O chá da masculinidade

_ Maddie... ai, eu posso continuar te chamanu de Maddyrain, né? Esse lance de Alejandro é muito novo pra mim, tá sabenu?
_ Pode, Kilo Minhoca. Só não me chame de Maddyrain quando eu estiver TENTANDO masculinizar, néam? Vai ficar muito fake.
_ Então... é sobre isso mesmo que eu queria te dar uma dika útil. Você trouxe a peruca, né? Tá super estranho uma freira com barba por fazer e cabelo Joãozinho no metrô...
_ Gata, coloca a peruca. Não acordei pra ser espancada hoje. - atóron a sutileza da travesti brasileira da Litta Walitta. Eu não tinha muito o que levar do Convento de Nossa Senhora Balalaika, mas não podia pra deixar pra trás um dos últimos resquícios de minha phemynylidadji - E esse peitinho, gata? É natural ainda?
_ Naum... aim, que vergonça. Eu admito! São meias enroladas! É horrível andar pra lá e pra cá com dois pares no sutiã! Os sutiãs não foram criados pra carregar meias!

_ Maddie, antes meias do que próteses defeituosas. Certa vez, conheci uma trava no Arouche que tinha um peito maior que o outro e um terceiro brotando no meio dos dois. Um monstro do Lago Ness!
_ Aim, Kilo. Obrigada pela tentativa de consolo. Onde a xente tá indo mesmo? Pra Ilha do Bororé? Agora que sou hómi, ninguém vai me reconhecer, néam, Litta?
_ Acho melhor a gente ir pro quartinho da Kilo Minhoca, Maddyrain...
_ Mas cabe nós três lá?
_ Meu quartinho é igual kool de passiva, gata. Sempre cabe mais uma neca. Certa vez, conheci uma ivoninha na buatchi que jurava ter feito TP!
_ TP?
_ Tripla Penetração!
_ Aim, que loucura! Essa não conseguia mais segurar um peidinho!

Duas baldeações depois, chegamos no cômodo que servia de lar pra Kilo Minhoca. Não era o lugar mais bonito do mundo, mas tava bom pra passar a noite. Durante a viagem de metrô, tinha pensado num plano loko do meu kool, mas o babadu agora era convencer as duas a me ajudarem. O pior é que eu não tinha um padê comigo! Revirei minha sacola plástica e não encontrei nada. O desespero tomou conta do meu ser.

_ Aim, cadê!? Não acredito! Não acredito! Tô loka!
_ Gata, para de agitar os braços! Aqui é pequeno, vai quebrar alguma coisa ou acertar a gente na cara! Kilo, você tem algum calmante aqui?
_ Não. Emprestei meu Alexandre Pires pra bunita e virou comida de freira.
_ Meninas, esqueci meu padê lá no convento! Além do prazer carnal, as freiras vão se entupir do prazer alucinógeno!
_ Calma, Maddie! Eu tenho cogumelo aqui. Vamos fazer um cházinho.
_ ...
_ Que foi?
_ Gomoasí "eu tenho cogumelo aqui"? Cogumelo da Bridget Jones? Você anda com cogumelo da Bridget Jones em casa, mona? Xente... eu criei monstrinhos mesmo! Bom, antes que a xente fique pelada e sensualizando uma com a outra, deixa eu falar que amanhã preciso comprar algumas coisas masculinas pra eu vestir. Não posso passar os restos dos meus dias usando o hábito.
_ Maus hábitos, aliás.

O quartinho de Kilo Minhoca conseguia ser ainda menor que meu cafofo na Ilha do Bororé. Uma proeza e tanto! Kilo havia desativado o banheiro pra virar o guarda-peruca e toda vez que a bexiga enchia, tínhamos que usar o banheirinho compartilhado da vila em que o quartinho ficava. Pra uma trava morar sozinha e receber eventualmente um ou dois bophys, tava muito bom, mas pra três travas... ou melhor, duas travas e uma ex-trava... o quartinho ficou minúsculo. O chá de cogumelo alucinógeno ficou pronto. Incrível o gosto de merda que essa porra tem! Antes de encher a boca de merda líquida, deixei as meninas se embriagarem, ficarem lokas dos seus respectivos buracos do metrô e contei o meu plano.

