O Vale das Bonecas

Caminhei dias e dias acompanhada por LouLou por uma paisagem super bunita e pós-xuca mal feita. Tadinha da LouLou... aceitei esse ser/coisa super contrariada, mas a bichinha era simpática e cheia de babadus fortjis! Aliás, as histórias de LouLou renderiam um post enorme, mas abaphe the case, please. Se você pegou o bonde andando, LouLou é minha companheira de viagem em sua forma ectoplasmática e com um cheiro super forte de puta véia.
Parávamos em alguns hotelzinhos de beira de estrada, fazíamos a xuca, pois travesti que é travesti anda com a xuca feita sempre. Subimos no alto de uma colina e lá embaixo avistamos uma espécie de oficina mecânica enorme.

_ Xente, máogueéaguilo?
_ Lá é o Vale das Bonecas, Maddyrain. A região das sapas.
_ Mas parece uma mecânica enorme. Ai que loucura.
_ Elas trabalham fazendo peças pra caminhões.
_ Xente! Que super contextualizado!

Descemos a colina e adentramos o Vale das Bonecas. Assim que pisamos naquele solo lésbico, uma sirene super dubalacubacu começou a tocar e fomos perseguidas por três caminhões enormes dirigidos pelas sapas.

_ Pega as viadas!
_ Ai que loucura! LouLou, você consegue correr ou só se arrasta mesmo?
_ Eu sou um ectoplasma, meu amor! Posso até voar!

LouLou voando, eu correndo com os bracinhos balançando e as rachas nos perseguindo. Fomos cercadas, aqueles motores rosnando na minha cara. Um horror! Me senti num filme de terror pornô lésbico!

_ O que você quer aqui, travesti? Não sabe que as bichas não são bem-vindas no Vale das Bonecas?
_ Ai, meu kool! Eu lá me importo com isso? Preciso cruzar o Vale pra levar minha amiga LouLou até o pai!
_ E não tinha outro caminho?
_ Não sei, sou nova no pedaço, meu amô. Acabei de morrer.
_ E se continuar assim boca-dura, vai morrer de novo! Vocês vêm com a gente! Vamos levar vocês até nossa líder pra ela decidir o que faz com vocês, gracinhas!

Ana Carolina parou de tocar no rádio e abriu espaço pra K.D. Lang. Ufa... um pouco de classe e glamour no meio daquelas machas! Atóron estar super contextualizada musicalmente! A rádio tava tocando Theme from the "Valley of the Dolls"!

_ Ai! Acho tão linda essa música!
_ E tu conhece K.D. Lang?
_ Mas é craro, meu amô! Sou uma travinha versada na cultura lésbica. Já tive várias amigas sapatonas, mas o convívio é complicado. Vocês trabalham fazendo peça de caminhão, éam?
_ Isso. Exportamos pro mundo dos vivos.
_ Ai, mas como!?
_ Não podemos falar, vinhada! É o nosso segredo feminino.
_ Tá boa. Pra guardar segredo, são femininas... Meu kool!

Passamos por várias rachas trabalhando debaixo daquele sol escaldante. Seus corpos todos sujos de graxa, suados, a pele brilhando. Uma coisa SUPER uó! O movimento sexual das máquinas era contínuo. Aquele entra e sai, entra e sai. Uma loucura. Entramos num escritório super abafado dominado por uma camada de fumaça de cigarro. Numa clareira, um homem com cara de macho alpha fodedor nos encarava.

_ E então, porra? Parei meu trabalho pra receber uma travesti e um troço fedido?
_ Ai que loucura! Você é mulher!?
_ Tô além da definição de mulher e homem. O que tu tá fazendo aqui? Se perdeu por aí e caiu aqui no Vale das Bonecas?
_ Pois é, meu amô! Mas o nome tá super descontextualizado, porque eu só vi BONECO até agora. E antes fosse uns Ken... mas só vi Chucky mesmo.
_ Mas que viada atrevida! Tu não tem noção do perigo, né?
_ Eu não. Gata, preciso dar o fora daqui e você vai me ensinar como. Fiquei sabendo que vocês têm uma conexão com o mundo dos vivos. Sabe... esse babadu de estar morta é conceitual e tudo mais, mas eu gosto é de neca e dos prazeres da vida! Quero voltar a viver.
_ E por que eu ensinaria pra uma travesti como voltar à vida?
_ Porque eu sou bunita.
_ Tu é muito da sem vergonha!
_ Maddyrain, e se você mostrar pra bunita aí o que você tem embrulhado?
_ Ai gata, e se for um dildo?! Elas vão querer me matar!
_ Mostra logo o que tu tem aí!

