Quando fecha a buatchi...

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No último sábado eu tava tomando meu café da manhã básico com as outras irmãs no convento quando li uma notícia que arrepiou até os pelinhos mais rebeldes do meu edy: a buatchi SoGo fecharia suas portas para sempre e daria espaço a um restaurante. Fiquei bege. Gomoasí restaurante? Gomoasí fechar a SoGo!? O último reduto guêi da Consolação! Pra onde iriam os órfãos da SoGo? E, principalmente, os órfãos do dark room babadu de lá?! Voltei pro meu quartinho com a notícia ainda rebatendo na cabeça. Eu sei que buatchis guêis abrem e fecham como água, mas mesmo assim... Bom, hoje eu farei um post todo dedicado à memória da SoGo e vou contar algumas coisas que vivi lá.

Eu e Kilo Minhoca descobrimos a SoGo quando a Tunnel já tava cansando a nossa beleza intestinal com aquela mulekada atrevida e sem glamour. Procuramos uma balada diferente, com homens de verdade, sem muito pão com ovo. Primeiros fomos na finada Puerto Libre, que mais parecia um bingo no Caribe. Não funcionou. O som era péssimo, pra dizer o mínimo. Descemos um pouco mais a Consolação, que na época era um dos lugares mais fervidos de São Paulo. Tínhamos duas opções na região, a também finada UltraLounge ou a SoGo. Escolhemos a primeira e passamos a bater cartão lá só nós duas durante alguns meses. Todos sábados líberávamos purpurina na dancefloor com o melhor (e pior) dos anos 80 e 90. Xente, tudo que eu mais queria era dançar All or Nothing, Strong Enough e Walking in Memphis na buatchi e as três tocavam lá TODOS os sábados! Nunca faltava Whitney com The Greatest Love of All e Madonna com Frozen. Enfim, a variação musical não era muito grande, mas era tão gostoso saber a sequência musical de sempre. Você já ia preparada pra coreografia.

Foi na SoGo que conheci minha finada amiga Shitnew Houston, que Diana Ross a tenha sabe-se lá onde. A primeira coisa que a bunita me falou quando me conheceu foi que me achava a vinhada mais colocada do recinto e queria conhecer meu dealer. A loka! Eu só atraio xente dubéin, perceberam?
Conheci lá também uma das rachas mais doidas que eu já vi na vida. LITERALMENTE doida. O apelido da bunita era Ozzy. Já deu pra imaginar a figura, néam? Toda de preto, cabelos numa constante briga conjugal com a cabeça e sempre uma bolsinha amarrada na cintura. Ela fez questão de se apaixonar pela biluzinha geriátrica da turma. Vivia pagando drinks pra ele e todas nós. Só não pagava a minha entrada porque eu achava muita maldade com a moça. Certa vez, ela se desentendeu com a Shitnew Houston. Disse que não gostava dela... assim... na cara dura. Shitnew Houston sempre foi uma escorpiana muito da maldita. Esperou a bunita voltar pro bar e botou fogo no cabelo dela! E o cheiro de cabelo queimado!? Um horror...

Também já tive muita paixonite na SoGo, sempre por gogo boys e barmen. Aliás, minha sina na época era aquendar esse povo. Os barmen eram tão sensuais, preparando os drinks com aquele olhar sedutor. Conheci um chamado Renato e ele foi o principal motivo pra eu ir pra SoGo durante semanas. Confesso que não lembro muito bem da cara dele, mas tenho até hoje na casa da Litta Walitta o mexedor de drink que ele me deu. Não foi muito fofo?
Foi na SoGo também que desenvolvi meu vício (que já passou) por absinto. Por Diana Ross, a noite não era noite se eu não bebia pelo menos dois copos longos de absinto puro com gelo. Não preciso nem dizer que eu me tornava a travesti mais fácil da avenida depois disso, néam? Os porres também eram monumentais, com direito a sair vomitando escada abaixo, na maior cascata etílica do mundo.

