A biografia de Maddyrain - Parte I

Todo mundo sabe que quando morremos toda a nossa vida passa diante de nossos olhos super rapidamente. Só que o babadu é bem diferente na realidade. Quando você morre, nada acontece. Você fecha os olhos pra vida e acorda pra eternidade. Uma loucura. Quem inventou esse lance todo tava querendo ganhar dinheiro. Todo mundo tá afim de ganhar dinheiro neste mundo, meus amores. Se fosse o contrário, você não teria que pagar pra entrar na buatchi. Saudades das noites do R$1,99 da Tunnel. Era baratinho encher a cara até cair loka de seu respectivo kool.

Deixei Michael Jackson pra trás e entrei no portal que me traria de volta à vida. Acordei ouvindo um choro angustiado de uma criança nascendo. Será que voltei pra Jerusalém? Estou vendo Jesuis nascer? Eu pairava numa sala de cirurgia. Ai que loucura! Jesuis nasceu num hospital? Como são truqueiros esses padres! Toda a história da Bíblia é fake? Ai que loucura! Prestei atenção à dona da xana super aberta. Mamãe! Ai, sou eu aquele bebê! Então este é o ponto zero de minha existência? Se eu voltar agora, posso refazer minha vida do começo? Não, obrigada!

Sobrevoei a minha infância e ouvi novamente os dedos de minha mãe dançando pelas teclas do piano que seria vendido sem aviso prévio pelo meu pai anos mais tarde. Minha vida em Santos era divida em manhãs na praia e noites vendo meu pai fingir que incorporava o Preto Velho pra conseguir uns trocados dos vizinhos. Que pilantra!

_ Sua mãe está grávida!
_ E o que vai sair da barriga dela, doutor?
_ O que você quer que saia?
_ Uma borboleta.

Criança fala cada coisa! Revivi o dia em que meu pai me levou pra passar a tarde na casa de sua amante. Que horror. Me trancaram numa banheira enquanto o safado traia mamãe. Voltei ao dia em que a rapariga apareceu na casa de vovó, já em São Paulo, assustada ao ver que mamãe não tava morta, que eu não vivia numa cadeira de rodas e que a borboleta não era uma retardada mental. Saiu mais assustada ainda depois de descobrir que papai não era um empresário bem sucedido. Jamais que quero voltar pro dia em que ele vendeu todos os nossos móveis depois que fomos despejados de Santos. Não quero voltar aos meses em que nos mudamos e fomos abandonados por ele. Dormia num colchão no chão. A única com cama era a borboleta com seu berço. A geladeira era um isopor de praia.

Voei para longe daquela infância imersa num convívio familiar à sombra de mentiras e traições, mas não havia muito espaço pra fuga. Relembrei o dia em que fui com mamãe abordar a última amante de papai. Era a secretária do escritório. Que clichê! As palavras finais dele antes de ir embora de casa voltaram a me assombrar. Numa véspera de Natal, ninguém merece ouvir o que ele falou.

_ Enquanto eu estiver andando de avião, viajando pra Europa, vocês estarão aqui embaixo, num ônibus, presos no trânsito da Avenida Europa. Enquanto eu estiver comendo caviar com champagne, vocês estarão descascando bananas pra comer com pão.

Anos mais tarde, ele viria pedir comida na porta de minha casa e voltaria com um saco de bananas.

Revivi os dias de embriaguez de meu padrasto. Todas as noites éramos agraciados com sua presença e comentários desagradáveis, obrigando todos a participarem e conviverem com sua degradação. Todas as noites eu queria fugir pra bem longe ou envenenar todas aquelas garrafas de cerveja que não duravam nem 10 minutos na mesa. Felizmente ele largou o vício anos depois, não sem antes deixar suas marcas na família.

Fugi de minha adolescência. Uma verdadeira aborrescência. Fugi do mau humor absurdo. Cai nos braços de meu primeiro amor semi-platônico. Nunca mais encontrei aquele meu vizinho que se mudou para a Bahia. Revivi os anos em que fugia de casa pra brincar no escuro dos corredores de nosso prédio.

_ Posso te pedir uma coisa?
_ O que?
_ Deixa eu te comer? Estou indo embora, talvez nunca mais nos veremos.
_ Claro que não!

Se arrependimento matasse...

Chorei novamente com a morte de meus avós paternos. Que saudades. Passei a frequentar a casa de meu pai com sua amante. Reencontrei os móveis que ele levou embora. Com espanto, encontrei uma banheira, armários planejados na cozinha. Tudo que nunca tive em casa.