Desenrolei as cordinhas que prendiam o embrulho, arranquei um monte de plástico bolha e, pra minha surpresa, durante todo esse tempo, eu tava carregando uma cerveja geladíssima debaixo do braço e nem sabia! Ai que loucura!

_ Uma cerveja?! Eu lá sou travesti de tomar cerveja?! Eu quero é vodka! Com gelo!
_ CERVEJA! - todas as sapas escutaram as palavrinhas mágicas e vieram correndo até o escritório.
_ Ai que loucura! É uma cerveja!
_ Tu sabe quanto tempo eu não boto uma cerva na boca?
_ Menos do que numa xana?
_ Desde quando eu era viva! Me passa essa porra!
_ Não, por dois motivos: primeiro, você não gosta de porra por definição de gênero. Segundo, como eu faço pra sair dessa birosca?
_ Tu vai precisar de uma audiência especial com o diabo das travestis em pessoa para poder sair desse plano. - a bunita tava hipnotizada pela garrafa gelada.
_ E como eu acho esse diabo? É só acender uma vela, rezar e ele aparece?
_ Uma de minhas meninas vai te levar até a saída do Vale das Bonecas. Continue seguindo sempre reto. Você passará pelo Grande Dark Room. Lá você conseguirá mais informações com Irene de Ravache.

Deixei a garrafa derretendo na mesa da bunita e entrei num caminhão. Depois que as sapas se mataram em volta daquela garrafa, uma racha veio nos dar carona até a borda que marcava o fim do Vale das Bonecas.
LouLou e eu, eu e LouLou continuamos pelas estradas do inferno rumo ao Grande Dark Room. Só o nome já fazia meu Emplastro Sabiá querer soltar de trás. Uma loucura!

Theme from the "Valley of the Dolls"

Album Version
Junior's 7" Mix
Junior's Arena Anthem
Junior's Arena Instrumental
Junior's Arena Dub with Slow Part
Junior's Arena Dub without Slow Part
Junior's Riff Dub
Junior's Tribal Beats

Why do we cry?

Chupa meu edi que eu gosto:
Bom, imagino que 80% de meus leitores são gays e apenas 1% são lésbicas. A outra parcela corresponde aos meus kéridos heteros que gostam de dar uma boa risada. Sendo assim, super concluo numa loucura de raciocínio à la Platão que meus leitores NÃO sabem quem é K.D. Lang. Amorzinho, não se sinta mal por isso... Eu sei que a cultura lésbica é super confusa e obscura, mas ela existe, tzá? K.D. Lang é um hominho que nasceu num corpo de mulher e com uma das vozes femininas mais lindas do mundo. A música de hoje é maravilhosamente linda, dando um show de interpretação vocal. Super se jogue na Album Version para conhecer e se apaixonar pela voz de K.D. Lang.

Mas a K.D. Lang não é burra, néam meu amô? Ela sabia que se fosse lançar um single pras sapas, cheio de versão acústica e ao vivo no buteco, não ia fazer sucesso nenhum! O que ela fez? Chamou o divo traveco Junior Vasquez pra remixar uma baladjénha super mela cueca. E que tarefa difícil! O 7" Mix é super parecido com a versão original, apenas com algumas batidinhas novas, mas continua mantendo o clima down tempo da original.
Na verdade, Juninho Vasconcelos tava passando por uma fase tumultuada de sua carreira artística e tava com a mania de fazer remixes enormes, super pintosos, mas que no meio, ficavam calminhos. O Junior's Arena Anthem possui 13 minutos de puro travequismo, só que lá na metade, começa a tocar a versão lentinha pras biluzinhas recuperarem o fôlego e voltarem pra bateção de cabelo.

Todos os outros remixes seguem as mesmas batidas e o mesmo instrumental, sem grandes mudanças. Acho super recomendável o Junior's Riff Dub. Na verdade, ele é idêntico aos outros dubs, apenas menor. Juninho não tava vomitando originalidade quando aceitou esse trabalho!

1 Bilus felizes:

Too-Tsie disse...

O DJ Paulo Ciotti adorava tocar a Arena Anthem na finada Mad Queen. A baladinha no meio era ótimo pra fumar um cigarrinho, conversar cas colega, xoxar a ridícula com o modelo todo errado, e o mais importante, falar sobre a neca aparente do bofe ao lado.

Alô?! Maddyrain chamando!

Você acaba de adentrar as entranhas do mundo de Maddyrain, uma profissional da "náiti guêi" de São Paulo que ama house music e decidiu fazer a boazinha e compartilhar parte de seu acervo musical.

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