E o dark room? Foi lá que eu desenvolvi um prazer e carinho todo especial pelo quarto escuro. Acho que foi lá que minha fama de Rainha do Dark Room nasceu. Ia toda sorridente e sem sentir nenhuma parte do meu corpo depois dos absintos pra fila do dark room, que lá levava o carinhoso e sugestivo nome de Dungeon. Ainda caio na gargalhada com Litta Walitta e Alvina Petronilia quando lembramos de nosso show das bucetinhas na sala espelhada, com toda uma plateia sedenta por nossos corpos assistindo tudo. E a vergonça da vez em que quase gorfei durante um kétchi vítima da terrível fada verde?
Na época em que passava aquela novela maravilhosa, "O Clone", na TV, a mania era entrar no breu do dark room e sair gritando Mel, você tá aí? Larga esse frasco de perfume e venha para a luz!. Certa vez fui colocada pra fora do dark room! Alegaram que eu tava causando muito e atrapalhando a fofação dos outros! Vê se pode!

Enfim, buatchis vêm e vão, mas as boas lembranças ficam para sempre. Foi na SoGo que estabeleci laços mais fortes com minhas amigas Litta Walitta e Kilo Minhoca. Laços estes que duram até hoje. Foi lá que conheci músicas que me embalam até hoje. Nunca conheci nenhum bophy digno de minha paixão por lá, mas conheci muita xente interessante também. A buatchi fecha, mas a experiência lá vivida continua.

Um beijo especial pra você, que também virou órfão da SoGo.
Maddyrain

[modo "Confissões de Absorvente" off.]

Strong Enough

Male Version
Club 69 Future Anthem Mix
Club 69 Future Anthem Short Mix Edit
Club 69 Future Anthem Instrumental
Club 69 Phunk Mix

Pumpin' Dolls Cashmere Club Mix
Pumpin' Dolls Vocal Epic Club Mix
Pumpin' Dolls Radio Edit
D-Bop's Melt Mix
Marc Andrews Remix Edit

On being used, I could write a book...

Chupa meu edy no dark room:
Xente, que loucura! Quase dois anos de blog e só agora eu fui postar Cher! Que heresia guêi, néam? Bom, confesso que Cher nunca foi meu forte, mas acho um ahazzo. Strong Enough é uma das minhas músicas favoritas da bunita e já despiroquei horrores com ela na buatchi. Podem pegar a Male Version, que é basicamente a versão original só que com a letra no masculino, porque a Cher sabe que provavelmente não tem NENHUM fã hetero. Abaphe the case...

Os remixes têm a cara do final da década de 90, ou seja, club diva totais. Na época, Peter Rauhofer não era o arroz de festa chato de hoje e era mais fazible, by the way. O Club 69 Future Anthem Mix era o remix que tocava na buatchi na época e já vi muito vinhado perder a compostura quando toca Cher na noite. O clima dos remixes assinados como Club 69 é sempre muito club e marcou uma época que deixou saudades. O Club 69 Phunk Mix é bem diferente do Future Mix, uma coisa mais underground, sabem? Podem pegar.
Os dois remixes do Pumpin' Dolls também são bem diferentes entre si. O Pumpin' Dolls Vocal Epic Club é mais pintoso e vinhado. Perfeito pra você dar pinta enquanto limpa a casa. Já o Pumpin' Dolls Cashmere Club Mix segue a linha mais fervo. Aim, pega logo os dois! Os outros remixes a xente finge que não existem.

1 Bilus felizes:

Jorge Ramiro disse...

Acho Sheer sempre mantém um estilo formidável. Nunca fica velha. É como quando há 40 anos. Os cabelos coloridos encaixar muito bem.

Alô?! Maddyrain chamando!

Você acaba de adentrar as entranhas do mundo de Maddyrain, uma profissional da "náiti guêi" de São Paulo que ama house music e decidiu fazer a boazinha e compartilhar parte de seu acervo musical.

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