Fale com ele

_ Acorda, Irmã Pirassununga! Acorda!
_ Aim, socorro! Que horas são?
_ Quatro da matina. Hora de iniciar as orações pro Dia dos Pais.
_ Xente, quatro da madrugada nem é horário de xente decente acordar. Me deixa dormir, 51.
_ Irmã Pirassununga, vou sugerir à Madre Absolute mudar seu nome para Irmã Sonífero. Vamos!
_ Máguêgarai, viu? Que tenho eu que rezar pro Dia dos Pais?
_ Vamos indo. Todos os Dias dos Pais, nós nos reunimos na capela e rezamos para todos que já não têm mais o pai presente. E também rezamos pelos nossos, né? O meu morreu num bar.
_ Vixi, isso é de família então?
_ Ah, não. Eu gosto de pinga, meu pai era chegado num torresminho. Morreu engasgado, coitado.
_ Tadinho. Xente, mas não tem ninguém nessa capela! Eu falei que quatro da madrugada não é hora de se acordar.
_ Fique aqui, vou ver onde as outras irmãs estão. Não é possível que eu errei o horário da oração. Eu nem tinha bebido no dia em que a Madre Absolute passou o recado. Pera aí que eu já volto.
_ E o que eu vou ficar fazendo aqui? Vou dar uma cochilada gostosa, isso sim.
_ Por que você não conversa com ele?
_ Ele quem, meu amô?
_ Com o seu pai, Irmã.
_ Ah, minha fofa. Eu não sou médium, sabe? Graças à Diana Ross não vejo vultos nem ouço vozes.
_ Irmã, fale com ele. Às vezes só o ato de falarmos em voz alta traz conforto e carinho em dias como hoje, em que sentimos tão próxima a falta de alguém querido. Por que você não tenta? Enquanto isso, vou atrás das irmãs. Já volto.
_ Hm, tá bom... Que loucura. Já falei tantas vezes sozinha nesta vida, mas é esquisito falar sozinha numa igreja...

Eu queria que você soubesse que sinto sim a sua falta. Sei que enquanto esteve vivo, poucas vezes peguei o telefone pra te procurar ou fui até sua casa. Não sentia falta de você ou fazia muita questão de te encontrar. Aliás, todo encontro era uma discussão nova. Era mais uma ferida aberta pra cicatrizar. Mas sabe que agora eu sinto sua falta? Sinto falta de saber que você está vivo. Longe, mas vivo. Sinto falta de saber que a qualquer momento você poderá me ligar sempre pra não dizer nada de novo ou motivante. Será que algum dia, durante todo esse tempo em que você não olhou pra trás, você sentiu nossa falta? Será que algum dia você se importou com a mágoa que deixou pra trás?

E há tanta coisa que eu gostaria de ter compartilhado com você. Queria poder ter vivido uma vida familiar normal. Se você soubesse como eu invejo as famílias felizes e unidas no almoço de domingo. Olho pra elas e vejo o que eu poderia ter tido. Durante muito tempo culpei você por isso, mas acho que não há culpa a ser distribuída. A vida foi assim conosco. Não era pra termos convivido em paz dessa vez. Da próxima, gostaria de poder te abraçar mais vezes. Nunca vou entender como você conseguiu jogar no lixo tanta coisa. Como pôde mentir por tantos anos. Coisas tão pequenas e banais que poderiam ter sido verdadeiras.

Mas no final, na última vez em que te encontrei, não consegui dizer nada além de obrigado. Obrigado por ter me mostrado qual caminho não seguir e qual tipo de pessoa eu não deveria ser. Aprendi ao contrário com você e aprendi o suficiente para minha vida inteira. E quando te vi ali... deitado naquela cama... todo magrinho, triste e padecendo em dor, queria tanto poder ter te tirado dali e te levar pra um lugar de paz e conforto. Mas não conseguia nem falar. Só agradecer. E pra sempre... pra sempre vou carregar as últimas palavras que você me disse. O que há de ser, será.

Perdemos tanto tempo com a vida e só no final pudemos nos entender. Mas ainda bem que consegui tirar o peso de anos de tristeza dos meus ombros no último momento.... mesmo que eu ainda carregue um pouco comigo. Essa é a herança que você me deixou. Um buraco que talvez eu nunca vá preencher, porque o tempo já passou e você partiu. E olha só... nunca te disse que te amava até o último dia. Mas te amei sim, pai. Te amo mais ainda agora que você não está aqui para me machucar.
Descanse em paz e espero que esteja feliz olhando e orando por nós aqui. Um dia estaremos juntos novamente... para sempre.

O que há de ser, será...

Always There

Bluey's Mix
12" Mix
Edit
Dub Zone Mix
Symphonic Jazz Mix
Masters at Work Main Mix with Drops
Masters at Work Main Mix Edit
Masters at Work Remix '96
Jocelyn on the Beat Mix
Dub

Locked in your prison of total ecstasy...

Selo "Chupa meu Edy" de qualidade:
As recomendações foram escritas em dia diferente do texto principal. Hoje é dia de clássico da dancefloor com a voz da ahazzadora Jocelyn Brown. Always There fez sucesso na era disco e foi desenterrada pelo Incognito. Acho válido se jogar primeiro na versão mais calma-lá-minha-filha e acid jazz do Bluey's Mix. Não é exatamente a que eu mais gosto, mas é bonitinha.

Acho que nem preciso dizer que meu remix favorito é a versão do David Morales, néam? Se joga, meu amô, mas se joga com toda sua força biluzística no 12" Mix. O Morales foi tão bonzinho que nem colocou o nome dele nessa obra prima da house music. Não vamos deixar passar também o ótemo Dub Zone Mix, com seu piano house incrível! Atóron! Pra você ahazzar ainda mais no instrumental enquanto faz a lição de casa, se joga no Symphonic Jazz Mix! Lindo!
Os outros remixes ficaram a cargo dos kéridos Masters at Work, mas deixa eu falar que não são ahazzantes? O Masters at Work Main Mix with Drops é um housezinho gostoso, calminho, mas sei lá... acho que falta algo. Já sei... mais pinta. De toda forma, é super bonito, cheio de cordas e palmas. Vale a pena. A versão Dub é SUPER diferente do vocal mix, uma coisa... assim.. mais underground e loka do seu kool! Podem pegar! Aim... e o Jocelyn on the Beat Mix me deixa cagadinha!

1 Bilus felizes:

Marco disse...

Lindo texto... lindo post... linda Jocelyn... lindo singleee

Alô?! Maddyrain chamando!

Você acaba de adentrar as entranhas do mundo de Maddyrain, uma profissional da "náiti guêi" de São Paulo que ama house music e decidiu fazer a boazinha e compartilhar parte de seu acervo musical.

Filhos da Maddyrain

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