A biluzinha que jogava video game - Parte III

Depois que meu PlayStation foi vítima do descuido de minha mãe, cansei de depender da boa vontade do filho do zelador pra matar meu vício e ter que me esconder sempre que ele vinha pedir o video game de volta. Coitado... já pensou que chatice que devia ser pra ele ter que emprestar o video game pro vizinho e nunca pegar de volta? Mas enfim... era ele ou eu!
Na época, eu achava que era dever cívico e moral do meu então namorado me dar de presente um substituto à altura, ou seja, o video game da nova geração e mega caro, o PlayStation 2. Bom, não preciso nem dizer que se eu estivesse esperando ele pra jogar o PS2, eu estaria até hoje pedindo emprestado o PS1 do filho do zelador! Então, pela primeira vez na história, juntei o que sobrava do meu salário por alguns meses e fui eu mesma comprar a minha felicidade. Quem disse que dinheiro não compra a felicidade não sabe o que tava falando. Devia estar bêbado, néam?

Eu fiquei completos três dias acordada 24 horas por dia sem dormir por um instante completamente loka do meu kool jogando "Grand Theft Auto - Vice City". Xente, aquele jogo mexeu comigo! Eu já conhecia a série desde o finado PS1, mas nunca tinha jogado. Achava horrível aquela vista área. Quando coloquei meus dedinhos sórdidos do Vice City e ouvi Michael Jackson e Kate Bush na rádio do carro, fiquei pasma! Xente! Toca música de verdade nesse jogo! Eu provavelmente nunca tinha jogado algo tão violento e engraçado na minha vida!
Na verdade, o que me impulsionou a comprar o PlayStation 2, além da minha dignidade e poder gritar para o mundo Não dependo de vocês!, foi o lançamento do PÉSSIMO "Tomb Raider - The Angel of Darkness", que levava a saga da Lara Croft pra nova geração de video game e explicava a morte dela no "Tomb Raider 4" do PS1. A decepção foi tão grande que eu dava graças a Diana Ross por ter GTA Vice City por perto!

Com o PS2, passei a encarar a proposta dos jogos de maneira diferente. Os gráficos agora eram, obviamente, mais elaborados, as histórias tinham algo a mais e o ato de jogar video game visto como mera distração juvenil passou a ser passatempo de xente adulta. E solitária. Nessa época, comecei também a achar que o mundo gay não é receptivo a certas formas de diversão que não sejam relacionadas ao culto ao corpo. Craro que, felizmente, ninguém é igual a ninguém.

Agora, mais independente e dona do meu nariz plastificado, comprava só os jogos com críticas positivas e deixei de jogar dinheiro pelos ares quando ia na Galeria Pagé. Craro que isso não impediu de jogar pérolas como o já citado Tomb Raider, mas também vivenciei histórias profundas e que se tornaram clássicos instantâneos para mim, como o incrível "Shadow of the Colossus". O jogo era basicamente você e seu cavalo buscando em um mundo enorme criaturas mais enormes ainda para salvar uma princesa de sabe-se lá qual perigo. Falando assim, parece o remake chato do Mario Bros., mas o jogo era tão tocante e comovente que quando terminei, borrei toda a maquiagem chorando que nem uma condenada.
Outra surpresa mais do que bem-vinda na época do PS2 foi o remix que fizeram com o universo Resident Evil com o "Resident Evil 4". Ainda acho que muito da essência clássica do RE foi infelizmente deixada pra trás, mas concordo que fizeram um trabalho final maravilhoso que culminou num dos melhores jogos do PS2.

