A fuga da Ilha do Bororé

As águas da Represa Billings passavam rápido. Eu tava toda peladinha, apoiada no murinho da balsa e voltando pra terra firme. São Paulo. Chega de Ilha do Bororé! Tava um frio revoltante e os pelinhos da minha bunda estavam todo arrepiados. Uma loucura sensual. Um cafuçu cheio de segundas e terceiras intenções veio puxar assunto.

_ Não tá com frio, dona?
_ E biscate lá sente frio?
_ Quer um gole?
_ O que tem aí?
_ Caninha.
_ Ótemo. Atóron me afundar na merda. - quando a balsa aportou em São Paulo, eu tava mais pra lá do que pra cá. Bem mais pra lá, aliás... - Se eu te chupar, você me dá o seu casaco?
_ Mas é claro! Te dou o que você quiser, doçura!
_ E uma carona? Você tem carro? Eu só chupo quem tem carro. Sou uma travesti maria-fumaça.
_ Tenho o casaco. Tenho carro. Tenho uma benga de 19 centímetros. Só falta a chupeta.
_ Ai que loucura!

Fechei os olhos e ahazzei na aquendation. O meu destino em São Paulo não podia ser outro: Jardins. Osar Freire. Desci somente com o casaco todo esfarrapado na porta da Giorgio Armani.

_ Preciso te esperar?
_ Deve. Depois a xente vai ao banco.
_ Moça, não pode entrar desse jeito.
_ Amô, eu preciso entrar pra sair do outro jeito. Quero comprar roupa!
_ Mas não pode. Vai se vestir ou eu chamo a polícia!
_ Você tá me tratando assim só porque tem esse terno da Dorinho's, néam!? Eu quero entrar pra sair vestida, tzá entendendo?
_ Já falei que não pode entrar assim.
_ Aim, vocês seguranças são uma raça de compreensão limitada. Eu entendo. Dá licença.

Usando de minha força masculina escondida, empurrei o segurança pro lado e entrei na Giorgio Armani nua, com a xereca dando oi pra high society espantada com minha beleza grega. Na hora de pagar, chamei o meu novo melhor amigo.

_ Você tem uma folha de cheque aí? Passa um cheque pra mim? Aim que loucura! Nunca pensei que fosse pedir pra alguém passar um cheque, mas passa um cheque?
_ Mas que valor é esse?! Você gastou mais do que eu ganho num ano.
_ Aim, esses problemas sociais do Brasil me cansam. Eu vou te reembolsar no banco, gato.

Devidamente vestida e glamourosa, eu e meu novo chofer fomos ao banco. Amarrei o cabelo num coque, coloquei um blaser babadu e fui falar com meu gerente, me achando no máximo de minhas limitações masculinas.

_ Bom dia, vim sacar o dinheiro de minha aplicação.
_ Qual o nome da senhora?
_ Senhor, por favor. Não tá vendo que eu tô desmontada?
_ Hmm... não conseguiu muito bem. Qual seu nome?
_ Meu nome é... Vou anotar o meu nome nesse papel, assim minhas bilus leitoras não vão ficar sabendo minha identidade secreta, tzá?
_ Muito digno. - captei no ar a biluzice daquele gerente - O(a) senhor(a) possui essa quantia na sua aplicação. Com os juros de todos esses anos, o valor pulou para isso. Parabéns, você é o(a) mais novo(a) milionário(a) da cidade!
_ Obrigada, amore. É bom estar de volta à civilização. Não vou sacar tudo, quero transferir pra minha conta corrente.

Meu chofer me levou até um hotel no Centro. É tão bom estar de volta às minhas origens no Centrão de São Paulo. A despedida foi dolorosa pro cafuçu, tadinho.

_ Eu te verei de novo algum dia?
_ Claro, meu amô. Na TV. Um beijo.

Enquanto eu não brilho na TV, vou mudando de canal que nem uma loka no quarto do hotel. Cadê o canal de putaria?! Pego o telefone e ligo pra recepção.

_ Meu amô, quero trocar de quarto. A minha TV não tem canal de séquiso.
_ A senhora optou pelo quarto economic plus. Só tem a TV aberta com parabólica.
_ Meu kool.