_ Amores, vamos falar sério... se é que é possível agora. Eu tenho um plano, mas vou precisar da ajuda e vocês duas.
_ Envolve cunete? Eu não vou chupar o seu kool.
_ Não... infelizmente não envolve cunétji. Aliás, adoraria um cunétji, assim... right now.
_ Yo también. - sempre que Kilo Minhoca se colocava, uma persona latino-mexicana incorporava na bunita.
_ O babadu é o seguinte, dois pontos. Preciso que as duas passem um tempo longe de suas versões phemynynas.
_ Ai, pera aí. Repete de novo? Eu tava prestando atenção nesses pontinhos coloridos que tão saindo do seu nariz. Que loucura! Você já foi ao médico dar uma olhadinha? Eu devo ter um remédinho pra isso.
_ Kilo, olha pra mim. Prestanção. você não tinha dito que a Roxxana Veludo tá procurando três novos empregados pra casa dela?
_ Yo lamiento, pero que no sey do que tu stas hablando? Yo soy una diva del cabaret cubano!
_ Jesus Pinto de Luz, Maria de Lourdes e Rocco... paciência... Amore, Litta... prestanção você agora. Eu vou precisar que você e Kilo Minhoca deixem de ser travesti por uns tempos. Quero que vocês voltem a ser bophyinhos que nem eu. Será que é possível isso?

As três pararam de rir, delirar e abstrair no mesmo instante. Lá fora, o guarda noturno passava de moto apitando e assustando os possíveis gatunos da região. Dentro do quartinho minúsculo, as três suavam com o calor que vinha dos copos de chá.

_ Você é muito abusada de tentar deixar a gente lesada o suficiente pra aceitar isso que você tá pedindo, né Dona Maddyrain?
_ Aim, gata... eu sei que é bem uó o que eu tô pedindo, mas eu vou precisar da presença de vocês duas lá na casa da Roxxana Veludo.
_ Como assim deixar de ser travesti, Maddie? Eu nem lembro mais qual é a cor original do meu cabelo. Nem sei mais como andar como bophy.
_ E eu vou ganhar dinheiro como, Maddyrain? Cozinhando pra sua inimiga? Eu sou uma travesti de renome internacional! Já fui até pra Itália!
_ Gatas, eu só tó pedindo isso porque somos best friends ever...
_ E se as travestis não cuidam uma da outra, quem é que vai cuidar? Eu vou tentar virar hominho outra vez, Maddie. Não vou virar um Alexandre Frota, mas acho que um Luan Santana tá bom, né?
_ Aim, Kilo... obrigada!
_ Hmpf, eu só quero ver onde isso vai dar, viu? Podem contar comigo também. Vocês duas são doidas...

Passamos o resto da noite tomando o chá de Kilo Minhoca. Ficamos loucas, choramos, rimos, dublamos Madonna, fofocamos sobre a vida das outras, entramos na Internet, chamamos três bophys pra comer a xente, fizemos uma mega almôndega humana... Enfim, essas coisas de amigas.

Um beijo,
Maddyrain

I'm Not Scared

LP Version
J'ai Pas Peur - French Version
10" Remix
Radio Mix (low quality...)
Disco Mix
Little Louie Vega Mix
Little Louie Vega Club Mix
Dub Version
bonus track: Pet Shop Boys - I'm Not Scared

If I was you I wouldn't treat me the way you do...

Chupa meu edy sem medo:
Xente, nem me perguntem quem garai é a banda Eighth Wonder, porque eu não sei. O importante é saber que eles gravaram I'm Not Scared, música escrita e produzida pelos gurus e mais do que amados Pet Shop Boys. Podem pegar a LP Version que é bonitinha, super pop dos anos 80. O Disco Mix é basicamente uma versão mega extended também remixado pelos PSB. Atóron essas extended versions dos anos 80. Os outros remixes ficaram a cargo do Louie Vega, dos Masters at Work, mas não fazem a minha cabeça. Na verdade, o post de hoje é toda uma desculpa pra apresentar a MARAVILHOSA versão dos Pet Shop Boys lançada no clássico disco Introspective. Podem se jogar porque é mais do que recomendável!

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Alô?! Maddyrain chamando!

Você acaba de adentrar as entranhas do mundo de Maddyrain, uma profissional da "náiti guêi" de São Paulo que ama house music e decidiu fazer a boazinha e compartilhar parte de seu acervo musical.

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