Voei para meus dias no colegial e meu primeiro amor completamente platônico. Eu estava no primeiro colegial e ele no terceiro. Lindo. Pernas de jogador de futebol. Porte completamente atlético. E por que me olhava tanto? Será que olhava mesmo? Olhava. Acho que vou voltar neste ponto. Vou começar a me jogar aqui mesmo! Faltou isso! Jogação na minha adolescência.
Olhei pros meus dias de sonolência depressiva. Pros dias de angústia e aborrecimento. Acho que não quero reviver isso não.

Olhei para o dia em que eu secava louças na cozinha e levei um tiro certeiro de minha mãe.

_ Seu pai está com AIDS.

Vi o meu pai aos poucos morrer. De magro, para raquítico, de raquítico para mendigo. Implorando por um prato de comida, com a nova filha debaixo dos braços. Pedindo dinheiro pra condução, pra comprar remédios, pra comprar comida. Não tive um pingo de remorso em lhe negar tudo anos depois de ter sido completamente privado de uma figura paterna real.

Revivi os meus dias de buatchi com aquele monte de biluzinha. De todas, poucas restaram. A glória de Thunderpuss, Calderone, Hex Hector. David Morales e Frankie Knuckles. Rodinhas pra dançar no meio da pista. Danças nas gaiolas. A gaiola das loucas. Encontros nos metrôs. Fofocas e intrigas regadas com risadas e bateção de cabelo.

A vida continuou passando diante de meus olhos. Não foi fácil reencontrar rostos esquecidos, corações partidos e vergonhas enterradas. Tanta coisa que você enterra lá no fundinho, pra nunca mais precisar reviver certos sentimentos.

Chorei novamente ao abraçar o corpo miúdo e mutilado de papai. Chorei ao lhe dar meu perdão final e fechar uma porta que jamais seria aberta novamente. Fui novamente chorando ao show da Madonna enquanto vovó era enterrada sob a mesma chuva que alagava todo o caminho até o Morumbi.

Chorei ao ver que aquela vida não era a minha! Eu nunca vivi nada disso! Cadê minha criação na Suíça? Cadê minha perda de virgindade num gang bang só com negões? Essa vida não é a vida de Maddyrain! Que babadu!

Natural Blues

Single Version
Perfecto Mix
Perfecto Dub
Peace Division Edit
Peace Division Dub
Katcha Mix
Katcha Mix Edit
Olmec Heads Remix
Mike D Remix
Mike D Edit

Don't nobody know my troubles but God...

Chupa meu edi que eu gosto:
Amores, Natural Blues é uma músiquinha super melancólica do melhor album do Moby, o Play. Se você não conhece, super recomendo! Tem músicas lindíssimas! Podem pegar a Single Version pra se jogar nas batidinhas midtempo super haunting. Uma coisa de loko!

Vocês não vão acreditar, mas o Paul Oakenfold já foi criativo e tudibaum! Hoje ele é... passável (além de passiva). O Perfecto Mix é lindo lindo lindo! Os vocais ficaram um pouco fora de sincronia, mas o remix continua sendo lindo. Super recomendo!
O Peace Division Edit segue a linha... nem sei que linha ele segue, meu kool. Mas é interessante. Um pouco club underground e dançante. Recomendo!

Natural Blues foi lançada numa época em que reinavam o diva club e o trance nas buatchis das pintosas. Eu super não sou adepta do trance, vocês sabem. O Katcha Mix e o Olmec Heads Remix são aquela coisa básica do trance. Super acelerados e perfeito pras bilus colocadas do recinto. Prefiro o Katcha Mix que é um pouco mais harmonioso (ui)!
Nem tudo é recomendável nesta vida, meu amô, por isso a xente super ignora o Mike D Remix. Uma coisa folk super estranha e desnecessária!

Maddyrain não tem, Maddyrain quer:
Ai, amores, eu podia estar roubanu, matanu, me prostituinu, mas eu tô aqui, pedinu pra alguma alma caridosa que me mande algum dos remixes abaixo!

superfunk remix - club version
superfunk remix - edit version

0 Bilus felizes:

Alô?! Maddyrain chamando!

Você acaba de adentrar as entranhas do mundo de Maddyrain, uma profissional da "náiti guêi" de São Paulo que ama house music e decidiu fazer a boazinha e compartilhar parte de seu acervo musical.

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