Vamos falar da Madonna: Like a Prayer

Eu acho que o luxo na vida de uma pop star é começar o ano já se envolvendo num escândalo religioso. Com Madonna isso ocorreu logo em janeiro de 1989, quando você, biluzinha, nem era nascida. Já sabendo que continha nas mãos uma bomba artística, Madonna assinou um contrato milionário com a Pepsi para estrear a música Like a Prayer em seu comercial, cantando e dançando pra lá e pra cá. Só que o babadu SUPER deu errado (ou certo, depende do seu ponto de vista). Quando a bunita finalmente lançou o single abre-alas do seu próximo álbum, em fevereiro com aquele clip que todo mundo conhece, o Vaticano caiu matando ameaçando e convocando os católicos do mundo inteiro pra um mega boicote aos refrigerantes da Pepsi. Resultado? A Pepsi decidiu cancelar o contrato, pagar uma multa milionária pra Madonna que voltou pra casa mais rica, poderosa, famosa e odiada pela Igreja.

Aim, sabe, eu acho que a Madonna viveu verdadeiros dias de cão nessa época. Foi excomungada pela Igreja Católica, perdeu um contrato milionário que poderia ter lhe deixado ainda mais rica e ainda tinha que se recuperar do seu recente divórcio com Sean Penn. O que fazer quando a xente tá assim? Super se joga no estúdio com os melhores produtores pop da época e vomita um disco maravilhoso e digno de estar sempre entre os 10 melhores álbuns pop da história. E um beijo pra quem não tem categoria!

Madonna voltou pro estúdio com Patrick Leonard e Stephen Bray, já antigos conhecidos, pra compor e produzir juntos um dos melhores (senão o melhor) álbuns da carreira da bunita. Um mês depois do lançamento e escândalo envolvendo o single Like a Prayer, foi a vez do mundo conhecer o resto das canções que fariam parte dessa autobiografia musical que foi o álbum Like a Prayer. O tracking list oficial é o seguinte:

1- Like a Prayer (single)
2- Express Yourself (single)
3- Love Song
4- Till Death Do Us Part
5- Promise to Try
6- Cherish (single)
7- Dear Jessie (single)
8- Oh Father (single)
9- Keep it Together (single)
10- Spanish Eyes
11- Act of Contrition

Olha que fofolete: a primeira tiragem dos discos, CDs e fitas do Like a Prayer foi feita com essência de patchouli, a favorita da Madonna. Eu já tive a oportunidade de cheirar um LP e um CD com a essência, ou o que sobrou dela depois de anos do lançamento, e achei uma ideia super abalativa. Eu acho válido artistas como... aim, nem vou citar nomes... mas enfim, acho válido alguns artistas lançarem seus próximos CDs com essência de merda pra combinar com o conteúdo.
Posso dizer que nunca entendi direito a capa do Like a Prayer? Eu acho a sessão de fotos branco e preto do saudoso Herb Ritts tão mais bonita, mas enfim...

Like a Prayer figura ao lado de Like a Virgin, Material Girl e outras como a música mais emblemática da Madonna. Todo mundo conhece, todo mundo gosta, todo mundo dança e todos os artistas gostariam de tê-la gravado. Uma loucura. Um pop extremamente atemporal que poderia muito bem ter sido lançado ontem e ninguém notaria. O babadu continua com a empolgante Express Yourself, que é extrema e completamente diferente da versão remixada por Shep Pettibone conhecida por todo mundo. A versão original do Stephen Bray tem toda uma pegada soul e funk. A letra mostra uma Madonna extremamente feminista lutando pela valorização da mulher. Acho... assim... um ahazzo no edy. Como nem tudo é flores, Madonna decidiu gravar Love Song com o Prince. Bom, essa é uma das músicas mais peidinho mal dado da carreira da bunita. Muito Prince pro meu gosto madônnico. E jesuis... seria bom se o instrumental mudasse um pouco durante a música, néam?!

Felizmente vem Till Death Do Us Part em seguida, enganando todos com uma melodia super silly pop, mas com uma letra extremamente forte e rancorosa. Não preciso nem dizer que a bunita descarregou toda a mágoa de seu casamento com o Sean Penn nessa letra, néam? É curioso notar também que nessa música é a primeira vez que a Madonna canta usando o mesmo tom que usaria várias vezes no futuro ao incorporar a persona Dita.
Xente, tem música mais triste da Madonna que Promise to Try? Eu sei que é totalmente mela calcinha, mas é tão linda. Promise to Try é a primeira de várias músicas da bunita dedicadas à mãe. Acho super triste e simples. É basicamente piano, cordas e voz numa combinação tocante. Adoro. E agora vem o momento "pedras na Maddyrain"! NUNCA GOSTEI DE CHERISH! Um pop meio chato e super bobo. Sei lá... nunca me desceu completamente. Pra não dizer que tudo é trevas com Cherish, acho válido citar os sereios maravilhosos do clip, a capa LINDA do single e o b-side arrombante Supernatural, que é EXTREMAMENTE estranha, toda meio creepy com uns barulhinhos sinistros de fantasma. Eu acho a letra super fofa e acho que ficaria LINDA no lugar de Act of Contrition. Ela foi remixada pelo Sly & Robbie e ficou um pouco mais house-friendly (pasmem!) pra uma coletânia anos mais tarde.

