Em busca de uma identidade

Uma vez conheci um tiozinho no chat do UOL que, longe de ser atraente, era bom de papo. Como eu não faço a linha geriátrica, deixei bem claro desde sempre que nunca ia rolar nada além de amizade entre a xente. Ele, aparentemente, aceitou minhas condições e eu adorava sair da faculdade e passar na casa dele pra jantar, tomar vinho e conversar sobre literatura, vida e futuro. Ele dizia que sabia prever o futuro na palma da mão. Sempre adorei conversar com xente que alega esse tipo de coisa. Acho o misticismo... assim... tão místico! Quando ele tomou minha mão pra ver o futuro, disse com convicção que eu morreria muito jovem. O kool piscou e pirei na batatinha. Meu amô, você em noção do quanto eu morro de medo da morte?! Nem brinca com uma coisa dessa! Quero ser Highlander e viver pra sempre!

Afastei minha mão e fechei a cara num edy sem chuca. Olha, ver que você vai arranjar um bophy ou trocar de emprego, é uma coisa... agora vir falar quando eu vou morrer... meu kool, néam? Continuamos conversando sobre banalidades e mortalidades e ele falou que eu era como uma colcha de retalhos. Na verdade, disse que eu era como um porto onde vários navios aportavam, deixavam sua marca e partiam, formando essa colcha de retalhos que me constituia. Depois, com o tempo, acabei com nossas noites de vinho e papo quando ele veio cheio das graças apalpar minha bunda.

De toda forma, fiquei com essa história do porto na cabeça por muito tempo. Sempre achei que todos me viam como uma bilu autêntica, de temperamento forte e opinões formadas. Afinal, o que é ser autêntico? Todo mundo é tem alguém como base. Não vou dizer que concordei 100% com o que ele disse. É praticamente impossível quando estamos num relacionamento não sofrermos influência dos gostos, preferências, opiniões e ideias do parceiro. Não dá pra namorar alguém com as mesmas crenças que você. Já pensou que chatice seria não ter conversa ou discussão sobre pontos de vista diferentes? E não somos só influenciados pelo namorado. E os amigos?
Bom, já que não dá pra não ser influenciado, ainda que pouco, pelos outros, peguei minha agenda e fui rever como havia sido meus antigos relacionamentos. Queria ver quanto eu havia cedido e mudado minha essência neles.

É fato que seu primeiro namoro será aquele que mais tem cagada, ainda mais quando ele ocorre quando você tá formando sua visão de mundo. Se você fica pulando de galho em galho e finalmente sossega a pirikita mais velho, as coisas são um pouco mais fáceis e os erros imbecis da inexperiência podem ser evitados. Agora, meu amô, quando você mal saiu das fraldas, ainda depende dos pais pra sobreviver e tem nojo de bokétji, como agir na primeira crise de ciúmes? Sai metralhando todo mundo, néam?
Meu primeiro namoro já tinha passado há um bom tempo e fui direto nele ver a origem da minha crise de identidade. Com um aperto imenso no coração lembrei o quanto eu era infeliz, mas queria parecer feliz e forçar tudo. Eu assumia literalmente várias personas e nunca fui eu mesma. Aliás, é bem capaz que meu primeiro namorado nunca tenha me conhecido de verdade. Bom... ainda bem! Hoje em dia, looking back, eu nem teria começado o relacionamento, mas enfim... A experiência é uma armadilha; ela adora querer apagar o passado. O que tá feito, já tá feito.

Fui então deixando de fingir ser alguém diferente quando conhecia os bophys pela Internet ou na buatchi. Claro que não começava a desmunhecar logo no primeiro encontro, néam? A xente também não precisa assustar os pretendentes logo de cara! Mas também não fingia interesse quando ele não existia. Não dava ouvido pros papos de aranha habituais. Enfim, essas coisas.

O que eu quero dizer, meu amô, é que a xente não precisa mudar quem somos pelos outros. Não precisa começar a gostar de coisas que você jamais se interessaria sozinho só pra agradar seu namorado. Claro que é super legal conhecer coisas novas, mas nem tudo precisa vir mastigado na sua boca. Não precisa fingir que entende tudo que o seu bophy tá falando só pra puxar assunto. É tão comum a xente querer disfaçar nossa ignorância com mentiras ingênuas. O babadu é tentar criar uma personalidade só sua. Não precisa ser imutável, mas memorável...

Um beijo,
Maddyrain

Notgonnachange

7" Version
Dashi 1 Mix
New Jack Swing Out Mix
Classic Club Mix
Classic Song Mix
Mix of Drama

In this world, nothing lasts forever...

Chupa meu edy mutante:
Calma, amore. Se você tá se coçando toda e perguntando "Quem caralho é Swing Out Sister?", assista o clip de "Am I the Same Girl?" ou "Breakout" que você vai lembrar na hora! Se mesmo assim você não reconhecer, se mata, meu amô. A vida é mais do que pop stars curtindo seus 15 minutos de fama. Notgonnachange é puro pop do final dos anos 80. Uma delícia! Podem pegar a 7" Version pra conhecer. O New Jack Swing Out Mix tem toda uma pegada dance que me lembra os primeiros singles da Mariah Carey, não sei explicar...

Mas, meu amô, o babadu do post de hoje são os remixes do God on Earth, Frankie Knuckles! Se joga com todo seu glamour house no Classic Club Mix! Um ahazzo de produção e house music com um pianinho que me deixa TODA cagada! E aquele finalzinho todo acapella? Adógo! É uma verdadeira lição de remixagem. O Classic Song Mix é basicamente uma versão editada, sem grandes diferenças, enquanto que o Mix of Drama é a versão dub super bonita. Depois joga a cueca, porque ela ficará toda melada!

0 Bilus felizes:

Alô?! Maddyrain chamando!

Você acaba de adentrar as entranhas do mundo de Maddyrain, uma profissional da "náiti guêi" de São Paulo que ama house music e decidiu fazer a boazinha e compartilhar parte de seu acervo musical.

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