O tempo foi passando e surgiu a nova geração de video games. Logo, o PS2 começou a ficar obsoleto e os lançamentos eram cada vez mais raros. Tava na hora de juntar de novo os troquinhos do meu salário e pular do barco antes que ele afundasse e eu ficasse pra sempre jogando GTA San Andreas. Depois de muito analisar o mercado... hmm... de genéricos... e ver que simplesmente não havia pirataria pro PlayStation 3, peguei meus trapos e corri pros braços da Microsoft, que até hoje tenta lutar contra a pirataria, mas depende muito dela pra vender aparelhos.
Na verdade, minha relação com o Xbox 360 foi sempre de medo. Medo de dar as terríveis 3RLs (as três luzes vermelhas, as grandes vilãs que acabam e já fofaram com meu video game uma vez) e de ser banida da Xbox Live. Medo de ser feliz... a loka! E sempre fiquei puta do meu kool com a ausência de RPGs verdadeiramente bons na plataforma, como nos tempos de PS1 e PS2, mas enfim... o mercado consumidor hoje é outro. Acho que nem tenho mais saco pra ficar horas e horas subindo o nível dos personagens pra conseguir matar um chefe... Acho que o que eu mais gostei logo de cara no Xbox 360 foi o sistema de conquistas (ou achievements). Sempre fui a mais nerd do recinto correndo atrás de tudo nos jogos... Agora eu tinha um incentivo a mais! Adógo!

O jogo que fez eu correr pra Sta. Ifigênia e comprar meu Xbox 360 foi, craro, o lançamento mais aguardado da nova geração, "Grand Theft Auto IV". Xente, eu chegava a sonhar com o jogo... com aqueles gráficos melhorados, com as músicas que deviam tocar na rádio... Enfim, só pensava nesse jogo! A única coisa que me decepcionou no GTA da nova geração foi a escolha das rádios, mas isso é de menos, néam?
Outro título que me deixou com a calcinha úmida foi "Assassin's Creed". Eu ficava parada na frente da tela só olhando os detalhes das cidades históricas, mesmo sem entender bulufas da história! Além disso, não dá pra contar as intermináveis horas gastas jogando online "Call of Duty - Modern Warfare 2" e o novo "Call of Duty - Black Ops", jogos de hominho. Com o Xbox Live, o vício foi lançado para um nível mil vezes superior! Uma coisa de loko que eu preciso administrar melhor neste ano...

Enfim, termino aqui a saga da biluzinha que jogava (e joga) MUITO video game e que felizmente olha pra trás e só tem lembranças boas. Aprendi muitas coisas que com certeza não encontrei na vida noturna e busquei refúgio nas horas mais insuportáveis da minha vida familiar. E, ahazzando no clichê, posso dizer que alguns jogos marcaram alguns momentos da minha vida e SEMPRE lembro do que eu tava jogando na ocasião. Lembro com muito carinho e saudades quando minha vó, que aparentemente tava dormindo, me surpreendeu e comentou "Esse homem mata todo mundo" enquanto eu jogava "Grand Theft Auto - San Andreas". Lembro do Natal, data que eu otéion, que passei literalmente jogando "Manhunt", definitivamente o jogo mais violento EVER! E também de quando eu buscava na beleza gráfica do "Assassin's Creed" um pouco de serenidade pra passar as tristes horas em que eu pedi "um tempo" pro amor da minha vida...

Um pouco alienada, eu sei... Às vezes, sei mais sobre os lançamentos no mundo dos video games do que sobre o que ocorre na vida cotidiana do Brasil, mas feliz, com meu controle na mão, movimentos rápidos dos dedos, olhos vidrados e horas e mais horas de "Final Fantasy XIII" pela frente...

Um beijo,
Maddyrain

I'll Be Your Friend

Demo Mix
Original Def Mix
7" Radio Mix
Glamourous Mix
Def Instrumental
Dead Zone
Dub Mix
Mo Mo Beats
Oakenfold Edit of Original Def Mix
Prince Quick's Amped Up Pass
10,000 Leagues Under N.Y.C.
Into the Millenium
Dekkard's Satellite Vocal
S.P.S. Customised Caned Mix

I'll be your friend until the end of time...

