Trabalho religioso

Sonhei que andava toda nua (pra variar) por uma alameda repleta de cerejeiras japonesas. Será que eu tô no Japão? Aim, naum quero! Aqui só tem bophy de neca pequena e dente podre! Quero ir pra Bahia! O povo sentado ao redor me olhava como se eu fosse uma ETa perdida. Olhei pra baixo e vi minha neca livre, leve e solta a balançar pra lá e pra cá. Tão olhando o que? Nunca viram a glória de ser mulher no corpo de um homem? Isso aqui se chama neca! De repente, não mais que de repente, todo mundo começou a tossir. Acordei num susto. Era a Irmã 51 tossindo feito uma condenada no beliche de baixo. Me pendurei que nem uma macaca e olhei pra coitada toda se revirando.

_ Tá morrendo, gata?
_ Coff! Coff! Coff! Água! Água!
_ Aim, não se pode nem mais dormir neste convento! - pulei pro chão com toda minha ginga travesti e enchi um copo pra ela - Gata, o que você tem? Já tem dias que você não vai pra capela rezar, fica o dia inteiro aqui tossindo e bebendo sua pinguinha.
_ Não é nada, Irmã Pirassununga. Estou só um pouco constipada. Tenho rezado pra passar logo, mas deve ser alguma provação pelos pecados que já cometi.
_ Olha, eu conheço um médico ótemo. Ele já fez milagres estéticos comigo. Acho que ele consegue sarar uma tosse forte como a sua.
_ Obrigada, irmã. Você é uma pessoa abençoada... mas... estou um pouco assustada. Você está toda... hmm.. manchada no rosto. O que é isso? - corri pro espelhinho em cima da penteadeira.
_ Diana Ross! Tô toda barbada! Malditos hormônios masculinos! Desculpa, irmã, mas eu fico puta, tá sabendo? Eu faço a barba dia sim, dia não, e mesmo assim fico toda barbuda! Vou me juntar a um circo como a Freira Barbada!
_ Cada um carrega a cruz que lhe convém... coff, coff.

Parece que eu tinha evoluído na casta religiosa do convento; não limpava mais os banheiros, mas coordenava a nova freira que apareceu outro dia toda menstruada, Irmã Daiquiri. Tava contando outro dia à mesa no jantar que tinha 19 anos e deixou pra trás três filhos ao entrar no convento. Olhamos todas espantadas. Que mãe mais desnaturada! Vai lavar banheiro! E foi assim que virei supervisora de limpeza no convento. A Irmã Daiquiri não era o ser mais limpo do mundo, sabe? Vez ou outra encontrava um gogozito boiando aqui, outro ali, mas nada que não pudesse ser corrigido com severas broncas. Enfim, vocês já sabem, quanto vinhado tá no comando, ai! de quem tá abaixo.
À noite, revezava minha presença multi-utilitária nos meus dois trabalhos: degustadora de porra e de vodka Balalaika. Quando não tava no subsolo do convento, sentada numa poltrona confortável experimentando a vodka produzida pelas irmãs, ia pras ruas do Centro realizar meu trabalho antropológico, social, sexual e religioso; levar amor, carinho, atenção e sexo pra quem mais precisava e tivesse tomado pelo menos um banho no dia.

Outro dia, rodando pelo Viaduto Santa Ifigênia em plena três da madrugada, conheci um camelô que vendia de tudo um pouco durante a madrugada. Fiquei perplexa! Como se não bastasse aquela terra de ninguém ser dominada por camelôs durante o dia, até à noite tinha xente querendo vender algo?! O nome do cafuçu era Juvenal. Juro que nunca conheci alguém com esse nome. Até pensava que era de mentira, sabe? Um nome feio pragarai criado só pra tirar sarro. Que nada! Conheci um camelô chamado Juvenal! Vinha do Norte, craro. Não era necessariamente feio, mas tava anos luz de ser considerado bonito. Digamos que era fazible à luz da meia-noite. Depois de recolher a doação nossa de cada dia pro convento, acendi um cigarrinho de origem duvidosa, encostei as costas na mureta do viaduto e puxei um papinho gostoso e descontraído com o Juvenal.

_ Gato, por que é que você vem tentar vender essa bugiganga toda de madrugada? Quem é que vai comprar esse cavalinho de corda que anda em círculo? E esse despertador irritante? Essa caixa de dominó? E esse walkman? Xente, quem é que compra walkman hoje em dia?
_ Você ficaria surpresa! Toda noite eu consigo vender uma coisinha qualquer. Ontem eu vendi um pente. Hoje, antes de você chegar, vendi um aparador de pelos de nariz.
_ Mas e de dia, meu amô? Não vai venderia mais?
_ Sim, pode até ser, mas de dia tem o rapa, né? Não posso arriscar perder minhas mercadorias todas.
_ Aim, gato, aparece aqui de manhã. As freiras tão precisando de algumas coisinhas que você tá vendendo. Vai ganhar mais dinheiro do que em uma semana. Você precisa ter visão empreendedora!

