Unidos da Ilha do Bororé

Eu ATÓRON Carnaval! Não consigo entender esse povo que atóra ficar malhando os foliões. Gueéissu, meus amores? Falta de neca? Falso moralismo? Meu edi! Não gosta, limite-se a ficar fechado no quarto os quatro dias de folia e perdição carnal chupando o dedo. Eu atóron ir na avenida ver o povo desfilando todo cheio de pluma e cores. Muito brilho. Aliás, a vida de toda travesti que se preze é um Carnaval. La vida es un Carnaval, já dizia a saudosa Celia Cruz.

Todo ano eu saio em alguma escola. Já desfilei como destaque no alto dos carros alegóricos, já fui passista de chão e já fui madrinha da bateria! O povo da Vai-Vai me atóra! Na última vez que ela ganhou, pra festejar, deixei o povo todo descontar a alegria no meu edy! Foi uma coisa de loko! Sai do barracão parecendo uma extensão da linha do metrô.
Outra coisa que me irrita é o povo que acha conceitual descer a lenha no Carnaval de São Paulo dizendo que no Rio é mais bonito e vistoso. Amores, o Rio de Janeiro VIVE para o Carnaval. Aliás, o que seria deles sem o Carnaval? O povo das favelas precisa de uma distração, então deram o Carnaval pra eles. Em São Paulo, não dá pra passar o ano inteiro costurando lantejoulas. Alguém precisa trabalhar neste Brasil, néam?

Bom, depois desse desabafo social, fui com Litta Walitta comprar nossas fantasias na 25 de Março. Neste ano ninguém me chamou pra sair nas escolas de samba... será que é porque eu virei mulher? Isso é preconceito e dá cadeia! De toda forma, decidi que sairia pela Unidos da Ilha do Bororé fantasiada de borboleta. Litta me apelidou de "a mariposa do Bororé". A bunita decidiu inovar e comprou algumas peças sobressalentes e fez a própria fantasia: batedeira elétrica. Uma loucura!

_ Maddie! Você tá linda! Tá parecendo uma princesa da Disney!
_ Ai que fofolete! Pega minha gilete, porque sou uma princesa precavida e o Carnaval tá cheio de príncipes encantados, sabe?

Gilete debaixo da língua, bolsinha recheada de camisinha, lubrificante e padê, fomos pra única e principal avenida da ilha. O representante comunitário (nem sabia que tinha isso aqui!) tava fazendo o discurso.

_ Irmãos! O Carnaval é a festa do Satanás, mas não temos como fugir dele! Em todo lugar só se fala de Carnaval, peitos de fora, remoção de mamilo e Gala Gay! O jeito é abraçar o capeta e cair na festa!
_ É isso aí, meu amô! Ahazza!
_ Neste ano, contaremos com a presença do padrinho da Ilha do Bororé, Chico Pinheiro, comentando o desfilo do bloco Unidos da Ilha do Bororé!

Olhei pro lado e encontrei Fabinho das Bananas fantasiado de Banana de Pijamas. Uma coisa... assim... óbvia e sem inspiração. Terezinha Dêgezuis tava junto dele fantasiada de freira safada. Que sacrilégio! Nem eu que sou Maddyrain seria capaz de uma coisa tão baixa. Peguei uma raiva terrível dos dois, mas ainda inspecionava os encontros pra ter certeza de que não rolava rola na xana alheia.

