O monstro do armário

Quando eu abria meu armário, ele era assim: um monte de vestido Prada, Versace, Gucci e Marisa pendurado nos cabides. Na parte de baixo, meus sapatos... não sou muito ligada a sapatos, confesso que prefiro necas. Naquele cantinho babadu e super secreto, minha coleção de padê de origem desconhecida que eu não gosto de compartilhar. Já pensou dá um puta piriri nas amigas e a culpa é minha? Tô fora! Nas várias gavetas, várias calcinhas e todo aquele apetrecho phemynyno e variações de pataria by Calvin Klein. Aim, sempre achei que a marca Calvin Klein só foi criada pra fazer cueca séquisi. Num cantinho ao abrigo da luz solar, meus kéridos perfumes, porque quem deixa perfume no banheiro tomando sol e vapor do banho é uó! Esse era o meu armário nos meus tempos de glória. Hoje em dia a xente abaphe the case... Mas já pensou abrir o armário e dar de cara com uma bilu escondida lá dentro, com medo de sair e enfrentar a vida?

Pois é, meus amores, se vocês imaginassem o número de bilu que ainda não saiu do armário... Mas, afinal, o que é ficar no armário? Por que tem tanta xente nesse armário? Se fosse um armário coletivo com todo mundo lá dentro se catando, seria fácil de entender, néam? Mas o pior é que o armário é individual e sem graça.
O que leva uma pessoa a se esconder no armário não é nenhum mistério. Eu sei que tem muita bilu que atóra falar que a sociedade brasileira é um mar de rosas com os gays, que ser bilu no Brasil é a melhor coisa que tem, mas muitas vezes, a sociedade não reflete certos lares. Se ser gay no Brasil fosse mesmo uma maravilha, não seria problema algum andar pela rua de mão dada ou beijar em público o seu bophy, néam? A bilu não sofreria nenhum tipo de constrangimento no trabalho por falar com o gato na boca e ninguém apanharia de skinheads.
Ser gay no Brasil tá longe de ser essa maravilha que gostam de pintar. Só na novela a vida é colorida, meu amô. Pra muita bilu, a vida não sai das nuances cinzas. Embora algumas cidades sejam mais gay-friendly que outras, da porta de casa pra dentro, a realidade é outra. Claro que a solução mais rápida e prática é mandar um beijinho pra todos, virar as costas e cair fora, mas infelizmente nem toda bilu é independente financeiramente dos pais. O que fazer? O jeito é se trancar no armário e viver lá dentro.

Só que o armário não é o melhor lugar pra viver, meu amô. Ser gay é travar inúmeras batalhas diariamente contra o número mais variado de pessoas possíveis. Se o seu principal inimigo são os seus pais que ainda te sustentam, aprenda a bordar e dar o edy e caia na vida. Só não existe trabalho pra quem não quer ou quem não tem um pingo de estudo. Bom... até quem não tem muito estudo consegue emprego, néam... é só virar político! Mas é como eu sempre digo, minha criança, a avenida é largar e cheia de postes.
Eu sei que é comum entrarmos no armário quando estamos descobrindo quem somos de verdade. Não é todo mundo que tem coragem pra acordar certo dia e gritar pelo mundo "Eu sou guêi!". Mas por que não é bom viver muito tempo no armário? Bom, acho que o pricipal motivo é a falta de interação social com pessoas que vivem a mesma situação que você. Tem muita bilu por aí que ATÓRA falar que não frequenta o mundo gay. Acho isso tão ridículo... e hipócrita! Meu amô, se você é gay, o seu mundo é gay. Não tente viver uma vida de hetero, porque na hora que a rola estiver fofando seu edy, você será tudo, menos hetero.

Mas o PIOR motivo em viver no armário é o monstro que você pode cultivar lá dentro. Ser vítima dos próprios preconceitos é a coisa mais fácil que existe. Ao optar por viver uma vida fingida, você pode começar a achar que o errado é ter a coragem que lhe falta pra aceitar a realidade. Eu acho que não existe nada pior do que uma bilu preconceituosa com os seus próprios, sabe? Eu sei que TODO MUNDO tem preconceito dentro de si, isso é inerente às pessoas, mas tudo tem limite. Quando vejo uma biluzinha falando mal das ploc ploc (que são passivas, afeminadas etc.) e não consegue parar pra ouvir a própria voz de moninha, mando pro bueiro no ato.

Meu amô, não estou lhe dizendo que todo mundo tem que sair por aí escancarando a porta do armário e soltando purpurina pelo ar. Cada um sabe de si, mas acho que o convívio social seria tão mais gostoso se todo mundo soubesse respeitar o outro pelas suas diferenças e pecularidades, néam? Já pensou como o mundo seria chato se todo mundo fosse hetero? Imagine o porre que seria se toda bilu fosse complexada, depressiva e mal comida...

Um beijo,
Maddyrain

In the Closet

Radio Edit
7" Edit
Club Mix
Club Edit
Touch me Dub
The Underground Mix
The Underground Dub
The Mission
The Mission Radio Edit
The Mix of Life
The Promise
The Vow
The Reprise
KI's 12"
The Newark Mix
Freestyle Mix

Keep it in the closet!

Chupa meu edy no armário:
Xente, começo hoje falando de babadu e fofocas de bastidores musicais. Vocês sabiam que durante um tempão todo mundo achou que a voz feminina (não a do Michael, tzá?!) de In the Closet era da Madonna? Pois é! Mas até que havia um pouco de fundamento nos boatos. Eles viraram melhores amigos da infância do dia pra noite, foram até juntos pro Oscar e Madonna tinha planos de trabalhar com o Michael, mas adivinha quem vetou a parceria? Ninguém menos que a Janet Jackson! Sabem o que é isso? Mágoa de caboclo! No final das contas, quem fez a voz feminina NÃO é a Naomi Campbell (que aparece no clip), mas sim a princesa de Mônaco. Confesso que In the Closet não é uma das minhas favoritas do Michael, sabem? Prefiro os remixes!

Bom, vamos começar pelo Tommy Musto, que foi pro limbo musical e nunca mais voltou. O Club Mix é um dance house bem gostosinho e que casou perfeito com os vocais do Michael. Não tem nada de mais, mas é uma graça. O The Underground Mix é um pouco mais interessante e diferente. É menos club diva, mas também dá pra dançar gostoso. Acho válido se jogar nos dois dubs produzidos pelo Musto.

A segunda parte dos remixes ficou por conta do God-on-Earth Frankie Knuckles, mas já adianto que o remix dele pra In the Closet ficou um pouco abaixo do padrão Knuckles de qualidade. The Misson é o remix principal e todos os outros são derivados dela, mantendo o mesmo instrumental e batidas. O "problema" é que o remix demora MUITO pra empolgar e quando finalmente parece que vai estourar no house maravilhoso com cordas e tudo mais, ele volta pro esqueminha inical desempolgante. Bom, a versão The Promise é praticamente um instrumental/dub bem gostoso. Recomendada. Por fim, a terceira parte com os remixes freestyle a xente SUPER ignora!

0 Bilus felizes:

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