep Club Mix é uma delícia pra dançar! Incrível como o vocal do Bono fica ótemo num dance gostoso. O DM TEC Club Mix tem as mesmas batidas, mas mescla mais elementos pop rock da versão original.
Os outros remixes não são tão bons. O Hexidecimal Mix é o mais interessante dos outros e cria todo um clima rock séquisi que eu acho o máximo. O remix do Howie B é estranhíssimo como tudo que ele faz e o David Holmes Mix não faz nem um pouco a minha cabeça...

Alô?! Maddyrain chamando!

Você acaba de adentrar as entranhas do mundo de Maddyrain, uma profissional da "náiti guêi" de São Paulo que ama house music e decidiu fazer a boazinha e compartilhar parte de seu acervo musical.

Filhos da Maddyrain

Ocorreu um erro neste gadget

Maddyrain recomenda!

Arquivos da Maddyrain

Você é da caravana de onde?

Clientes:


Mais detalhes da clientela