Irmã Pirassununga

_ Acorda, noviça! Acorda!
_ Aim, que chateação! Me deixa, tô dibodi!
_ Acorda pra oração matutina! - abri os meus olhinhos puros e dei de cara com uma velha me chacoalhando freneticamente.
_ Aim, por Diana Ross! Quem é você! Que futum de pinga!
_ Acordou? Louvada seja a Nossa Sra. Balalaika. Eu sou a Irmã 51.
_ Escolheu esse nome pela sua idade, maricona?
_ Não, pelo vício mesmo - pegou uma garrafa de pinga debaixo da cama e encheu a boca.
_ Que coragem!
_ Noviça, pelo amor de Balalaika, não conte nada pra Madre Absolute. Posso contar com você? Qual é o seu nome?
_ Maddyrain.
_ Maddyrain? Nunca bebi.
_ Aim, esqueci. Sorry. Agora sou a Irmã Pirassununga.
_ ADORO! Tem alguma com você?
_ Não, nem padê eu trouxe.
_ Levanta, noviça. Vá lavar o rosto. Tá quase na hora de nossa oração matutina.

Nosso quartinho era super simples. Duas camas, um armário de madeira de lei e uma penteadeira com uma bacia de água em cima. Levantei disfarçando a neca dura. Aim, que horror ser homem e ter o tesão do mijo, néam? Lavei o rosto e olhei pelo espelho se a barba já tava nascendo de novo. Era só o que me faltava ter que me preocupar com barba agora! Fui prum cantinho, ajeitei a neca já mole pra trás e segui a Irmã 51 pelo corredor.
A Irmã 51 não tinha 51 anos. Descobri depois que ela tinha 40 anos, mas já tinha enchido tanto o bucho com a "marvada" que tinha envelhecido uns 20 anos no processo. Tadinha, era uma pessoa boa, mas ainda não tinha largado completamente o vício pela pinga. Todo dia, dava uns trocados prum mendigo que trazia a caninha escondida dentro da calça. Quando ela me contou, quase desmaiei. Imagine o cheiro daquelas garrafas, jesuis!

Chegamos num salão amplo onde eram feitas as refeições do Convento. Na frente, num púlpito, a Madre Absolute se mantinha de pé com certa dificuldade, ainda com duas rodelas de pepino nos olhos.

_ Bom dia, irmãs.
_ Bom dia!
_ Boa noite.
_ Shh!
_ Antes de iniciarmos nosso desjejum e nossas rezas matutinas, gostaria de apresentar nossa mais nova noviça que recolhemos durante esta noite. Irmã Pirassununga, venha até aqui, por favor - levantei toda envergonhada e rezando pra neca não desprender o Emplatro Sabiá.
_ Inhaím? Bom dia!
_ Bom dia!
_ Irmã Pirassununga, conte um pouco de sua história para nós. Mas seja breve, por favor.
_ Aim, tá bom. Vou fazer um resumo... assim... tipo abstract, tzá? - silêncio. Atóron quando não entendem minhas piadas - Eu tô aqui pra tentar encontrar algum sentido na minha vida. Era pra eu estar casada neste exato momento, fofando gostoso, aproveitando a neca dura do Fabinho das Bananas, mas fui deixada no altar.
_ Coitada!
_ Pois é, gata. Isso porque eu fiz questão de guardar minha virgindade pro meu futuro marido. Juro que tentei casar selada. Minha intenção era pura. Mas enfim, o que ele não quis, outros vários quiseram e não sou mais selada, devo acrescentar. Mas sabem, eu já morri! Eu já contei pra vocês que eu já morri e fui pro céu? Então, na verdade, eu morri e fui pro inferno e...
_ Isola! Um, dois, três! - TODAS as irmãs deram três batidas na madeira. Fiquei perplexa.
_ Ai, que bonitinho! Mas então, eu fui pro inferno - mais três batidas na madeira - e tive que trabalhar meu caminho pro céu! Passei um período trabalhando como operadora de telemarketing no purgatório... pode falar purgatório? Vocês não isolam o purgatório? Olha, pois deviam. Aquilo é pior que o inferno! - um, dois, três - Mas o importante é que peguei carona e fui pro céu. Conheci deus!
_ Irmã Pirassununga, você ainda está sob efeito de algum alucinógeno?
_ Não, Madre. É tudo verdade! Entra no meu blog pra ler o que aconteceu. É o Linha Quente da Maddyrain. Deus é Diana Ross!
_ Eu já sabia! - gritou uma irmã no fundo da sala.
_ Olha, juro que fiquei chocada. Eu achei que deus era Cher, mas não é. Até a Trava Noel eu ajudei durante o Natal. Foi uma experiência... assim... mais forte que muito narcótico que eu já conheci. O importante é que voltei, me perdi de novo e estou tentando me reencontrar aqui.
_ Hm... obrigada pelo seu relato fantasioso, Irmã Pirassununga. Queridas Irmãs, espero que vocês ajudem a Irmã Pirassununga na busca pela sua paz interior. E lembrem-se sempre, o único poder capaz de curar não é o poder da fé; é o poder do amor. Amor pelo próximo, pelo amigo e pelo inimigo. Amor por todos os seres vivos, desde a menor das formigas até o maior dos mamíferos. Enquanto desjejuamos, a Irmã Keep Cooler irá entoar o cântico número 6 da coletânia de hits do Deee-Lite, Power of Love.