Na novela, até a mulher que não anda e não sente nada da xereca pra baixo tá transando e eu aqui, batendo siririca vendo o cafuçu bonitinho, fazible e com leve pinta de bilu comendo a bunita ao som de I Want To Know What Love Is, da Mariah Carey. Não vou ficar depremida!
No dia seguinte, vou pro aeroporto bem cedo. Óculos de sol Gucci enorme, mais parece uma máscara. Chapelão da Dior, mais parece um guarda-chuva. Compro um pãozinho de queijo e vou pro freeshop comprar alguma lembrancinha. Jesuis, quantos perfumes!

_ Shana, experimenta esse aqui! É lançamento! Chuva de Prata!
_ Aim, que sensual!
_ Kelly Caleche! Shana Shanshada?!
_ Maddyrain!? Você não morreu de novo?
_ Não! Fugi da Ilha do Bororé e estou indo viajar pelo mundo!
_ Ah, naum vai naum! Você vai comigo pro Amazonas! O povo manauara clama pela sua presença iluminada!

Europa ou Amazonas? Neca branquela ou anaconda? Anaconda.

Um beijo,
Maddyrain

I Want To Know What Love Is

Donnie Hotwheel Tempo Mix
Low Sunday Tempo Mix
Moto Blanco Club Mix
Moto Blanco Club Edit
Moto Blanco Dub
Nu Addiction Club Mix
Nu Addiction Club Edit
Nu Addiction Dub
Chew Fu Club Mix
Chew Fu Radio Mix
Chriss Ortega Club Mix
Chriss Ortega Club Edit
Cutmore's Club Shakedown
Cutmore's Radio Shakedown

I've got nowhere left to hide...

Chupa meu edi que eu gosto:
Amorzinho, se você já parou pra assistir a novela das 8, Viver a Vida, você COM CERTEZA já ouviu a música de hoje pelo menos umas 20 vezes. Essa técnica da Globo de enfiar uma música goela abaixo cansa a minha beleza. Se fosse neca, vá lá... Anyway, a versão original é um mela cueca super Mariah Carey. O clip é a coisa mais brega do mundo, mas atórein o visual inspirado na capa do primeiro disco da bunita. Eu já falei que sou uma lamb? Naum?! Então, eu sou uma lamb. Lamb kool da Mariah Carey. Atóron a moça, mas confesso que minha paixão só vai até aquele fiasco depois do Rainbow. De lá pra cá é um acerto aqui e várias cagadas ali. Vamos começar seguindo a linha "calma-lá-minha-filha". O Donnie Hotwheel Tempo Mix é bonitinho, meiguinho e fofolete pra tocar na rádio. Outro calminho é o Low Sunday Tempo Mix. Tem uma pegadinha downtempo r&b bonitinha.

Mas lamb que é lamb é phemynyna e gosta de bater o cabelo. Todo mundo já conhece o estilo do Moto Blanco. Eu gosto, mas cansa um pouco a minha beleza intestinal. Os remixes são todos muito iguais e não fogem do estilo club dance. O Moto Blanco Club Mix é bem acelerado e gostoso pra dançar na buatchi. O Nu Addiction Club Mix também segue a linha club diva, mas em alguns momentos os vocais da Mariah ficam um pouco fora de sincronia com as batidas. Eu já tô cansada de falar que sou uma trava dubística, então se joguem no Nu Addiction Dub! Uma delícia!

O Chew Fu vive remixando a Lady GaGa, mas sempre acho que ele caga no maiô da bunita. Com a Mariah, ele até que acertou a mão. O Chew Fu Club Mix não é tão vinhado, mas super válido pra tocar nas buatchis mais comportadas. Mas se você quer bater o cabelón, SUPER se joga no Chriss Ortega Club Mix! Pura glória travesti! Uma loucura.
Pra quem sente saudades do David Morales ahazzando com a Mariah, temos o competente Cutmore's Club Shakedown. Claro que não é nenhum Morales, mas super quebra o galho com seu pianinho house gostoso. Resumindo, meus amores, todos os remixes de hoje são válidos! Vamos acabar com essa conexão de merda!

1 Bilus felizes:

Marco disse...

Aeee sim... amo o remix Cutmore... mas o problema de pitch no refrao final me irrita demaissss...

Alô?! Maddyrain chamando!

Você acaba de adentrar as entranhas do mundo de Maddyrain, uma profissional da "náiti guêi" de São Paulo que ama house music e decidiu fazer a boazinha e compartilhar parte de seu acervo musical.

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