_ E começa o desfile da Unidos da Ilha do Bororé! Escola pequena, ainda no grupo de acesso ao grupo de acesso, tentando alcançar o seu lugar além das águas da Represa Billings. O samba enredo desse ano é "Se meu kool piscasse, eu tava rica no Natal", de autoria da carnavalesca e fundadora do bloco, Roxxana Veludo.
_ Guê?!?!
_ Olha a evolução da comissão de frente simbolizando o florescer do rabo após o nascimento. Os integrantes representam cada uma das pregas de alguém virgem.
_ Litta, você ouviu o que o Chico Pinheiro falou!? A carnavalesca da Ilha do Bororé é Roxxana Veludo!
_ Mas Roxxana Veludo não era você?
_ Era o que eu achava! Quem será essa bonita?
_ Em seguida vem a ala das baianas que simbolizam o caminho que o bolo fecal fez do intestino até o olho do rabo. Muito bonita e conceitual a fantasia delas.
_ Cadê o Fabinho das Bananas? Perdi o bunito nessa multidão!
_ Você é Maddyrain? - senti alguém segurar o meu braço com força. A voz era de travesti, sem dúvida! O perfume era Charisma do Avon, tenho certeza!
_ Sou. E você, quem é?
_ Eu sou Roxxana Veludo! Você roubou minha identidade e eu ainda roubarei sua felicidade. - virei pra trás, mas não havia ninguém.
_ Ai que loucura! Isso aqui é Carnaval ou Dia das Bruxas?
_ Indecência no desfile da Unidos da Ilha do Bororé! Filma aquela freia pegando no cacete da Banana de Pijama! Que absurdo! Pode filmar porque depois quero jogar no YouTube essa declaração de imoralidade no Carnaval!
_ Litta! A Terezinha tá chupando o Fabinho no meio da avenida!
_ Gata, se não é ela, era a senhora.
_ Pois então, vinhada! Ela tá chupando uma neca minha por direito!
_ Se fecha, gata! No Carnaval, ninguém é de ninguém e o que mais tem nesse mundo é neca querendo ser chupada.

Sem o apoio moral de minha amiga, decidi voltar pra casa sem nem ter levado uma dedada gostosa. Aquele monte de confete grudado no suor da minha pele. Que nojo! Como ele pôde deixar ela chupar o pau dele?! Estou ahazzada! Aquela rapariga arranjou a pior inimiga que alguém pode querer: uma travesti traída!

Um beijo,
Maddyrain

Carnaval de São Vicente

Jazzy Carnaval Mix
Body & Soul Vocal Mix
Acroostical Ambient Dub

Sangue de Beirona

Main Pass 12"
François K Radio Edit
Body & Soul Vocal
FK's Drum Mix
Acroostical Ambient Space Mix
Spiritual Wave Dub
Dub Version

São Vicente é um brasilin chei di ligria, chei di cor...

Chupa meu edi que eu gosto:
Hoje é dia de Carnaval com muito bom gosto e glamour aqui no blog, meus amores! Lembram da Cesária Évora? A diva dos pés descalços de Cabo Verde? Então, ela voltou com sua house macumba linda e maravilhosa em parceria com o talentoso François Kevorkian. Atóron!

Hoje o post é duplo, então vamos começar com a linda Carnaval de São Vicente. O Jazzy Carnaval Mix é MARAVILHOSO! Um soulful house looshu com muita phynesse. Atóron! Se você é biluzinha de tribal, não vai gostar. Mas se você tem um pouquinho de bom gosto nas veias, então se joga! O Body & Soul Vocal Mix é mais acelerado e jogativo, mas continua no house phyno.

O bônus de hoje é a conhecida Sangue de Beirona, que foi o primeiro single da bunita a receber remixes pra biluzada de classe se jogar. O Main Pass 12" é muito lindinho e com aquela pegada soulful que eu amo. Super recomendado! Se você gostar do instrumental e das batidas, se joga com muita fé na Dub Version! Linda!
O Body & Soul Vocal é mais lounge e conceitual. Não dá pra se jogar na dancefloor, mas dá pra ahazzar na invocação dos seus orixás. O Spiritual Wave Dub é basicamente a versão instrumental pra você deixar tocando enquanto limpa a casa. Acho válido!

0 Bilus felizes:

Alô?! Maddyrain chamando!

Você acaba de adentrar as entranhas do mundo de Maddyrain, uma profissional da "náiti guêi" de São Paulo que ama house music e decidiu fazer a boazinha e compartilhar parte de seu acervo musical.

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