Seguindo a linha silly happy pop, Patrick Leonard decidiu homenagear a filhinha (que hoje deve ser mãe de família) e escreveu Dear Jessie, que Madonna gentilmente colocou no seu álbum mais importante. Não que eu não goste de Dear Jessie, acho super bonitinha e tolinha, mas está longe de ser a favorita de qualquer fã, néam? Aliás, será que a Madonna lembra que tem uma música com esse nome? O clip (que muita biluzinha nem imaginava que existia antes da invenção do YouTube) é todo em desenho animado. Muito fofo.
Esse disco é o álbum das homenagens. Tem música pra mãe, pro ex-marido, pra filha do amigo, pra família e pro pai também. Oh Father não só é uma das baladas mais bonitas da Madonna como também um dos clips mais sentimentais. Na época, todo mundo ficou achando que a bunita era espancada pelo pai (além do ex-marido... ou seja, muilher de bandido total). Eu também considero Oh Father uma das músicas mais tristes da carreira dela e sempre fico cagadinha quando escuto. É considerado um dos singles mais raros dela, então se você tem, venda por preço de ouro, tzá?
Num clima todo funk e quase que parecido com Express Yourself, Keep it Together é o primeiro single dela dos anos 90 e marca a última parceria da Madonna com Stephen Bray, que depois fez a magoada e lançou o Pre-Madonna. A letra lida basicamente dos problemas familiares e como é importante manter a harmonia entre os irmãos. O single é um pouco esquecido do público em geral e perdeu espaço quando Vogue começou a bombar na dancefloor. De toda forma, acho válido mencionar a apresentação arrombante de kool de Keep it Together durante a Blonde Ambition Tour, que comentarei no próximo post da Madonna.

Por fim, mas não menos importante, temos a mais famosa do público da Alpha FM, Spanish Eyes. Eu juro que quando comprei meu Like a Prayer e ouvi essa música gritei pela casa Xente, essa música é da Madonna?! Toda numa sonoridade latina e super bebendo em La Isla Bonita, Spanish Eyes hoje me soa um pouco brega. Ainda acho linda, mas esse excesso de latinidade no instrumental me parece TÃO cafona. E não pare pra entender a letra; não tem um pingo de sentido. E acho que o álbum podia muito bem ser encerrado aqui, com a xente ignorando Act of Contrition assim... por completo. Alguém pode me explicar o que leva uma pessoa colocar uma música que parece Like a Prayer tocada ao contrário na vitrola cantando o Pai Nosso em cima e gritando feito uma loka no final? Não gosto e acho que devia ser tipo um hidden track, sabe?

Bom, o Like a Prayer foi desde o seu lançamento um sucesso absoluto de vendas e críticas. Eu acho fundamental todo e qualquer fã da Madonna ter esse álbum, pois sinto informar-lhes, mas é justamente aqui que a Madonna começou a deixar de ser um sucesso absoluto. Bom, talvez eu esteja sendo um pouco dura, eu sei. Ainda tem o I'm Breathless e o Immaculate Collection pra encerrar com chave de ouro um período de sucesso após sucesso. Mas enfim, eu sou uma biluzinha que vai meio contra a maré, então pra mim o melhor disco da carreira dela é o Erotica.

De um álbum completamente focado em experiências e sentimentos pessoais, com música para tratar de praticamente todas suas dores, Madonna pularia pro seu álbum mais experimental de todos e uma turnê extremamente polêmica.

Express Yourself

7" Remix
Remix Edit
Local Mix
Non-Stop Express Mix
Stop & Go Dubs
Shep's 'Spressin' Himself Re-Remix
Video Version 1
Video Version 2
Re-Invention Tour Studio Version
Re-Invention Tour Studio Rehearsal

Don't go for second best, baby...


Chupa meu edy com leite:
O segundo single do Like a Prayer foi completamente reformulado e houseado pelas mãos do talentoso Shep Pettibone. Pra não deixar o produtor original, Stephen Bray, muito chateado, foram lançadas duas versões do clip pra divulgar Express Yourself; uma com a versão original e outra com um edit de um dos remixes house do Pettibone. O Local Mix é um house um pouco menos jogativo, dando basicamente uma atualizada no soul e funk da versão original. O babadu mesmo é o Non-Stop Express Mix, a versão house mais conhecida. Puro house com a cara dos remixes do Pettibone dos anos 80 e começo dos anos 90, cheio de efeitos vocais e batidas marcadas. Acho super interessante o Shep's 'Spressin' Himself Re-Remix e como ele conseguiu remixar a si mesmo. E como eu sou uma bilu dubística e acho que os dubs dessa época são válidos e bonitinhos, vamos se jogar no Stop & Go Dubs. Acho super legal lá pros seis minutos e meio como ele vira uma versão instrumental do remix que todo mundo tá cansado de conhecer. Recomendado!

Pra Re-Invention Tour, Madonna fez uma versão toda militar de Express Yourself que não me deixa nem molhada nem cagada.

1 Bilus felizes:

Maddyrain disse...

Link pra download:

http://tinyurl.com/33p9bs7

Alô?! Maddyrain chamando!

Você acaba de adentrar as entranhas do mundo de Maddyrain, uma profissional da "náiti guêi" de São Paulo que ama house music e decidiu fazer a boazinha e compartilhar parte de seu acervo musical.

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