25 dos infernos

Chegamos em mais um vale do inferno. Xente, eu já tava cansada de tanto vale por aqui. Vale-meu-kool. Uma ladeira conduzia para a 25 de Março do local e já conseguia ouvir aquela sinfonia caótica e velha conhecida.

_ Ai, titita!
_ Titia!
_ Ai, titia!
_ Yo no créo! Até aqui tem essas cornetinhas do "Ai, titia"!?
_ Não há fuga, meu amor. Para entrarmos na 25 de Março, precisamos passar por aquela portal.
_ Mas pra que tudo isso de portal? Que coisa mais mística.
_ A 25 de Março é um pedaço do inferno no mundo dos vivos, Maddie. Literalmente. Vamos entrar no mundo dos vivos, mas de uma maneira diferente. Eles não poderão nos ver. Só os camelôs.

Sempre imaginei que aquele povo da 25 de Março tinha uma relação confusa com alguma entidade pouco divina. Bom, pelo menos eu conseguiria trocar uma palavrinha ou outra com meus fãs. Nunca me esqueci da alegria que foi ser eleita a Miss Travesti da Região da 25 de Março! E isso inclui também o Terminal Parque Dom Pedro II, tzá Marcelinha BomBom?!
O portal era uma entrada do metrô São Bento. Descemos a escada rolante e saimos em plena Ladeira Porto Geral seguidas por uma legião de Ai, titias. Íamos passando pelas pessoas realmente como duas fantasmas. Aliás, uma já era mais do que fantasma.

_ Gata, vem cá, aondji fica essa buatchi do diabo das travestis? Não vai me dizer que é a Studio 720.
_ Temos que ir até o final da 25 de Março, gata! A Disco Inferno fica lá no final.
_ Ai que perigón! Juro que frequento a 25 desde meus tempos de mocinha pura, mas nunca vi uma buatchi no meio dos camelôs!

Não há muito a adicionar sobre a 25 de Março que eu já não tenha falado antes. De banha de baleia a relógio Diesel piratex, você encontra de tudo e todos na 25 de Março. Só conseguíamos conversar com os camelôs e outras travestis mortas que estavam fazendo compras. Aqueles carrinhos de mão insuportáveis daquela japonesada terrível felizmente não acertava nossas canelinhas femininas.

_ Ô formosura. Vem cá! Eu tenho o que você precisa pra se manter sempre esbelta, formosa e limpa.
_ Ai, pera aí LouLou! Deixa eu vê o que ele tem. Inhaím, o que você tem pra me manter sempre limpa. Não que eu seja uma travesti suja. Por Madonna, longe disso.
_ Vem cá, que eu vou te mostrar. Dá a volta na minha barraca. Olha aqui.
_ Xente! Meu kérido! Coloca essa neca pra dentro! Que horror! Que coisa pequena e mucha! E como é que isso me manteria limpa? Parece que ela não é lavada desde que neca é neca!
_ Mas é dela que eu tiro o Sabonete das Travas. Veja só!

O camelô, numa audácia incrível, começou a bater uma punhetinha básica na minha frente. A nécula, coitada, era pequena mesmo dura. Uma coisa uó de ser vista. Alías, sou super a favor de transformar em xaninha toda nécula. Ai, melhor não, néam? Antes uma neca pequena que uma xana. De toda forma, o cafu terminou o serviço sórdido, gozou num potinho, deu uma mexida e me entregou. Sem muito nojo e já acostumada com esse tipo de coisa, peguei o potinho.

_ Agora me fala. O que eu faço com isso, meu amô?
_ Ensaboa o seu corpo formoso inteiro com meu sabonete. Você nunca mais irá precisar fazer a xuca.
_ Xente! Vou usar isso RIGHT NOW!
_ Não pode ser aplicado a seco! Senão o efeito é o contrário! Tem que ser durante o banho.

Coloquei o potinho na bolsinha e continuei desviando da biluzada frenética fazendo as compras. Ai, chega o final do ano, aquela lugar fica impossível! A trilha sonora do lugar também não tinha evoluído muito. Ia de hits indianos a love songs, passando por Madonna e Gipsy Kings.
Finalmente chegamos na porta da Disco Inferno. Uma trava vestida de Cyndi Lauper servia de door e dublava, obviamente, Disco Inferno pra biluzada na fila.

_ Inhaím gata. Deixa eu te contar. Já tem uma drag cover oficial da Cyndi Lauper, tzá? Ela atende por Cindi Loka!
_ Burn baby burn, meu kool pra sua amiga. Burn baby burn, ela tá morta por acaso?
_ Não que eu saiba.
_ Então, repito: meu kool pra sua amiga. Vai pra fila se quiser entrar.
_ Eu tenho uma audiência com seu patrão, meu amô.
_ Ah é? Cadê sua carteirinha? Cadê seu convitinho? Cadê seu flyer? Não tem flyer? Vai pagar mais caro e vai pegar fila.
_ Ai que vinhada abusada!