Joguei o que restava do cigarro nos carros que passavam lá embaixo do viaduto e voltei pro convento, pro sossego e aconchego de minha cama até ser acordada no dia seguinte com a tosse frenética da Irmã 51. Organizei uma excursão civilizada com algumas irmãs e fomos dar um passeio e distribuir santinhos e bênçãos pro povo que trabalha na Atento Brasil, na frente do convento. Desejo tudo de melhor pro povo do telemarketing. Precisam de muita fé esses meninos! Enquanto a Irmã Dry Martini cantava "Hosana nas Alturas" versão remix by Maddyrain nas escadas da empresa, um tumulto começou no Viaduto Sta. Ifigênia. Fomos até lá ver. O povo tava todo pendurado na mureta, olhando pra baixo.

_ Licença! Dá licença, demônio! Sou da Igreja! Que é que aconteceu aqui?
_ Um doido se jogou da ponte.
_ Xente, que horror! Que Diana Ross o tenha!
_ Era um camelô. Um a menos pra encher a rua.
_ Não fala assim! São filhos de Deus também! Por que ele se jogou?
_ Disseram que o rapa pegou as coisas dele, aí ele pulou.
_ Xente, mas que criatura burra, néam?
_ Ah, mas o rapa pegou as coisas dele três vezes hoje! Na primeira vez, levaram tudo. Ele foi na 25 de Março e comprou tudo de novo. Voltou pra cá e o rapa passou de novo e levou tudo. Voltou pra 25, comprou algumas coisas, gastou todo o pouco dinheiro que tinha. Voltou e o rapa passou mais uma vez e levou tudo embora! Aí ficou injuriado e pulou da ponte!
_ Mas que história horrível! Coitado!
_ E eu nunca vi o cabra antes. Disseram que ele trabalhava à noite aqui no viaduto e...
_ À noite?! Juvenal? - me pendurei na mureta do viaduto. O corpo já tava coberto. Desci as escadas correndo. Xente, serei responsável pela morte do Juvenal? - Seu guarda! Seu guarda! Gostaria de dar o último passe... digo... bênção neste pobre coitado. Posso? Obrigada!

Ajoelhei do lado do corpo já arrependida de ter me envolvido com a situação e ter descido. Tinha pedaço de cérebro e outras coisas nojentas por todos os lados. Fiquei com pena dos garis que iam limpar aquela coisa toda. Abri o zíper do saco preto que encobria o corpo. Um Juvenal esparramado dormia para sempre ali dentro. Rezei tudo o que eu sabia das aulas da catequese e pedi proteção praquele pobre coitado. Voltei ahazzada pro convento e passei o dia no meu quarto ouvindo a tosse da Irmã 51.

Pobre Juvenal... só queria encher aos poucos o seu bico com um grão por dia até que a galinha esfomeada chamada Maddyrain apareceu na sua vida e sugeriu que ele abocanhasse mais. Mas enfim... Se eu pudesse imaginar na tragédia que ia acontecer, tinha deixado o cafuçu trabalhando à noite. Que vou fazer? A neca até era boa.
No dia seguinte, fui à 25 de Março e comprei todo tipo de muambinha barata e ordinária que encontrei. Arranjei uma lona azul no depósito do convento e à noite fui pro Viaduto estender minha mercadoria e esperar algum doido passar por aquela terra de ninguém naquele horário e querer levar pra casa um despertador irritante ou um aparador de pelos do nariz prático e compacto.

Um beijo,
Maddyrain

I Don't Want To

Single Version
Album Instrumental
Classic Club Mix
Franktified Club Mix
Frankie Knuckles Radio Edit
Deep Jays Delight
Dance Extended
Disco Extended

I don't want to sing another love song...

Chupa meu edy mesmo não querendo:
Momento mela calcinha total hoje aqui no blog! Toni Braxton com I Don't Want To?! Cadê a gilete pra xente se cortar toda, néam? Se você não viveu os anos 90 e NUNCA ouviu I Don't Want To e não faz a menor ideia de quem é Toni Braxton, fazofavô de pegar a Single Version. Uma baladjinha bem "dias de tristeza". Atóron!

Mas eu já tô cansada de falar: vinhado gosta mesmo é de bater cabelón, então vamos ahazzar com os remixes do deus da house, Frankie Knuckles. O Classic Club Mix e o Franktified Club Mix são SUPER parecidos, mudando apenas a introdução e uma coisinha aqui e outra ali. Eu acho que prefiro o começo loka do Alien do Franktified Club Mix, mas podem pegar os dois, porque house de boa qualidade nunca é demais. Não preciso nem dizer que a versão Radio Edit tocou que nem forró nas rádios, néam? O Deep Jays Delight é uma espécie de dub.
I Don't Want To foi lançada promocionalmente no Brasil e ganhou remixes exclusivos, meu amô. Tá pensando o que? Não sei quem remixou, mas podem pegar o Dance Extended. Como já diz o nome, uma versão dance bem gostosinha com cara de rádio. O Disco Extended substitui as batidas dance por um clima todo disco music engraçadinho, mas bem ordinário...

Maddyrain não tem, Maddyrain quer:
Aim, xente, será que algum leitor do meu blog tem esse CD promo brasileiro e tá afim de fazer a linha caridosa comigo?

acappella reprise 5:28
dance radio 3:57
disco radio 3:59

0 Bilus felizes:

Alô?! Maddyrain chamando!

Você acaba de adentrar as entranhas do mundo de Maddyrain, uma profissional da "náiti guêi" de São Paulo que ama house music e decidiu fazer a boazinha e compartilhar parte de seu acervo musical.

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