Amigos também chupam o edy um do outro:
Hoje é dia de classic house aqui no blog, meus amores! I'll Be Your Friend representa tudo o que você precisa saber sobre house, tzá? Se você jogou "Grant Theft Auto San Andreas", você provavelmente ouviu essa música tocando na rádio. Se não jogou e não conhece, se joga no maravilhoso Original Def Mix! Remix de quem? De quem? Do David Morales, néam?! Todos os outros remixes dele são extremamente parecidos entre si e não fogem muito da versão principal. Como sempre, o Dead Zone é o mais diferente, com uma pegada mais tribal. O edit do Paul Oakenfold também não muda muita coisa, mas deixa o tempo mais acelerado. Podem pegar o Oakenfold Edit of Original Def Mix só pra não perder a viagem...

Os outros remixes são bem diferentes e interessantes por fugirem bem do housezinho da original. Eu geralmente detesto os remixes do Prince Quick, mas até que ele não cagou completamente dessa vez. O Prince Quick's Amped Up Pass tem batidas bem marcadas e é gostoso pra tocar no final da festa... pra por o povo pra correr! A loka! O Dekkard's Satellite Vocal é uma tentativa de fazer algo mais travesti e club diva. Tem até um piano novo legalzinho. Dá pra você balançar o cabelo gostoso! Por fim, o S.P.S. Customised Caned Mix também segue essa linha club e é válido!

3 Bilus felizes:

Saulo disse...

Lara Croft é um caso a ser estudado. Depois do TR IV, a C.D. parece que não conseguia mais ter controle sobre a série; Já esqueci quantas vezes ela morreu, foi ressuscitada, ou teve que nascer novamente com o passado totalmente apagado. Você não sabe mais quem ela é, apenas que se chama Lara Croft. A Square Enix comprou a Eidos e o que aconteceu? Larinha ganhará um novo jogo e a Crystal Dynamics já providenciou mais uma cirurgia plástica total na senhorita Croft. Veremos como será o jogo.
O problema dos J-RPGs dessa geração não ficou apenas no 360, Maddy. É escassez total mesmo e o PS3 sofre do mesmo mal. Dá pra contar a dedo os J-RPGs dessa geração: Eternal Sonata; Star Ocean The Last Hope; Tales of Vesperia; Resonance Of Fate, FFXIII. Eles só estão em alta nos portáteis: PSP e Nintendo DS.
Ah, falando em FFXIII, sairá uma continuação do jogo - como aconteceu no X - será FFXIII-2. Vamos ver no que vai dar.
Ah e eu adorava essa música de GTA (apesar de não ser fã do jogo), meu sobrinho vivia cantando essa música de tanto ver meu irmão jogar. xD

Maddyrain disse...

Aim, Saulo, apesar dos pesares, ainda sou fã da Lara. Achei o máximo o remake do TR1, mas nada bate o primeirão. Acho lindo! Também tô ansiosa pelo novo jogo dela.. vamos ver o que eles fazem com a bunita, mas confesso que ainda não joguei a versão online lançada no ano passado.

Destes RPGs que você citou, só não tenho o Resonance of Fate. Achei Eternal Sonata lindíssimo e ainda não terminei Star Ocean e Tales of Vesperia (muito difícil!)...

FFXIII foi uma grande decepção, mas morri de chorar no final... super triste!!

Gostei muito do retorno dos meus leitores sobre os posts recentes. Empolguei geral e teremos mais posts sobre video game em breve!

Um beijo
Maddyrain

Raphael disse...

Aim, Maddy, de longe esses post sobre video games foi os q mais me emocionaram. Nuncam e identifiquei tanto com o q vc escreceu como agora. Sério. Sempre me senti uma bilu meio estranha por esse lado meio nerd. Enquanto meus amigos sonhavam em dar pinta em boate e ficarem bebados, minha unica preocupação era o qnt eu ainda precisava juntar p/ poder comprar meu X-Box. Bjos!!

Alô?! Maddyrain chamando!

Você acaba de adentrar as entranhas do mundo de Maddyrain, uma profissional da "náiti guêi" de São Paulo que ama house music e decidiu fazer a boazinha e compartilhar parte de seu acervo musical.

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