Enquanto a bunita fazia uma versão canto gregoriano de Power of Love, sem um pingo do glamour da versão original, as irmãs baixaram a cabeça e começaram a comer. Eu tava com muito sono, então aproveitei pra tirar aquele cochilo gostoso e safado.

Um beijo,
Maddyrain

Power of Love

LP Edit
Sampla-Delic Remix
Turn Up the Radio Mix
Lovapella
Zanzibar Vocal Mix
Guitar Dub
Pal Joey's Dub Mix
Ian Pooley Remix

What is it that can bring a smile through to strangers?

Chupa meu edy com amor:
Xente, eu já falei que o Deee-Lite é uma das minhas bandas favoritas dos anos 90? Deee-Lite e M People são o que há nesta vida! Power of Love foi o segundo single do Deee-Lite e fez um sucesso... assim... mediano. É uma delícia! Um classic house SUPER gostoso! Se joguem na LP Edit pra conhecer e bater os têtês com muito glamour e nostalgia! Atóron! O Sampla-Delic Remix foi remixado por eles mesmo e tem umas batidinhas mais club, mas sem fugir do house da versão original com aquele pianinho maravilhoso. Bem gostoso e anos 90 também. Sabe, eu acho que o Deee-Lite não fez muito sucesso na época porque o povo não tava preparado pra algo tão alternativo e avant garde... Pra você ahazzar no toque do seu celular, se joga no Lovapella. Uma graça! A Lady Miss Kier tinha uma voz que só por Diana Ross, viu!

Os outros remixes da época do lançamento do single ficaram a cargo do talentoso e velho guerreiro Tony Humphries. O Zanzibar Vocal Mix é um house super bonitinho, mas que deixa a desejar quando comparado com a versão original. Se você é uma bilu dubística como eu, super recomendo o estranhíssimo Pal Joey's Dub Mix. O som tá abafado, mas acho que é intenção do remix. É pra deixar tocando enquanto você arruma a casa. Por fim, o remix mais "atual" de 1996, o Ian Pooley Remix. Uma coisa bem club e bate cabelo! Super recomendado pra você dar bastante pinta na dancefloor!

0 Bilus felizes:

Alô?! Maddyrain chamando!

Você acaba de adentrar as entranhas do mundo de Maddyrain, uma profissional da "náiti guêi" de São Paulo que ama house music e decidiu fazer a boazinha e compartilhar parte de seu acervo musical.

Filhos da Maddyrain

Ocorreu um erro neste gadget

Maddyrain recomenda!

Arquivos da Maddyrain

Você é da caravana de onde?

Clientes:


Mais detalhes da clientela