Uma defunta muito santa

Sai desesperada pelo corredor principal do convento gritando e batendo nas portas dos quartos completamente loka do meu respectivo kool. Era só o que me faltava a mulher cair dura, ali, na minha frente! Só faltava jogar a culpa em mim, porque vocês sabem, a culpa é sempre da travesti!

_ Socorro! Tem uma cadáver no meu quarto! Socorro!
_ Irmã Pirassununga, o que está acontecendo?
_ A Irmã 51 morreu, tadinha! Eu não tenho nada com isso, eu juro! A xente tava batendo um papo gostoso e descontraído e ela morreu!
_ Vá até o quarto da madre! Eu vou acordar as outras irmãs! - cheguei na porta do quarto da Madre Absolute e comecei a berrar.
_ Madre! Acorda, garai! - a bunita abriu a porta assustada. Era uma visão do inferno. O cabelo todo preso pra cima, num amontoado que deixaria Diana Ross com inveja. Toda a religiosidade diária do hábito havia sido substituída por um babydoll muito do safadinho, semi-transparente, mas preto, pra manter as aparências - Madre Absolute, a Irmã 51 morreu! Tá lá, dura que nem pedra, no nosso quarto! Jesuis, não tenho nada com isso! Não fui eu, eu juro!
_ Irmã Pirassununga, acalme-se! Vamos até lá! - olhei por cima dos ombros dela e vi um movimento suspeito no quarto.
_ Aim, madre, vai na frente. Eu tô com vontade de fazer gogozito.
_ Por Deus, isso é hora de querer cagar?
_ Gata, depois dos 30, não dá mais pra se controlar. - a madre seguiu apressada pelo corredor. Esperei um momentinho e entrei no quarto - Quem é que tá aqui dentro? Manifeste-se em nome do Senhor! Estou munida da Bíblia e do último número da G Magazine! - ouvi um barulho vindo de dentro do guarda-roupa. Com toda cara e coragem da travesti brasileira, abri o armário e me deparei com um velho completamente pelado, com a nequinha miúda toda enrolada - Aim, quem é você?!
_ Em nome do Nosso Senhor Salvador, por favor, feche a porta do armário e finja que nunca me viu!
_ Levanta daí! Não sou tão santa assim pra você se ajoelhar na minha frente! Quem é você? Que você tá fazendo no armário da Madre Absolute?
_ Eu sou o Monge Superior do Mosteiro de São Bento.
_ Ela tá aquendando o vizinho!? Que óbiveo...
_ Eu lhe peço, irmã, não conte para ninguém que me encontrou aqui!
_ Olha, seu padre, eu sou uma mulher da vida... da rua. Pode deixar que eu não vou contar nada pra ninguém, mas que agora a Madre Absolute tá na minha mão, ah, ela tá! Agora, vai! Se troca e foge logo daqui, porque o convento vai pegar fogo. Uma das irmãs morreu e vai demorar pras irmãs pegarem no sono de novo.

Sai do quarto e deixei o monge se trocando sozinho com sua vergonha. Que babadu! Podia ser um noviço bonitinho, gostosinho e necudinho, néam? Mas naum! Tinha que ser um velhote com a neca miúda e inútil! Voltei pro meu quarto, agora entupido de mulher. Algumas choravam, outras se debruçavam pra olhar o que tava acontecendo lá dentro. Abri caminho pela mulherada e, no centro do quarto, caída no chão, estava a Irmã 51. O corpo todo magrinho, mas com um sorriso contente no rosto. Olhei pra lua pela janela. Acho tão uó ver xente morta.

_ Temos que dar início aos preparativos para a missa. Irmã Bloody Mary, ligue para a funerária que sempre cuida desses assuntos. Precisamos vestir a Irmã 51 devidamente. Irmã Caipirinha, vá até o subsolo e veja se tem lugar para a irmã em um dos freezers. Se não tiver, tire a irmã mais velha de lá.
_ Xente... não tô entendendo...
_ Você entenderá durante o enterro, Irmã Pirassununga. O resto de vocês pode voltar para a cama. Amanhã será um dia muito longo e a Irmã Pirassununga precisa descansar. Querida, pode me ajudar a carregar o corpo até a cozinha? Vamos deitá-la na mesa de refeições. Amanhã de manhã, os agentes funerários já terão preparado o corpo e poderemos dar o nosso adeus à Irmã 51.