Cansada de tanto discutir por filas neste inferninho, fui pra fila com LouLou com a cara fechada, mas o edi aberto. A fake drag cover continuou dublando Disco Inferno e fazia questão de olhar pra minha carinha bunita enquanto dublava "Burn baby burn, disco infernoooooo". Meu sangue começou a ferver.

_ Meu kool pra VOCÊ, tzá?! Vem LouLou!

Numa manobra loka, sai da fila, corri até a drag, joguei meus peitinhos em cima dela e rolei pra dentro da buatchi. Fugi pra pista desesperada e nem tive tempo de observar a decoração do lugar. Dois brutamontes deformados de tão sarados me pegaram pelos bracinhos.

_ Você vai falar com o chefe, AGORA!
_ É isso aí, meus amores! É com ele mesmo que eu quero falar! Quero uma audiência com o diabo, RIGHT NOW!

Fui molestada, passaram a mão nas minhas coxas, reviraram minha calcinha e cutucaram meu edi antes de me arrombarem. Gozei gostoso e permaneci jogada no chão completamente gozada em puro êxtase até que uma porta foi aberta e uma secretária veio me chamar.
Levantei sem nem saber o que era dignidade e moral e fui ter minha conversinha com o diabo das travestis.

Disco Inferno

A Night at the Roxbury Soundtrack Version
Soul Solution Mix
Soul Solution Radio Edit
Soul Solution Drumapella
Soul Solution A Capella
Boris & Beck Roxy Dub
Boris & Beck Roxy Edit Dub
Rescue Me Mix
Diva Mix
Diva Dub
DJ Antoine vs. Mad Mark Club Mix
Dave Armstrong & Christian Alvarez A&A Remix
Ian "45" Carey Vocal Mix
Ian "45" Climax Dub
Ian "45" DJ Tool
Accapella Tool

I had to self-destruct...

Chupa meu edi que eu gosto:
Hoje eu quero ver essa biluzada se acabando sem dó ao som de Disco Inferno da minha queridinha Cyndi Lauper! Bom, Disco Inferno não precisa de apresentações! Todo mundo conhece esse clássico da disco music. A bunitinha da Cyndi regravou a música pro filme A Night at the Roxbury e ficou uma delicinha a versão dela! Super bunitinha e essa versão original não saiu em nenhum outro album, então se joguem!

Os remixes da época de lançamento do single são todos pintosos ao extremo! Vamos começar pelo Soul Solution, que já fez a feminilidade de muita bilu. Se joguem no Soul Solution Mix! Um club dance gostoso e fervidíssimo pras pintosas de plantão.
Eu sempre desconfiei da loucura da Cyndi. Acho que ela super se joga no padê e quando tava gravando Disco Inferno, a bunita tava com padê até na orelha! Uma gritaria loka do meu kool! O Rescue Me Mix do Plasmic Honey é um trance lokíssimo, escandaloso e arrombador de edi! Ultra mega recomendo ouvir esse remix com o padê estalando na testa! Atóron! Vamos ahazzar na ferveção, vinhado!
O Boris & Beck Roxy Dub também super recomendo! Soy la diva del dub, então já sabem! Super underground diva, pintosa e phêmea!

O Diva Mix foi lançado alguns anos e ficou a cargo do ahazzante Guido Osorio. Não é tão pintoso quanto a xente esperaria vindo dele, mas dá pra bater o cabelo gostoso. Tem um princípio de sirene que não chega a ocorrer e me deixa super frustrada. O Diva Dub é BEM mais interessante. Super recomendado!

Sabe aquela cagada de ficar relançando singles com versões atualizadas e, geralmente, piores? Então... até a pobrezinha da Cyndi Lauper entrou na jogada. As versões atualizadas não são péssimas, mas não chegam a ser ultra mega importantes. Recomendo o Dave Armstrong & Christian Alvarez A&A Remix que é bem gostosinho, mas com aquela sonoridade batida de tudo que tocava nas rádios. O Ian "45" Carey Vocal Mix é o mais interessante e super gostoso pra dançar na buatchi. Acho válido e conceitual!

0 Bilus felizes:

Alô?! Maddyrain chamando!

Você acaba de adentrar as entranhas do mundo de Maddyrain, uma profissional da "náiti guêi" de São Paulo que ama house music e decidiu fazer a boazinha e compartilhar parte de seu acervo musical.

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