Perdidas na Praia Grande

Acordei com o sol ardendo na minha cara. Aquela sensação horrível e já conhecida de Onde eu tô? Com quem eu tô? Olhei ao redor. Areia. Tá, tô na praia. Kilo Minhoca e Litta Walitta estavam comigo. Montadas! A xente tá montada!

_ Kilo! Acorda, vinhada! Litta!
_ Aim... eu tô meio mal... tô grogue. - Kilo Minhoca acordou com a piruka na boca.
_ Eu tô groguíssima... Onde a gente tá?
_ Numa praia! E a xente tá montada!
_ Pelo amor! Diga que é Copacabana!
_ Ou Miami Beach! - um mendigo dormia perto da xente, rodeado por despachos e garrafas de champagne vazia.
_ Moço. Ô seu moço? Acorda, fazofavô?
_ Sai pra lá. Esse canto é meu.
_ Todo seu. Onde a gente tá? Responde ou eu enfio isso aqui onde o sol não brilha faz tempo! - Litta Walitta cutucava o homem com os restos de um rojão.
_ Vocês tão na Praia Grande, poxa! E que roupas engraçadas pra passar o "reveião".
_ Não.... NÃOOOOOOOOO!!
_ Praia Grande... De Miami Beach para Big Beach.
_ Como viemos parar aqui?

Rastejei ao redor em busca de minha bolsinha ou alguma coisa que desse pistas de nosso passado turbulento. Senti areia entrando em cada parte do meu ser. Jesuis, como eu otéion areia entrando no edy! Pra sair é um sufoco! Encontrei minha bolsa. Camisinha, baseado, brilho labial, pó, blush, pacotinho ilícito, celular, chaves de um carro.

_ Kilo, essa chave aqui te diz alguma coisa, agora que você sabe dirigir?
_ Sim! É a chave do carro da Roxxana Veludo!
_ Mistério resolvido, amores. Viemos de carro.
_ Mas e essas roupas? Esse vestido não é meu. E a senhora não tem mais Versace faz tempo, que eu sei!
_ Xente! Esse vestido é da Roxxana! A xente roubou as roupas de montagem da Roxxana Veludo e viemos passar o Ano Novo na Praia Grande!
_ Ai, que passeio de pobre. Não dá pra negar que agora somos do proletariado...
_ Eu tô com fome. Será que a gente comeu alguma coisa na virada?
_ Será que fomos comidas? É diferente. - meti a mão dentro da calcinha (roubada... que nojo!) e verifiquei a circunferência anal - Hmm... eu dei pra uma neca de 18cms! - experiência é tudo nesta vida!
_ Eu também!
_ Yo también! - as duas tiraram a mão da calcinha. Meu celular começou a tocar dentro da bolsinha.
_ Aim, quem é que tá ligando a essa hora?! E a cobrar!
_ Se me ligam a cobrar, eu nem atendo! Não sou obrigada a conviver com a pobreza alheia.
_ Alôin? Patroa Roxxana?! Alô? Pois não?
_ Alejandro?
_ Patroa Roxxana, por que a senhora me ligou a cobrar?!
_ Pra economizar, oras. Onde vocês estão? Dei a folga pra vocês três passarem a virada do ano juntos, mas não o dia primeiro! Podem voltar pro trabalho.
_ Estamos... no litoral.
_ Na Praia Grande?
_ Naum! No Guarujá!
_ Francamente! O Guarujá já foi melhor!
_ Concordo, patroa. Cada figura... Vamos voltar pra São Paulo right now. Um beijo. Amores, nosso passeio antropológico acabou.

Deixamos a praia pra trás repleta de restos da madrugada. Incrível como as pessoas acham que a praia é o banheirão coletivo que todo mundo pediu a Deus. A caminhada até o calçadão foi uma aventura só. Nem morta que eu ia andar naquela areia de origem desconhecida descalça. Fui de salto alto pela areia. Cada passo que eu dava eu me enterrava mais naquele monte de lixo. Kilo Minhoca localizou o nosso carro... ou melhor, o carro de Roxxana Veludo. Um monte de adolescentes caiçaras com cara de perigón dançavam axé em volta.

_ Amores! Amores! Obrigada pelo showzinho básico, mas a xente tem que ir embora. Mocinha! Mocinha com mal gosto gritante, você mesma. Fazofavô de descer do capô do carro? Obrigadjénha.
_ Kilo, você sabe mesmo dirigir, né?
_ Eu não trouxe a gente aqui? Devo saber voltar, ué!
_ Hey, onde as meninas vão? - um caiçara com cara de trombada chegou junto da xente.
_ Oi, tudo baum? A xente vai embora. Foi ótemo vir pra Baixada Paulista, mas a brincadeira acabou. A xente tem que voltar pro trabalho.
_ É. Trabalho. Algo que você devia fazer.
_ Ah, mas não vão, não! - outros dois comparsas se juntaram ao chefe da gangue. Meu edy fechou.
_ Aim... mas a xente volta. Eu prometo!
_ Vocês só vão depois de darem o telefone. - chegou até meu ouvido - Foi o melhor rabinho da noite.
_ Xente... que alívio! Toma aqui meu número, kérido. E pega esse baseado também. Tá cheio de areia. Vocês do litoral é que entendem de areia, néam? Um beijo.

Entramos no carro e deixamos no calçadão mais três clientes contentes com o serviço prestado. No caminho pra São Paulo, paramos no Frango Assado pra tomar um banho rápido, tirar a roupa de mulherzinha e voltarmos pras personas Alejandro, Roberto e Fernando. Mais um ano começava, cheio de aventuras e reviravoltas em nossas vidas...

Um beijo!
Maddyrain

Total Eclipse of the Heart

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2 Bilus felizes:

Maddyrain disse...

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Marco disse...

amoooooooooooo

Alô?! Maddyrain chamando!

Você acaba de adentrar as entranhas do mundo de Maddyrain, uma profissional da "náiti guêi" de São Paulo que ama house music e decidiu fazer a boazinha e compartilhar parte de seu acervo musical.

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