Peguei a Irmã 51 pelas pernas e a madre ficou com os braços. Fomos carregando a irmã até a cozinha como se fosse um saco de batata. Deixamos o corpo em cima da mesa e a madre revirou o molho de chaves que sempre levava em volta do pescoço, fazendo aquele barulho infernal de chaves por onde ia. Escolheu uma qualquer, caminhou até uma das geladeiras que era trancada e tirou de lá uma garrafa de Absolute.

_ Hoje a noite merece. Você aceita?
_ Pergunta pro macaco se ele quer banana, meu amô! Claro que quero! - encheu dois copos americanos até a boca de vodka pura.
_ Como é que ela morreu, irmã?
_ Eu já falei. Não tenho nada com isso! Estávamos conversando e olhando o luar quando ela caiu dura.
_ Bom, ela andava muito adoentada...
_ Eu sei; ela me contou o que tinha.
_ Ah, contou? Bom, espero contar com sua discrição neste momento, Irmã Pirassununga. Nem todas as irmãs poderão aceitar a doença da Irmã 51 tranquilamente, você compreende, né?
_ Pode deixar, gata. Aliás, o seu segredo também tá seguro comigo.
_ Qual segredo...?
_ O tiozinho da Sukita que tava escondido no seu armário, gata.
_ Você entrou no meu quarto!?
_ Gata, invadir o quarto de alguém é o menor dos meus pecados. - a bichinha ficou nervosa. Encheu outro copo até a boca e virou tudo de uma vez. Levantou-se e guardou a garrafa sem nem me oferecer mais.
_ Boa noite, Irmã Pirassununga.

Sabe, chega uma época na nossa vida em que a xente percebe uma coisa muito triste: não existe essa de beber socialmente. Você molhou o biquinho com vodka, meu amô, então é bom encher o edy de pinga e dar showzinho básico, porque esses lances de beber só um pouquinho e ir dormir não rola. Levantei, fui até a geladeira trancafiada, tirei um grampo que prendia a piruka e, com toda a graça e técnica de Maddyrain, abri o paraíso da Madre Superiora. A geladeira tava cheia de refrigerante e vodka. Na parte de cima, potes de sorvete e tortas. Peguei uma torta holandesa (minha favorita), a garrafa de Absolute que estávamos bebendo e uma Coca pra fazer uma Cuba Libre no capricho e passei o resto da noite bebendo e comendo à memória da Irmã 51.

Um beijo,
Maddyrain

Im Nin'Alu

7" English Mix
Version 2000
Version 2008
Unplugged Mix
Extended Mix
Played in Full Mix
Exclusive Instrumental Mix
Gates of Heaven Mix
Brixxton Squad Mix
The Bridge Mix

You know I love you like no other...

Chupa meu edy no deserto:
Amores, a música de hoje é um clássico! Se você nunca ouviu os gemidos da Ofra Haza, uma das vozes mais belas do Oriente, hoje titia Maddyrain vai te apresentar à diva israelita! Eu fiquei passé compossé quando descobri que a Ofra Haza morreu em 2000 de AIDS. Não sabia! Pra festejar com honra essa mulher incrível, vamos se jogar no 7" English Mix de Im Nin'Alu! As mais velhinhas do recinto talvez já a conheçam. É talvez o maior hit da carreira dela no exterior, por isso foi relançada algumas vezes. Nenhuma das outras versões é tão boa quanto a original, mas podem pegar o Unplugged Mix que é MUITO lindo! Dá até vontade de chorar! Que dó... Assim como nenhuma versão atualizada é muito boa, o mesmo ocorre com os remixes. Então, meus amores, podem ficar com o Extended Mix e o The Bridge Mix, que é um pouco loko do meu kool!

Maddyrain não tem, Maddyrain quer:
Aim, amores, confesso que procurei, procurei e procurei, mas não encontrei nenhuma das versões abaixo. Então, se você tem alguma delas, ahazza no coletivismo e me manda, tzá?

7" yemen vocal 4:50
ofra goes to hollywood mix 5:15
some skunk funk remix 7:30

Alô?! Maddyrain chamando!

Você acaba de adentrar as entranhas do mundo de Maddyrain, uma profissional da "náiti guêi" de São Paulo que ama house music e decidiu fazer a boazinha e compartilhar parte de seu acervo musical.

Filhos da Maddyrain

Ocorreu um erro neste gadget

Maddyrain recomenda!

Arquivos da Maddyrain

Você é da caravana de onde?

Clientes:


Mais detalhes da clientela